Numa edição recente do "Público", Vasco Pulido Valente afirmou que o ex-presidente do PSD, Luis Marques Mendes, um dos principais ideólogos actuais daquele partido, disse na TVI 24 que "a EDP é um Estado dentro do Estado" e "manda no Estado". Não vi tal programa da televisão que, começando por ser de inspiração católica, já esteve na mão de colombianos, os quais, como sabemos, investem no estrangeiro com a melhor das boas intenções...
Também não observei nem li qualquer desmentido da peça escrita pelo secretário de estado da Cultura de Sá Carneiro.
Por outro lado, também não perco o meu precioso tempo a ouvir ou ler Marques Mendes ou qualquer outro apoiante deste falso partido social democrata.
Adiante e concluindo: o estado totalitário comunista chinês manda num governo eleito democraticamente. O seu voto, (e)leitor, nada conta, como, aliás, acontece na maioria das sociedades democráticas, nas quais o poder económico se apoderou do poder político, geralmente medíocre.
O actual poder governamental, mais que medíocre, é ridículo. Basta ver a triste figura que faz o viseense "Álvaro".
Tu, militante social democrata (que ainda acreditas neste termo) vais continuar a seguir o partido de direita, defensor dos ricos, que despreza os pobres e ofendidos, bem como as camadas médias em vias de proletarização, como diria Marx, os quais considera meros números, que abandonou a ideologia que abraçaste desde Sá Carneiro e amanhã inicia um congresso laudatário das políticas mais reaccionárias desde o 25 de Abril?
quinta-feira, 22 de março de 2012
sexta-feira, 16 de março de 2012
QUANDO MEIA VERDADE ESCONDE A MENTIRA
Para a mentira ser segura
e atingir profundidade
tem que trazer à mistura
qualquer coisa de verdade
António Aleixo
Nesta semana, o secretário de estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, tentou atirar areia para os olhos dos portugueses, fazendo jus à quadra do popular poeta algarvio António Aleixo, acima referida.
Ostentando aquele ar entre os estilos betinho e "yupie" (daqueles rapazolas que na década de 80 do século passado rebentaram com a bolsa de Wall Street e acabaram na cadeia), disse que o "ajustamento" português está a dar frutos na economia. Em que se baseava o moço? No aumento das exportações relativamente às importações. Mas não é necessário ser economista para perceber que tal se deve à falta de dinheiro e às falências de empresas, que conduzem à diminuição das compras ao estrangeiro.
Porque não falou em frutos podres, como o aumento da inflação, a queda do PIB (1,5% no ano passado e 3 a 4%, segundo as previsões para este ano)? Porque "esqueceu" o desemprego real e não o das estatísticas manipuladas, que já atinge mais de um milhão de trabalhadores? Esses frutos não contam?
Assim se procura enganar o Zé Povinho. Não quero comparar este rapaz e os seus companheiros de governo com o tristemente célebre Doutor Goebels, ministro da propaganda nazi, quando afirmava "uma mentira suficientemente repetida passa a ser verdade". Seria banalizar os horrorosos crimes dos nazis. Prefiro ficar pela comparação com o nosso Aleixo.
Os tiros de pólvora seca dados por esta gente, no entanto, estão-lhes a sair pela culatra. O PSD e o CDS estão em queda nas sondagens. Algumas destas apontam já para a perda da maioria absoluta por aqueles partidos, os quais já nada têm de social democrata ou democrata-cristão. Por outro lado, a imagem do governo é muito negativa. Tivesse o PS o seu Tony Blair na liderança e já lideraria os inquéritos à população.
É que, como dizia o presidente americano Lincoln, no século XIX, "pode enganar-se toda a gente durante algum tempo, pode enganar-se alguma gente durante algum tempo, não se pode enganar toda a gente toda a vida". A meia verdade, a esconder uma grande mentira, de Carlos Moedas, aliada a tantas promessas não cumpridas dos actuais detentores do poder executivo, especialmente as feitas durante a campanha eleitoral que os conduziu ao poder, começam a fazer cair as suas máscaras e a mostrar que esta gente não é melhor que Sócrates.
Sociais democratas, liberais (incluindo os que militam no PS), democratas-cristãos, não estais representados por nenhum dos partidos existentes. Tendes de optar: ou continuais nos vossos partidos à espera de melhores dias, ou abandonais os mesmos, procurando outras formas de lutar por uma sociedade que se identifique com os vossos ideais. Chega de mentira! Chega de hipocrisia! Não foi necessário decorrer um ano para nos cansarem!
e atingir profundidade
tem que trazer à mistura
qualquer coisa de verdade
António Aleixo
Nesta semana, o secretário de estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, tentou atirar areia para os olhos dos portugueses, fazendo jus à quadra do popular poeta algarvio António Aleixo, acima referida.
Ostentando aquele ar entre os estilos betinho e "yupie" (daqueles rapazolas que na década de 80 do século passado rebentaram com a bolsa de Wall Street e acabaram na cadeia), disse que o "ajustamento" português está a dar frutos na economia. Em que se baseava o moço? No aumento das exportações relativamente às importações. Mas não é necessário ser economista para perceber que tal se deve à falta de dinheiro e às falências de empresas, que conduzem à diminuição das compras ao estrangeiro.
Porque não falou em frutos podres, como o aumento da inflação, a queda do PIB (1,5% no ano passado e 3 a 4%, segundo as previsões para este ano)? Porque "esqueceu" o desemprego real e não o das estatísticas manipuladas, que já atinge mais de um milhão de trabalhadores? Esses frutos não contam?
Assim se procura enganar o Zé Povinho. Não quero comparar este rapaz e os seus companheiros de governo com o tristemente célebre Doutor Goebels, ministro da propaganda nazi, quando afirmava "uma mentira suficientemente repetida passa a ser verdade". Seria banalizar os horrorosos crimes dos nazis. Prefiro ficar pela comparação com o nosso Aleixo.
Os tiros de pólvora seca dados por esta gente, no entanto, estão-lhes a sair pela culatra. O PSD e o CDS estão em queda nas sondagens. Algumas destas apontam já para a perda da maioria absoluta por aqueles partidos, os quais já nada têm de social democrata ou democrata-cristão. Por outro lado, a imagem do governo é muito negativa. Tivesse o PS o seu Tony Blair na liderança e já lideraria os inquéritos à população.
É que, como dizia o presidente americano Lincoln, no século XIX, "pode enganar-se toda a gente durante algum tempo, pode enganar-se alguma gente durante algum tempo, não se pode enganar toda a gente toda a vida". A meia verdade, a esconder uma grande mentira, de Carlos Moedas, aliada a tantas promessas não cumpridas dos actuais detentores do poder executivo, especialmente as feitas durante a campanha eleitoral que os conduziu ao poder, começam a fazer cair as suas máscaras e a mostrar que esta gente não é melhor que Sócrates.
Sociais democratas, liberais (incluindo os que militam no PS), democratas-cristãos, não estais representados por nenhum dos partidos existentes. Tendes de optar: ou continuais nos vossos partidos à espera de melhores dias, ou abandonais os mesmos, procurando outras formas de lutar por uma sociedade que se identifique com os vossos ideais. Chega de mentira! Chega de hipocrisia! Não foi necessário decorrer um ano para nos cansarem!
quinta-feira, 8 de março de 2012
O HOMEM NOVO, SEGUNDO O PRIMEIRO-MINISTRO
A propósito da não concessão de tolerância de ponto no dia de carnaval, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho afirmou não se compadecer a situação difícil em que Portugal se encontra e a necessidade de aumentar a competitividade e a produtividade com a manutenção de tradições como a comemorada naquela data.
Quanto a melhoria da competitividade e da produção, a queda do crescimento económico em 1,5% no ano passado e que se prevê ultrapassar, no ano presente, os 3%, podendo mesmo chegar aos 4%, ou o aumento do desemprego, o qual já atinge mais de 1 milhão de portugueses, dizem tudo da política passista-portista na matéria. Estes factos, aliados à quebra de 8% nas receitas fiscais, no pretérito mês de Janeiro, relativamente a igual mês de 2011, provam que se está a somar crise à crise. Foi assim que começou a actual tragédia grega.
Passos Coelho foi comunista, tendo militado no PCP e na JCP na sua adolescência. Parece ter captado bem as teses marxistas-leninistas sobre a criação do “homem novo”, robotizado e controlado pelo poder, sendo para tal necessário acabar com a maior parte das tradições.
Agora, como homem de direita – já toda a gente se apercebeu que não é social democrata e o seu liberalismo foi muito mal estudado – parece querer criar o “homem novo”, “descomplexado produtivo”, que, como diz o guru do ultra-liberalismo, defensor da ditadura do mercado, Manuel Forjaz, não tem mais emprego, mas terá que estar sempre prestável para trabalhar sem qualquer vínculo à entidade patronal. Quem assim não pensar é um “preguiçoso autocentrado”. Se a construção do “homem novo” comunista conduziu a um totalitarismo colectivista responsável por enormes violações dos direitos humanos e à morte de 100 milhões de pessoas em todo o planeta, este “homem novo” não passará de um robot manipulado pelo pior que o capitalismo tem. As experiências laboratoriais deste governo põem ponto final no capitalismo de rosto humano e marcam o regresso ao século XIX, em termos laborais e sociais. Por outro lado, tal como nos regimes comunistas, esta governação ultra-liberal e ultra-capitalista tende a pôr fim a tradições ancestrais.
Quem sabe, ainda regressaremos ao ano zero como o Camboja governado por Pol Pot e o Partido Comunista Cambojano (os famigerados kmers vermelhos), de inspiração maoista?
Passos Coelho aprendeu bem a lição dos seus verdes anos, adaptando-a às políticas de direita e negadoras da social democracia que representa. Também deve ter aprendido que “onde há repressão, há luta”.
No dia de carnaval, à excepção dos funcionários públicos, porque foram obrigados, todos os outros portugueses, trabalhadores ou empresários, descansaram, não dando importância à decisão governamental. Há tradições que não acabam por decreto. Mais: essas tradições mantêm-se e quem com elas quer acabar passa. Foi essa mais uma das lições da queda do comunismo em praticamente todo o mundo.
Quanto a melhoria da competitividade e da produção, a queda do crescimento económico em 1,5% no ano passado e que se prevê ultrapassar, no ano presente, os 3%, podendo mesmo chegar aos 4%, ou o aumento do desemprego, o qual já atinge mais de 1 milhão de portugueses, dizem tudo da política passista-portista na matéria. Estes factos, aliados à quebra de 8% nas receitas fiscais, no pretérito mês de Janeiro, relativamente a igual mês de 2011, provam que se está a somar crise à crise. Foi assim que começou a actual tragédia grega.
Passos Coelho foi comunista, tendo militado no PCP e na JCP na sua adolescência. Parece ter captado bem as teses marxistas-leninistas sobre a criação do “homem novo”, robotizado e controlado pelo poder, sendo para tal necessário acabar com a maior parte das tradições.
Agora, como homem de direita – já toda a gente se apercebeu que não é social democrata e o seu liberalismo foi muito mal estudado – parece querer criar o “homem novo”, “descomplexado produtivo”, que, como diz o guru do ultra-liberalismo, defensor da ditadura do mercado, Manuel Forjaz, não tem mais emprego, mas terá que estar sempre prestável para trabalhar sem qualquer vínculo à entidade patronal. Quem assim não pensar é um “preguiçoso autocentrado”. Se a construção do “homem novo” comunista conduziu a um totalitarismo colectivista responsável por enormes violações dos direitos humanos e à morte de 100 milhões de pessoas em todo o planeta, este “homem novo” não passará de um robot manipulado pelo pior que o capitalismo tem. As experiências laboratoriais deste governo põem ponto final no capitalismo de rosto humano e marcam o regresso ao século XIX, em termos laborais e sociais. Por outro lado, tal como nos regimes comunistas, esta governação ultra-liberal e ultra-capitalista tende a pôr fim a tradições ancestrais.
Quem sabe, ainda regressaremos ao ano zero como o Camboja governado por Pol Pot e o Partido Comunista Cambojano (os famigerados kmers vermelhos), de inspiração maoista?
Passos Coelho aprendeu bem a lição dos seus verdes anos, adaptando-a às políticas de direita e negadoras da social democracia que representa. Também deve ter aprendido que “onde há repressão, há luta”.
No dia de carnaval, à excepção dos funcionários públicos, porque foram obrigados, todos os outros portugueses, trabalhadores ou empresários, descansaram, não dando importância à decisão governamental. Há tradições que não acabam por decreto. Mais: essas tradições mantêm-se e quem com elas quer acabar passa. Foi essa mais uma das lições da queda do comunismo em praticamente todo o mundo.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
QUEM DIZ QUE É PELA RAINHA
No dia 23 do corrente mês passaram 25 anos sobre a morte do cantor Zeca Afonso.
Seguidamente, evocando a sua obra, publicamos um poema de uma das suas canções, ilustrativo de uma certa realidade política e social que se vem agravando nos últimos anos.
QUEM DIZ QUE É PELA RAINHA
Quem diz que é pela rainha
nem precisa de mais nada
embora seja ladrão
pode roubar à vontade
todos lhe apertam a mão
é homem de sociedade
Acima da pobre gente
subiu quem tem bons padrinhos
de colarinhos gomados
perfumando os ministérios
é dono dos homens sérios
ninguém lhe vai aos costados
Seguidamente, evocando a sua obra, publicamos um poema de uma das suas canções, ilustrativo de uma certa realidade política e social que se vem agravando nos últimos anos.
QUEM DIZ QUE É PELA RAINHA
Quem diz que é pela rainha
nem precisa de mais nada
embora seja ladrão
pode roubar à vontade
todos lhe apertam a mão
é homem de sociedade
Acima da pobre gente
subiu quem tem bons padrinhos
de colarinhos gomados
perfumando os ministérios
é dono dos homens sérios
ninguém lhe vai aos costados
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
A DOENÇA INFANTIL DO LIBERALISMO
Lenine considerava “o esquerdismo a doença infantil do comunismo”. Aliás, escreveu um livro com tal título.
Álvaro Cunhal, imitando o mestre, publicou também, no final da década de 60 do século passado, um livro intitulado “Radicalismo pequeno-burguês de fachada socialista”, no qual verberava os grupos maoistas, trotskistas ou guevaristas surgidos na época em Portugal.
Quer Lenine, quer Cunhal, consideravam que o radicalismo, em nome do comunismo, se caracterizava pelo aventureirismo e conduzia a revolução a um beco sem saída, beneficiando os seus inimigos.
Também o liberalismo, após a retirada de Ronald Reagan, já falecido, ou Margareth Thatcher, da política, caiu num radicalismo de sinal contrário ao mencionado por aqueles dirigentes comunistas. Em nome da emancipação da sociedade civil, caiu-se na excessiva desregulamentação, a qual conduziu a abusos do capital, à aposta na economia de casino, através de um excesso de capitalismo financeiro, à desindustrialização das sociedades capitalistas mais desenvolvidas, conduzindo todos estes factores a um consumismo insustentável.
O resultado daqueles factores está à vista. Austeridade que empobrece quem já era pobre, bem como as classes médias, especialmente nos países periféricos como Portugal, Grécia e Irlanda, que chegaram às portas da bancarrota. Espanha e Itália vão pelo mesmo caminho. Nos países mais ricos, como a Alemanha ou os EUA, os trabalhadores não vêem os seus salários subir há 15 ou 20 anos, provocando maiores desigualdades.
Karl Marx dizia que o “desenvolvimento do capitalismo conduziria ao desaparecimento das classes médias e à concentração de riqueza nas mãos da alta burguesia”. O capitalismo de rosto humano, levado à prática desde a II Grande Guerra Mundial até à recente crise, provou o contrário: o desenvolvimento capitalista criou fortes classes médias. A economia de mercado demonstrou garantir melhor nível de vida para a maioria das pessoas do que as economias de direcção central marxistas. O “segredo” para esta transformação foi a submissão do poder económico ao poder político forte e entregue a homens e mulheres de princípios, com boa formação política e económica.
O radicalismo neo-liberal atrás referido, que pode considerar-se a doença infantil do liberalismo político e económico, só foi possível, dado a política estar entregue a medíocres e oportunistas subordinados ao poder e interesses económicos, virando do avesso o liberalismo original, que postulava a regulação da economia por um estado forte.
As nefastas consequências desta doença infantil neo-liberal, representada por Passos Coelho e restante nova direita que governa a maioria dos países da UE, já está a servir os seus inimigos políticos. As consequências dessas consequências (passe a expressão) não serão boas.
PS: a ser verdade o que a imprensa tem afirmado, o projecto de alteração do programa do PSD prevê a retirada do Estado da saúde, da educação e de tudo que tenha a ver com políticas sociais, o que nem de perto, nem de longe, alguma vez foi posto em prática no país mais liberal, os EUA. Assim sendo, o PSD não é mais um partido social democrata ou sequer liberal. Mais parece influenciado pelo “Tea Party”, de Sarah Palin. Consumado que seja tal facto, os verdadeiros sociais democratas, no sentido português do termo, terão que ir defender as suas ideias para outro lado.
Álvaro Cunhal, imitando o mestre, publicou também, no final da década de 60 do século passado, um livro intitulado “Radicalismo pequeno-burguês de fachada socialista”, no qual verberava os grupos maoistas, trotskistas ou guevaristas surgidos na época em Portugal.
Quer Lenine, quer Cunhal, consideravam que o radicalismo, em nome do comunismo, se caracterizava pelo aventureirismo e conduzia a revolução a um beco sem saída, beneficiando os seus inimigos.
Também o liberalismo, após a retirada de Ronald Reagan, já falecido, ou Margareth Thatcher, da política, caiu num radicalismo de sinal contrário ao mencionado por aqueles dirigentes comunistas. Em nome da emancipação da sociedade civil, caiu-se na excessiva desregulamentação, a qual conduziu a abusos do capital, à aposta na economia de casino, através de um excesso de capitalismo financeiro, à desindustrialização das sociedades capitalistas mais desenvolvidas, conduzindo todos estes factores a um consumismo insustentável.
O resultado daqueles factores está à vista. Austeridade que empobrece quem já era pobre, bem como as classes médias, especialmente nos países periféricos como Portugal, Grécia e Irlanda, que chegaram às portas da bancarrota. Espanha e Itália vão pelo mesmo caminho. Nos países mais ricos, como a Alemanha ou os EUA, os trabalhadores não vêem os seus salários subir há 15 ou 20 anos, provocando maiores desigualdades.
Karl Marx dizia que o “desenvolvimento do capitalismo conduziria ao desaparecimento das classes médias e à concentração de riqueza nas mãos da alta burguesia”. O capitalismo de rosto humano, levado à prática desde a II Grande Guerra Mundial até à recente crise, provou o contrário: o desenvolvimento capitalista criou fortes classes médias. A economia de mercado demonstrou garantir melhor nível de vida para a maioria das pessoas do que as economias de direcção central marxistas. O “segredo” para esta transformação foi a submissão do poder económico ao poder político forte e entregue a homens e mulheres de princípios, com boa formação política e económica.
O radicalismo neo-liberal atrás referido, que pode considerar-se a doença infantil do liberalismo político e económico, só foi possível, dado a política estar entregue a medíocres e oportunistas subordinados ao poder e interesses económicos, virando do avesso o liberalismo original, que postulava a regulação da economia por um estado forte.
As nefastas consequências desta doença infantil neo-liberal, representada por Passos Coelho e restante nova direita que governa a maioria dos países da UE, já está a servir os seus inimigos políticos. As consequências dessas consequências (passe a expressão) não serão boas.
PS: a ser verdade o que a imprensa tem afirmado, o projecto de alteração do programa do PSD prevê a retirada do Estado da saúde, da educação e de tudo que tenha a ver com políticas sociais, o que nem de perto, nem de longe, alguma vez foi posto em prática no país mais liberal, os EUA. Assim sendo, o PSD não é mais um partido social democrata ou sequer liberal. Mais parece influenciado pelo “Tea Party”, de Sarah Palin. Consumado que seja tal facto, os verdadeiros sociais democratas, no sentido português do termo, terão que ir defender as suas ideias para outro lado.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
HÁ 200 ANOS NASCIA CHARLES DICKENS
Em 7 de Fevereiro de 1812, nascia na Inglaterra o escritor Charles Dickens.
Filho de pessoas pobres, começou a trabalhar com 12 anos numa fábrica, como operário. Mais tarde, subiu na vida a pulso, tendo sido empregado de escritório, jornalista e escritor.
Pelo casamento e através do seu trabalho intelectual, tornou-se rico. No entanto, a sua opção foi sempre pelos pobres e pela justiça social.
Na época vitoriana, era uma das figuras mais populares da velha Albion. Nas suas obras literárias, denunciou a hipocrisia moral daquela época, que continua a influenciar certos neo-liberais conservadores, em grande parte responsáveis pela crise económica, financeira e social que atravessa o Ocidente, bem como a exploração do capitalismo selvagem, à qual estavam também sujeitos velhos e crianças, sem protecção social, trabalhando 14 e 16 horas por dia.
Uma leitura atenta das obras de Dickens, ou a visão de filmes baseados nas mesmas, levará à conclusão de que não é só na China, que reúne o que de pior existe no comunismo e no capitalismo, e outros países do terceiro mundo, que as relações laborais estão a regressar ao século XIX.
Neste tempo cinzento e amargo, especialmente para quem vive apenas do seu salário, sejam bem vindos novos “escritores malditos” e mal vistos por uma certa sociedade oficial, como Charles Dickens foi no seu tempo.
Filho de pessoas pobres, começou a trabalhar com 12 anos numa fábrica, como operário. Mais tarde, subiu na vida a pulso, tendo sido empregado de escritório, jornalista e escritor.
Pelo casamento e através do seu trabalho intelectual, tornou-se rico. No entanto, a sua opção foi sempre pelos pobres e pela justiça social.
Na época vitoriana, era uma das figuras mais populares da velha Albion. Nas suas obras literárias, denunciou a hipocrisia moral daquela época, que continua a influenciar certos neo-liberais conservadores, em grande parte responsáveis pela crise económica, financeira e social que atravessa o Ocidente, bem como a exploração do capitalismo selvagem, à qual estavam também sujeitos velhos e crianças, sem protecção social, trabalhando 14 e 16 horas por dia.
Uma leitura atenta das obras de Dickens, ou a visão de filmes baseados nas mesmas, levará à conclusão de que não é só na China, que reúne o que de pior existe no comunismo e no capitalismo, e outros países do terceiro mundo, que as relações laborais estão a regressar ao século XIX.
Neste tempo cinzento e amargo, especialmente para quem vive apenas do seu salário, sejam bem vindos novos “escritores malditos” e mal vistos por uma certa sociedade oficial, como Charles Dickens foi no seu tempo.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
O CALADO QUE PASSOU A PALRADOR DE SERVIÇO
Foi no final do mês de Outubro do ano da graça de 1988. Decorria um congresso da JSD em Tróia, no qual participei. Era, na altura, presidente da mesa da Assembleia Geral Distrital de Viseu da organização da juventude do PSD.
No segundo dia do Congresso estávamos vários participantes no mesmo, pela manhã, a tomar o pequeno almoço num bar situado junto ao Sado. Ali se encontravam também o actual secretário de Estado das comunidades, José Cesário, e Miguel Relvas, hoje ministro dos assuntos parlamentares, da administração local, juventude e desporto, “controleiro” da comunicação social estatizada, e então secretário-geral da JSD. O presidente desta organização era Carlos Coelho, sendo o actual primeiro-ministro, Passos Coelho, seu vice-presidente.
Miguel Relvas dirigiu-se a José Cesário, perguntando-lhe se deveria falar ou não no congresso. Este último disse-lhe: “se é para te queimares, vale mais não falares”. Foi exactamente o que fez Relvas. Durante todo o congresso, o homem do aparelho da organização não abriu a boca.
Miguel Relvas, que ao tempo, passava quase despercebido na “jota”, tornou-se um palrador que intervem a propósito de tudo e de nada, num discurso pontuado por banalidades. É a gente desta, conhecedora dos aparelhos partidários e do serviço prestado a certos empresários, que governa um país como se governasse uma empresa, mas desconhece o país real, obcecada apenas com os números do défice e da dívida, estando “nas tintas” para a pobreza e o necessário crescimento económico para combater a mesma, que Portugal está entregue. Mas, como diz o chefe do governo, “temos de empobrecer”.
Aquela expressão de Passos Coelho não é mais grave que a “gaffe” de Cavaco Silva sobre as suas pensões de reforma e despesas mensais? Porque não levantou a mesma celeuma na comunicação social? Estamos mesmo num situacionismo que faz recordar outros tempos de má memória. É por estas e por outras que o autor destas linhas está no reviralho...
No segundo dia do Congresso estávamos vários participantes no mesmo, pela manhã, a tomar o pequeno almoço num bar situado junto ao Sado. Ali se encontravam também o actual secretário de Estado das comunidades, José Cesário, e Miguel Relvas, hoje ministro dos assuntos parlamentares, da administração local, juventude e desporto, “controleiro” da comunicação social estatizada, e então secretário-geral da JSD. O presidente desta organização era Carlos Coelho, sendo o actual primeiro-ministro, Passos Coelho, seu vice-presidente.
Miguel Relvas dirigiu-se a José Cesário, perguntando-lhe se deveria falar ou não no congresso. Este último disse-lhe: “se é para te queimares, vale mais não falares”. Foi exactamente o que fez Relvas. Durante todo o congresso, o homem do aparelho da organização não abriu a boca.
Miguel Relvas, que ao tempo, passava quase despercebido na “jota”, tornou-se um palrador que intervem a propósito de tudo e de nada, num discurso pontuado por banalidades. É a gente desta, conhecedora dos aparelhos partidários e do serviço prestado a certos empresários, que governa um país como se governasse uma empresa, mas desconhece o país real, obcecada apenas com os números do défice e da dívida, estando “nas tintas” para a pobreza e o necessário crescimento económico para combater a mesma, que Portugal está entregue. Mas, como diz o chefe do governo, “temos de empobrecer”.
Aquela expressão de Passos Coelho não é mais grave que a “gaffe” de Cavaco Silva sobre as suas pensões de reforma e despesas mensais? Porque não levantou a mesma celeuma na comunicação social? Estamos mesmo num situacionismo que faz recordar outros tempos de má memória. É por estas e por outras que o autor destas linhas está no reviralho...
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