Há quem diga ser a direita portuguesa a mais estúpida da Europa. Assim sendo, está na companhia de outras congéneres suas, como a direita conservadora inglesa, hoje no poder, sob a liderança de David Cameron.
Recuando no tempo cerca de 20 anos, recordamos o conflito provocado por negros em Los Angeles, nos EUA, em consequência da violenta agressão de quatro polícias brancos sobre um cidadão também negro.
As autoridades procuraram pôr fim à violência. Uma das medidas adoptadas nesse sentido foi a nomeação de um comandante negro para a polícia de Los Angeles, o qual, mal tomou posse, afirmou ser implacável contra qualquer conflito racial, partisse o mesmo de brancos ou de negros. Por sua vez, o então presidente republicano George Bush (pai) reconheceu que a América tinha falhado na integração da raça negra na sociedade e havia que tomar medidas sociais e económicas para que tal acontecesse, pois estes problemas não se resolvem apenas com a repressão dos crimes praticados por gente pobre e desenraizada socialmente.
Bush e a restante administração tiveram um comportamento típico da direita democrática e progressiva, que tem origem na Revolução Americana de 1776 e nos girondinos da Revolução Francesa de 1789.
CONFRONTOS NA GRÃ-BRETANHA
Aquando dos recentes confrontos na Grã-Bretanha, muito especialmente em Londres, o primeiro-ministro daquele país, David Cameron, teve uma atitude própria do que Jaime Nogueira Pinto, conhecido intelectual de direita nacionalista, apelida de direita roncante. Ainda que tarde, diga-se em abono da verdade, deu ordens à polícia para conter e reprimir, o que se justificou perfeitamente, o vandalismo praticado por jovens e até crianças. No entanto, contrariamente a Bush (pai), não reconheceu que na origem dos conflitos está o elevado desemprego, o empobrecimento registado nos últimos anos e particularmente a incapacidade de integração na sociedade britânica de minorias oriundas de outras culturas. Enquanto não se tomarem decisões para a resolução destes problemas, novos confrontos poderão surgir, não sendo suficiente para a sua contenção a acção policial, por mais eficaz que seja.
No actual governo português também está representada a direita que entende ser a acção musculada e securitária suficiente para combater a criminalidade, que terá tendência para aumentar com o agravamento das condições de vida das populações. Essa não poderá ser a posição assumida pelo partido maioritário da coligação governamental, o qual não é de direita e não poderá esquecer as suas raízes sociais democratas. Além da adopção de medidas para a segurança de pessoas e bens, há, igualmente, que inserir socialmente pessoas desenraizadas e marginalizadas. Uma das funções do Estado, na concepção liberal, também é corrigir as assimetrias sociais. Tal solução não está no mercado.
No governo de Durão Barroso foi criado o Ministério das Cidades, que era uma sugestão de Marcelo Rebelo de Sousa. As suas funções eram reabilitar ambiental e socialmente as cidades, tornando-as mais humanas. É lamentável que desde a chegada de Sócrates ao poder tal ministério tenha acabado.
PS: A ultra-direitista Sarah Palin, ex-candidata a vice-presidente dos EUA, que durante a campanha para tal cargo ficou conhecida por dizer que o mundo tem apenas 6 000 anos e a África é um país, tem-se afirmado ultra-moralista, chegando a condenar as relações sexuais antes do casamento. No entanto, a ser verdade o que sobre aquela senhora, a quem Deus apenas concedeu beleza, diz o autor de um livro recentemente publicado, a mesma terá sido uma consumidora de drogas e infiel ao marido com vários homens. É esta a “moral” de certa direita. Como diz um amigo meu, quando se é moralista, é porque se tem algo a esconder.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
É PRECISO TER LATA !
Em declarações prestadas recentemente, o novo secretário-geral do Partido Socialista (PS), António José Seguro, atacou violentamente os cortes previstos para a saúde, a educação e outros sectores de carácter social no próximo Orçamento Geral de Estado.
Seguro "esquece" três coisas fundamentais: que o governo garante que ninguém deixará de ter acesso àqueles direitos por não poder custeá-los, que estas medidas se inserem no acordo firmado na passada Primavera entre o governo do seu partido (apoiado pelo PSD e pelo CDS) e a troika, que o executivo de Sócrates fez acentuados cortes na saúde e na segurança social. Que o digam os reformados com pensões mais baixas e os desempregados.
Seguro criticou ainda o aumento de impostos. Até parecia um liberal a falar... mas não foi o governo do PS que, sempre que havia dificuldades financeiras, aumentava as receitas, muito especialmente as fiscais? Porque não apoia o imposto extraordinário de 3% sobre as empresas com lucros mais elevados, que tanto reclamava?
Diz ainda o novo líder socialista que os juros e os lucros na bolsa deveriam ser taxados. Na situação actual do mercado de capitais, seria o fim da bolsa. Quanto à taxação de juros, está o leitor a imaginar a fuga de capitais para o estrangeiro e a situação em que os bancos ficariam. Já agora, porque não diz onde se deve cortar nas despesas?
Por aqui se vê a falta de sentido de Estado e a irresponsabilidade do PS e do seu líder, que não engana os portugueses. Apesar das medidas difíceis e impopulares, segundo uma sondagem publicada na última edição do "Expresso", se agora decorressem novas eleições, o PSD e o CDS reforçariam a votação registada no passado dia 5 de Junho e alargariam a actual maioria parlamentar.
Seguro "esquece" três coisas fundamentais: que o governo garante que ninguém deixará de ter acesso àqueles direitos por não poder custeá-los, que estas medidas se inserem no acordo firmado na passada Primavera entre o governo do seu partido (apoiado pelo PSD e pelo CDS) e a troika, que o executivo de Sócrates fez acentuados cortes na saúde e na segurança social. Que o digam os reformados com pensões mais baixas e os desempregados.
Seguro criticou ainda o aumento de impostos. Até parecia um liberal a falar... mas não foi o governo do PS que, sempre que havia dificuldades financeiras, aumentava as receitas, muito especialmente as fiscais? Porque não apoia o imposto extraordinário de 3% sobre as empresas com lucros mais elevados, que tanto reclamava?
Diz ainda o novo líder socialista que os juros e os lucros na bolsa deveriam ser taxados. Na situação actual do mercado de capitais, seria o fim da bolsa. Quanto à taxação de juros, está o leitor a imaginar a fuga de capitais para o estrangeiro e a situação em que os bancos ficariam. Já agora, porque não diz onde se deve cortar nas despesas?
Por aqui se vê a falta de sentido de Estado e a irresponsabilidade do PS e do seu líder, que não engana os portugueses. Apesar das medidas difíceis e impopulares, segundo uma sondagem publicada na última edição do "Expresso", se agora decorressem novas eleições, o PSD e o CDS reforçariam a votação registada no passado dia 5 de Junho e alargariam a actual maioria parlamentar.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
SOB O PAVIMENTO O MAR
Um dos slogans mais utilizados durante o Maio de 1968 foi "sob o pavimento o mar". Numa altura em que o crescimento económico, um desemprego baixo e um bom poder de compra caracterizavam a França, explode naquele país uma revolução intelectual e juvenil de grandes proporções, que mais tarde se estende às fábricas. Sob a aparência de um pavimento social consistente, existia, afinal, um mar em fúria.
Quando os operários, com os acordos de Grenelle, obtiveram 60% de aumento nos seus vencimentos, voltaram ao trabalho. Não queriam revolução nenhuma. Queriam ganhar mais. Claro que tais aumentos provocaram uma acentuada subida da inflação, a qual lhes "comeu" os aumentos salariais.
Seguidamente, em Junho do mesmo ano, a coligação dirigida por De Gaulle vence as eleições legislativas realizadas no seguimento da dissolução do parlamento, por maioria absoluta. Para os "maiistas", como diz José Mário Branco numa das suas canções, "foi um sonho lindo que findou".
Os "maiistas" lutavam por uma sociedade aberta e contra o conservadorismo social e hipócrita daquela época, o qual aliavam ao capitalismo democrático existente no Ocidente. Por outro lado, detestavam a URSS, os seus países satélites e os PCs pró-soviéticos. A todo este caldo cultural não foi, naturalmente, alheia a extrema-esquerda então em força na Europa e nos EUA, especialmente a sua facção maoista.
Passados todos estes anos, quando se pensava termos uma democracia consolidada, estando derrotadas as ideologias que conduziram à II Grande Guerra Mundial (fascismo, nazismo e comunismo), eis que novos atentados e revoltas surgem em todo o Ocidente.
Como se não bastasse um terrorismo externo ao Ocidente, praticado nos EUA e em alguns paises europeus pelo pior inimigo da liberdade nos nossos dias, o fundamentalismo islâmico, surgem movimentos niilistas e destrutivos dentro das próprias sociedades democráticas.
Na pacífica e estável Noruega, Breivik, militante de extrema-direita, anti-nazi e anti-marxista, admirador de Israel, católico fundamentalista, colocou uma bomba no edifício governamental e assassinou largas dezenas de jovens militantes trabalhistas, conotados com o partido no poder naquele país.
Na Grécia, na França, há alguns anos, e presentemente, na Grã-Bretanha, movimentos de jovens desempregados e até crianças, desenraizados socialmente, muitos emigrantes ou filhos dos mesmos, destroem casas comerciais, habitações e automóveis, provocando o pânico. Atacam a propriedade a que não têm acesso. Porquê?
Embora Breivik não nos pareça um louco, mas um homem inteligente e com capacidade de organização, politicamente fanático, custa-nos crer ter actuado isolado. A extrema-direita em que milita tem crescido muito nas últimas décadas na Europa, especialmente devido ao avanço do federalismo que pretende dissolver as identidades nacionais. Recordamos que os fundadores da CEE sonhavam com uma Europa unida económica e politicamente, mas respeitadora daquelas identidades. Esse sonho resumia-se na vontade da criação de uma "Europa das Pátrias, do Atlântico aos Urais", como dizia De Gaulle.
Por outro lado, os abusos do capitalismo, especialmente do financeiro, conduziram à crise económica, financeira e social hoje vigente na Europa rica (será que ainda o é?)e nos EUA, provocaram desemprego, pobreza e miséria, não só entre os menos favorecidos, mas também nas classes médias. As revoltas a que temos assistido são a consequência desses factores. Como o comunismo tradicional está desacreditado, assistimos a movimentos espontâneos ou controlados por organizações esquerdistas, segundo a concepção leninista do termo, blanquistas e anarquistas.
É bom que os partidos, personalidades e forças crentes na liberdade e na democracia actuem em defesa do regresso a um capitalismo de rosto humano, dotado de justiça social, do qual também beneficiem os trabalhadores e todos os pobres, especialmente os desempregados e marginalizados, que conjuge o mérito necessário ao crescimento e desenvolvimento económicos com a justiça social e humana. Mas também devem convencer-se, no velho continente, que a UE ou respeita as especificidades de cada nação ou implodirá política e economicamente. Caso assim não procedam, assistiremos ao aumento do niilismo que, provavelmente, ninguém sabe onde nos conduzirá. É que a História não tem um sentido unidimensional...
Quando os operários, com os acordos de Grenelle, obtiveram 60% de aumento nos seus vencimentos, voltaram ao trabalho. Não queriam revolução nenhuma. Queriam ganhar mais. Claro que tais aumentos provocaram uma acentuada subida da inflação, a qual lhes "comeu" os aumentos salariais.
Seguidamente, em Junho do mesmo ano, a coligação dirigida por De Gaulle vence as eleições legislativas realizadas no seguimento da dissolução do parlamento, por maioria absoluta. Para os "maiistas", como diz José Mário Branco numa das suas canções, "foi um sonho lindo que findou".
Os "maiistas" lutavam por uma sociedade aberta e contra o conservadorismo social e hipócrita daquela época, o qual aliavam ao capitalismo democrático existente no Ocidente. Por outro lado, detestavam a URSS, os seus países satélites e os PCs pró-soviéticos. A todo este caldo cultural não foi, naturalmente, alheia a extrema-esquerda então em força na Europa e nos EUA, especialmente a sua facção maoista.
Passados todos estes anos, quando se pensava termos uma democracia consolidada, estando derrotadas as ideologias que conduziram à II Grande Guerra Mundial (fascismo, nazismo e comunismo), eis que novos atentados e revoltas surgem em todo o Ocidente.
Como se não bastasse um terrorismo externo ao Ocidente, praticado nos EUA e em alguns paises europeus pelo pior inimigo da liberdade nos nossos dias, o fundamentalismo islâmico, surgem movimentos niilistas e destrutivos dentro das próprias sociedades democráticas.
Na pacífica e estável Noruega, Breivik, militante de extrema-direita, anti-nazi e anti-marxista, admirador de Israel, católico fundamentalista, colocou uma bomba no edifício governamental e assassinou largas dezenas de jovens militantes trabalhistas, conotados com o partido no poder naquele país.
Na Grécia, na França, há alguns anos, e presentemente, na Grã-Bretanha, movimentos de jovens desempregados e até crianças, desenraizados socialmente, muitos emigrantes ou filhos dos mesmos, destroem casas comerciais, habitações e automóveis, provocando o pânico. Atacam a propriedade a que não têm acesso. Porquê?
Embora Breivik não nos pareça um louco, mas um homem inteligente e com capacidade de organização, politicamente fanático, custa-nos crer ter actuado isolado. A extrema-direita em que milita tem crescido muito nas últimas décadas na Europa, especialmente devido ao avanço do federalismo que pretende dissolver as identidades nacionais. Recordamos que os fundadores da CEE sonhavam com uma Europa unida económica e politicamente, mas respeitadora daquelas identidades. Esse sonho resumia-se na vontade da criação de uma "Europa das Pátrias, do Atlântico aos Urais", como dizia De Gaulle.
Por outro lado, os abusos do capitalismo, especialmente do financeiro, conduziram à crise económica, financeira e social hoje vigente na Europa rica (será que ainda o é?)e nos EUA, provocaram desemprego, pobreza e miséria, não só entre os menos favorecidos, mas também nas classes médias. As revoltas a que temos assistido são a consequência desses factores. Como o comunismo tradicional está desacreditado, assistimos a movimentos espontâneos ou controlados por organizações esquerdistas, segundo a concepção leninista do termo, blanquistas e anarquistas.
É bom que os partidos, personalidades e forças crentes na liberdade e na democracia actuem em defesa do regresso a um capitalismo de rosto humano, dotado de justiça social, do qual também beneficiem os trabalhadores e todos os pobres, especialmente os desempregados e marginalizados, que conjuge o mérito necessário ao crescimento e desenvolvimento económicos com a justiça social e humana. Mas também devem convencer-se, no velho continente, que a UE ou respeita as especificidades de cada nação ou implodirá política e economicamente. Caso assim não procedam, assistiremos ao aumento do niilismo que, provavelmente, ninguém sabe onde nos conduzirá. É que a História não tem um sentido unidimensional...
quinta-feira, 14 de julho de 2011
O CAPITALISMO É UM SISTEMA AMORAL E INJUSTO
Quem proferiu a frase que dá título ao presente post? Marx? Lenine? Estaline? Mao? Ché Guevara? Herbert Marcuse? Não, foi o intelectual ex-comunista, convertido ao liberalismo, Mário Vargas Llosa. Fê-lo, há muitos anos, a propósito do escândalo com a ENRON. Mais dizia o actual prémio Nobel da literatura que o capitalismo, apesar daquela perversidade, foi, desde sempre, o melhor sistema económico para criar riqueza e emprego, bem como possibilitar uma vida digna aos trabalhadores, DESDE QUE REGULADO PELO REGIME DEMOCRÁTICO ASSENTE NA VONTADE POPULAR.
O capitalismo foi adoptado por forças reaccionárias e democráticas. Desde sempre houve um capitalismo selvagem e um capitalismo de rosto humano. Este último foi posto em prática nas democracias do mundo inteiro. O "casamento" da democracia com o capitalismo, como afirma o também liberal e militante do PSD, ex-ministro das Finanças, Braga de Macedo, garantiu a democracia, as liberdades fundamentais e o melhor nível de vida para os operários e demais trabalhadores.
A democracia e o também chamado (justamente) capitalismo inteligente levaram à queda do comunismo e do estatismo económico, há duas décadas. Os próprios partidos socialistas endossaram este sistema, o que constituiu um dos motivos para cada vez fazer menos sentido falar em direita e esquerda na política.
Tudo parecia ir no bom sentido. Há 20 anos, dizia-se: "queiram ou não fascistas e comunistas, estamos "condenados" à democracia". Francis Fukuyama falava mesmo no "fim da História, com a vitória das democracias liberais".
No entanto, o capitalismo selvagem, pensando que com o fim do comunismo poderia voltar a impôr-se, levanta novamente a cabeça, sendo vigorosamente denunciado, nos anos 90 do século passado, pelo saudoso Papa João Paulo II, o qual chegou a afirmar ter o comunismo, que sentiu na pele na Polónia, um papel positivo: obrigar o capitalismo a democratizar-se, respeitar os pobres, os trabalhadores, aqueles que nada mais têm para viver do que o seu salário.
O que vemos hoje MESMO NOS PAÍSES CAPITALISTAS MAIS DESENVOLVIDOS? O poder político cada vez mais entregue a tecnocratas e medíocres, submetidos ao poder económico, que na realidade manda. O seu voto, caro leitor, pouco ou nada conta perante as agências de rating e o alto capitalismo financeiro que domina o mundo e procura destruir os países em dificuldades como Portugal, Grécia ou Irlanda, agravando as condições de vida já precárias de importantes sectores da população e criando novos pobres entre quem já pertenceu à classe média.
Nos países mais ricos também já se verifica aquela situação. Na Alemanha, os salários dos trabalhadores estão congelados há 15 anos. Como a economia daquele país tem crescido de forma sustentada, quem usufruiu do desenvolvimento foi o patronato, agravando-se assim as desigualdades sociais e perdendo os trabalhadores poder de compra. O mesmo acontece, há muito, nos EUA. Uma das consequências paradoxais desta política é a destruição do próprio sistema financeiro e das forças produtivas. Este alto capitalismo sem escrúpulos caminha para a implosão. A História repete-se. No século XIX, ao qual estamos a regressar em termos sociais, o capitalismo dominante deturpou o liberalismo. Recordamos, a propósito, que o "pai" do liberalismo económico, Adam Smith, falava, em meados dos séc XVIII, na criação de uma rede social abaixo da qual ninguém poderia cair. Em nome do liberalismo, nos nossos dias, tem-se praticado uma selvajaria mafiosa, económica e social, que de liberal nada tem.
Em Portugal, temos o governo mais liberal de sempre. Caso seja capaz, além de salvar o país da bancarrota, de regular a necessária libertação da sociedade civil, travando a amoralidade de um certo capitalismo que só não vê quem não quer, faço votos que tenha sucesso e se mantenha até tudo mudar na edificação de um Portugal moderno e socialmente mais justo. Caso se deixe dominar por "lobbies" económicos nada honestos, os quais têm as suas antenas também no PSD e no CDS, desejo a sua implosão, à semelhança do que está a acontecer com um sistema económico sem ética.
A terminar e para reflectir, deixamos algumas frases de grandes revolucionários.
Karl Marx: "as contradições do capitalismo levá-lo-ão à sua destruição", "com o desenvolvimento do capitalismo, as classes médias desaparecerão, concentrando-se a riqueza nas mãos da grande burguesia", "proletários de todos os países, povos e nações oprimidas do mundo, uni-vos. Nada tendes a perder, a não ser as cadeias da opressão".
Lenine: "o capitalismo vender-nos-á a corda com que o havemos de enforcar", "para combater o inimigo principal, devemos aliar-nos ao inimigo secundário. Liquidado o inimigo principal, o inimigo secundário transformar-se-á automaticamente em inimigo principal. Assim, abateremos os nossos inimigos um a um, até à vitória final", "com a ajuda dos idiotas úteis dominaremos o mundo", "o dinheiro não tem ideologia".
Mao Tsé Tung: "uma só faísca pode incendiar toda a pradaria".
Engels: "a violência é a parteira da História".
O capitalismo foi adoptado por forças reaccionárias e democráticas. Desde sempre houve um capitalismo selvagem e um capitalismo de rosto humano. Este último foi posto em prática nas democracias do mundo inteiro. O "casamento" da democracia com o capitalismo, como afirma o também liberal e militante do PSD, ex-ministro das Finanças, Braga de Macedo, garantiu a democracia, as liberdades fundamentais e o melhor nível de vida para os operários e demais trabalhadores.
A democracia e o também chamado (justamente) capitalismo inteligente levaram à queda do comunismo e do estatismo económico, há duas décadas. Os próprios partidos socialistas endossaram este sistema, o que constituiu um dos motivos para cada vez fazer menos sentido falar em direita e esquerda na política.
Tudo parecia ir no bom sentido. Há 20 anos, dizia-se: "queiram ou não fascistas e comunistas, estamos "condenados" à democracia". Francis Fukuyama falava mesmo no "fim da História, com a vitória das democracias liberais".
No entanto, o capitalismo selvagem, pensando que com o fim do comunismo poderia voltar a impôr-se, levanta novamente a cabeça, sendo vigorosamente denunciado, nos anos 90 do século passado, pelo saudoso Papa João Paulo II, o qual chegou a afirmar ter o comunismo, que sentiu na pele na Polónia, um papel positivo: obrigar o capitalismo a democratizar-se, respeitar os pobres, os trabalhadores, aqueles que nada mais têm para viver do que o seu salário.
O que vemos hoje MESMO NOS PAÍSES CAPITALISTAS MAIS DESENVOLVIDOS? O poder político cada vez mais entregue a tecnocratas e medíocres, submetidos ao poder económico, que na realidade manda. O seu voto, caro leitor, pouco ou nada conta perante as agências de rating e o alto capitalismo financeiro que domina o mundo e procura destruir os países em dificuldades como Portugal, Grécia ou Irlanda, agravando as condições de vida já precárias de importantes sectores da população e criando novos pobres entre quem já pertenceu à classe média.
Nos países mais ricos também já se verifica aquela situação. Na Alemanha, os salários dos trabalhadores estão congelados há 15 anos. Como a economia daquele país tem crescido de forma sustentada, quem usufruiu do desenvolvimento foi o patronato, agravando-se assim as desigualdades sociais e perdendo os trabalhadores poder de compra. O mesmo acontece, há muito, nos EUA. Uma das consequências paradoxais desta política é a destruição do próprio sistema financeiro e das forças produtivas. Este alto capitalismo sem escrúpulos caminha para a implosão. A História repete-se. No século XIX, ao qual estamos a regressar em termos sociais, o capitalismo dominante deturpou o liberalismo. Recordamos, a propósito, que o "pai" do liberalismo económico, Adam Smith, falava, em meados dos séc XVIII, na criação de uma rede social abaixo da qual ninguém poderia cair. Em nome do liberalismo, nos nossos dias, tem-se praticado uma selvajaria mafiosa, económica e social, que de liberal nada tem.
Em Portugal, temos o governo mais liberal de sempre. Caso seja capaz, além de salvar o país da bancarrota, de regular a necessária libertação da sociedade civil, travando a amoralidade de um certo capitalismo que só não vê quem não quer, faço votos que tenha sucesso e se mantenha até tudo mudar na edificação de um Portugal moderno e socialmente mais justo. Caso se deixe dominar por "lobbies" económicos nada honestos, os quais têm as suas antenas também no PSD e no CDS, desejo a sua implosão, à semelhança do que está a acontecer com um sistema económico sem ética.
A terminar e para reflectir, deixamos algumas frases de grandes revolucionários.
Karl Marx: "as contradições do capitalismo levá-lo-ão à sua destruição", "com o desenvolvimento do capitalismo, as classes médias desaparecerão, concentrando-se a riqueza nas mãos da grande burguesia", "proletários de todos os países, povos e nações oprimidas do mundo, uni-vos. Nada tendes a perder, a não ser as cadeias da opressão".
Lenine: "o capitalismo vender-nos-á a corda com que o havemos de enforcar", "para combater o inimigo principal, devemos aliar-nos ao inimigo secundário. Liquidado o inimigo principal, o inimigo secundário transformar-se-á automaticamente em inimigo principal. Assim, abateremos os nossos inimigos um a um, até à vitória final", "com a ajuda dos idiotas úteis dominaremos o mundo", "o dinheiro não tem ideologia".
Mao Tsé Tung: "uma só faísca pode incendiar toda a pradaria".
Engels: "a violência é a parteira da História".
sexta-feira, 8 de julho de 2011
ALGUMAS QUESTÕES SOBRE DITOS E ACONTECIMENTOS RECENTES
O líder da UGT, João Proença, disse, recentemente, que o imposto extraordinário sobre o 13º mês agrava as desigualdades sociais.
Como assim, se os trabalhadores no activo e os reformados com ordenados e pensões iguais ou inferiores ao salário mínimo nacional ficam isentos daquele imposto?
Como assim, se quem recebe acima daquele montante descontará metade do que ao mesmo acresce? Qualquer aluno do ensino básico conclui que os mais pobres nada descontarão e entre os sujeitos a tal imposto, quem mais ganha mais paga. Onde está o agravamento, neste aspecto, das desigualdades sociais? Sugerimos ao sr. ministro da Educação que crie um curso especial de aritmética e matemática para certos sindicalistas. Dará, certamente, um grande contributo para uma melhor formação desses representantes dos trabalhadores, os quais poderão ser mais realistas e dizer menos asneiras, atraindo mais gente aos sindicatos. Por estas e por outras compreendemos o afastamento dos trabalhadores dos sindicatos, o que não ajuda nada a democracia.
Já agora, onde estava João Proença quando Sócrates cortou o abono de família aos mais ricos (o que apoiamos, pois dele não precisam), mas também às classes média e média baixa? Quando o mesmo Sócrates aumentou o preço dos medicamentos, incluindo para quem vive com pensões muito abaixo do salário mínimo nacional? Quando os socialistas estão no poder aceita injustiças como aquelas, fazendo lembrar um slogan lançado por Chiang Ching, mulher de Mao Tsé Tung, nos anos 60 do século passado, aquando da "Grande Revolução Cultural Proletária", o qual afirmava: "antes erva socialista que manteiga capitalista?" A erva a que se referia era mesmo a erva destinada aos animais irracionais e não a do pessoal da "passa".
*
A agência de rating Moody's, que deu altas notações ao Lehman Brothers e à Islândia nas vésperas das falências daquele banco e daquele país, resolveu, com a notação dada a Portugal, pôr o nosso país ao nível do lixo, como fez anteriormente com a Grécia. Numa altura em que o governo e o parlamento gregos aprovaram mais um pacote patriótico e altamente impopular para evitar a bancarrota, e o governo português adopta medidas igualmente patrióticas e difíceis, a fim de atingir o mesmo objectivo.
Curiosamente, aquela agência americana, numa atitude "mais papista que o Papa", atribuiu um triplo A à economia americana numa altura em que o próprio presidente Obama considera a situação económico-financeira dos EUA muito difícil e apela à oposição republicana para colaborar com o governo democrata, a fim de travar o endividamento.
Mais que um ataque ao euro, as atitudes de várias agências de rating mais não pretendem que calcar aos pés (é o termo apropriado) e humilhar os países mais pobres, fazendo lembrar o capitalismo selvagem de outros tempos, bem como um extracto da canção "Rosalinda", de Fausto, quando afirma "os que mandam no mundo/ só vivem querendo ganhar/mesmo matando aquele que morrendo/vive a trabalhar".
Como dizia, há talvez 10 anos, o prémio Nobel da literatura, Mário Vargas Llosa, liberal em matéria política, económica e de costumes (como o autor destas linhas), "o poder económico domina o poder político, o que poderá pôr em perigo a democracia". Mais dizia que o verdadeiro liberalismo implica a regulação do poder económico pelo poder político eleito democraticamente. Lamentavelmente, entre governantes dos países democráticos mais desenvolvidos, como os EUA, os constituintes da UE, o Japão, o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia, etc, não se vê quem se levante contra a desumanidade de certo capital, procurando regular os mercados, à semelhança do que têm defendido o actual e o anterior Papas.
Deixamos a pergunta: se estivéssemos no tempo da guerra fria, existisse a URSS e o muro de Berlim estivesse de pé, haveria estes abusos por parte de certos empresários e especialmente de certo capitalismo financeiro?
Como assim, se os trabalhadores no activo e os reformados com ordenados e pensões iguais ou inferiores ao salário mínimo nacional ficam isentos daquele imposto?
Como assim, se quem recebe acima daquele montante descontará metade do que ao mesmo acresce? Qualquer aluno do ensino básico conclui que os mais pobres nada descontarão e entre os sujeitos a tal imposto, quem mais ganha mais paga. Onde está o agravamento, neste aspecto, das desigualdades sociais? Sugerimos ao sr. ministro da Educação que crie um curso especial de aritmética e matemática para certos sindicalistas. Dará, certamente, um grande contributo para uma melhor formação desses representantes dos trabalhadores, os quais poderão ser mais realistas e dizer menos asneiras, atraindo mais gente aos sindicatos. Por estas e por outras compreendemos o afastamento dos trabalhadores dos sindicatos, o que não ajuda nada a democracia.
Já agora, onde estava João Proença quando Sócrates cortou o abono de família aos mais ricos (o que apoiamos, pois dele não precisam), mas também às classes média e média baixa? Quando o mesmo Sócrates aumentou o preço dos medicamentos, incluindo para quem vive com pensões muito abaixo do salário mínimo nacional? Quando os socialistas estão no poder aceita injustiças como aquelas, fazendo lembrar um slogan lançado por Chiang Ching, mulher de Mao Tsé Tung, nos anos 60 do século passado, aquando da "Grande Revolução Cultural Proletária", o qual afirmava: "antes erva socialista que manteiga capitalista?" A erva a que se referia era mesmo a erva destinada aos animais irracionais e não a do pessoal da "passa".
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A agência de rating Moody's, que deu altas notações ao Lehman Brothers e à Islândia nas vésperas das falências daquele banco e daquele país, resolveu, com a notação dada a Portugal, pôr o nosso país ao nível do lixo, como fez anteriormente com a Grécia. Numa altura em que o governo e o parlamento gregos aprovaram mais um pacote patriótico e altamente impopular para evitar a bancarrota, e o governo português adopta medidas igualmente patrióticas e difíceis, a fim de atingir o mesmo objectivo.
Curiosamente, aquela agência americana, numa atitude "mais papista que o Papa", atribuiu um triplo A à economia americana numa altura em que o próprio presidente Obama considera a situação económico-financeira dos EUA muito difícil e apela à oposição republicana para colaborar com o governo democrata, a fim de travar o endividamento.
Mais que um ataque ao euro, as atitudes de várias agências de rating mais não pretendem que calcar aos pés (é o termo apropriado) e humilhar os países mais pobres, fazendo lembrar o capitalismo selvagem de outros tempos, bem como um extracto da canção "Rosalinda", de Fausto, quando afirma "os que mandam no mundo/ só vivem querendo ganhar/mesmo matando aquele que morrendo/vive a trabalhar".
Como dizia, há talvez 10 anos, o prémio Nobel da literatura, Mário Vargas Llosa, liberal em matéria política, económica e de costumes (como o autor destas linhas), "o poder económico domina o poder político, o que poderá pôr em perigo a democracia". Mais dizia que o verdadeiro liberalismo implica a regulação do poder económico pelo poder político eleito democraticamente. Lamentavelmente, entre governantes dos países democráticos mais desenvolvidos, como os EUA, os constituintes da UE, o Japão, o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia, etc, não se vê quem se levante contra a desumanidade de certo capital, procurando regular os mercados, à semelhança do que têm defendido o actual e o anterior Papas.
Deixamos a pergunta: se estivéssemos no tempo da guerra fria, existisse a URSS e o muro de Berlim estivesse de pé, haveria estes abusos por parte de certos empresários e especialmente de certo capitalismo financeiro?
quarta-feira, 8 de junho de 2011
CONCLUSÕES DOS RESULTADOS DAS LEGISLATIVAS
Terminou um ciclo político de seis anos, durante o qual o secretário-geral do PS, José Sócrates, foi primeiro-ministro.
Eleito por maioria absoluta em 2005, quatro anos depois o PS viu exibido um cartão amarelo pelo eleitorado, tendo vencido as eleições então ocorridas por maioria simples.
Nas legislativas do passado domingo, os socialistas foram clara e inequivocamente derrotados, tendo obtido um resultado abaixo dos 30%, o que não acontecia há mais de vinte anos. José Sócrates demitiu-se da liderança do partido, afirmando não permanecer sequer como deputado na próxima legislatura. Deixa uma situação económica, social e financeira muita má: país à beira da bancarrota, de mão estendida à “troika”, quase um milhão de desempregados, aumento da pobreza e da miséria, com destaque para os novos pobres que fizeram parte da classe média.
Se a crise internacional contribuiu para Portugal chegar a este estado, a culpa principal cabe aos ainda detentores do poder, pois entre 2005 e 2008, ano em que a crise despoletou, a nossa economia cresceu claramente abaixo da média comunitária. Após aquele último ano, apenas Portugal, Grécia e Irlanda tiveram que recorrer à ajuda externa, a fim de evitar a bancarrota. Nenhum dos outros 24 países pertencentes à UE se encontra em tal situação.
Por outro lado, a governação de Sócrates caracterizou-se pela crispação, a arrogância, a perseguição a adversários, tentativas de controle da imprensa, o benefício de certas empresas, distorcendo a concorrência, vendo o primeiro-ministro, ainda que nunca fosse constituído arguido nem ouvido como testemunha, o seu nome envolvido em processos judiciais relacionados com investigação de corrupção. Alturas houve em que Portugal mais parecia uma república de bananas. A maioria dos portugueses, ao remover José Sócrates da chefia do governo, praticou um acto de sanidade política mais que necessário.
Os partidos parlamentares oponentes ao acordo com a “troika” (PCP/CDU e BE) obtiveram, no seu conjunto, 13% de votos, o que prova estarem os portugueses fartos de promessas utópicas e preparados para arregaçar as mangas e enfrentar os sacrifícios decorrentes da herança socrática.
O Bloco de Esquerda perdeu metade do eleitorado. A partir de agora, ou assume uma posição de extrema-esquerda, de onde é oriundo, ou imita os “Verdes” alemães. Caso opte pela primeira atitude, transformar-se-á numa organização utópica e contestatária, desaparecendo do parlamento dentro de alguns anos. Se seguir a segunda via, poderá, no futuro, fazer parte de uma alternativa de “esquerda”, à semelhança do partido de Joshka Fisher e Daniel Cohn Bendit.
Pedro Passos Coelho e o PSD foram claramente vencedores. Também o CDS e Paulo Portas se podem considerar vitoriosos, pois além de terem aumentado o seu “score” eleitoral, participarão no próximo governo.
Sempre discordei, neste blogue e em outras sedes, de uma aliança do PSD com o partido de Portas. No entanto, na situação em que nos encontramos, não tendo o PSD obtido maioria absoluta, tal aliança é necessária para cumprir o memorando da “troika” e efectuar as reformas estruturais necessárias – inicialmente muito difíceis – com vista a combater a crise e a construir um Portugal moderno, desenvolvido e com coesão social.
O governo que brevemente tomará posse deverá enfrentar democraticamente a esperada contestação social. Está mandatado por 51,5% dos votantes, os quais estão conscientes das dificuldades, não suportam a demagogia e não têm medo do “papão liberal” de uma “esquerda” que deverá aprender mais com a esquerda liberal representada por Blair e teorizada por Tony Giddens.
Os partidos extra-parlamentares (12) somaram apenas cerca de 4,5% de votos. Entre eles destacaram-se o PCTP/MRPP (63 000 votos – 1,1%) e o PAN (58 000 votos – 1%). O primeiro recolheu muitos votos anti-sistema, o segundo, que concorreu pela primeira vez a um acto eleitoral, conquistou o apoio de alguns ecologistas, amigos dos animais, militantes anti-touradas e vegetarianos desiludidos com os partidos parlamentares.
O MRPP deixou de ser um partido de pessoas na casa dos 50, 60 ou 70 anos, que permaneceram fieis aos seus ideais de juventude, antes e nos anos seguintes ao 25 de Abril, tendo nas suas fileiras – e na candidatura à A.R. – vários jovens estudantes (como nos velhos tempos), desempregados e à procura do primeiro emprego. Sinais dos tempos.
Eleito por maioria absoluta em 2005, quatro anos depois o PS viu exibido um cartão amarelo pelo eleitorado, tendo vencido as eleições então ocorridas por maioria simples.
Nas legislativas do passado domingo, os socialistas foram clara e inequivocamente derrotados, tendo obtido um resultado abaixo dos 30%, o que não acontecia há mais de vinte anos. José Sócrates demitiu-se da liderança do partido, afirmando não permanecer sequer como deputado na próxima legislatura. Deixa uma situação económica, social e financeira muita má: país à beira da bancarrota, de mão estendida à “troika”, quase um milhão de desempregados, aumento da pobreza e da miséria, com destaque para os novos pobres que fizeram parte da classe média.
Se a crise internacional contribuiu para Portugal chegar a este estado, a culpa principal cabe aos ainda detentores do poder, pois entre 2005 e 2008, ano em que a crise despoletou, a nossa economia cresceu claramente abaixo da média comunitária. Após aquele último ano, apenas Portugal, Grécia e Irlanda tiveram que recorrer à ajuda externa, a fim de evitar a bancarrota. Nenhum dos outros 24 países pertencentes à UE se encontra em tal situação.
Por outro lado, a governação de Sócrates caracterizou-se pela crispação, a arrogância, a perseguição a adversários, tentativas de controle da imprensa, o benefício de certas empresas, distorcendo a concorrência, vendo o primeiro-ministro, ainda que nunca fosse constituído arguido nem ouvido como testemunha, o seu nome envolvido em processos judiciais relacionados com investigação de corrupção. Alturas houve em que Portugal mais parecia uma república de bananas. A maioria dos portugueses, ao remover José Sócrates da chefia do governo, praticou um acto de sanidade política mais que necessário.
Os partidos parlamentares oponentes ao acordo com a “troika” (PCP/CDU e BE) obtiveram, no seu conjunto, 13% de votos, o que prova estarem os portugueses fartos de promessas utópicas e preparados para arregaçar as mangas e enfrentar os sacrifícios decorrentes da herança socrática.
O Bloco de Esquerda perdeu metade do eleitorado. A partir de agora, ou assume uma posição de extrema-esquerda, de onde é oriundo, ou imita os “Verdes” alemães. Caso opte pela primeira atitude, transformar-se-á numa organização utópica e contestatária, desaparecendo do parlamento dentro de alguns anos. Se seguir a segunda via, poderá, no futuro, fazer parte de uma alternativa de “esquerda”, à semelhança do partido de Joshka Fisher e Daniel Cohn Bendit.
Pedro Passos Coelho e o PSD foram claramente vencedores. Também o CDS e Paulo Portas se podem considerar vitoriosos, pois além de terem aumentado o seu “score” eleitoral, participarão no próximo governo.
Sempre discordei, neste blogue e em outras sedes, de uma aliança do PSD com o partido de Portas. No entanto, na situação em que nos encontramos, não tendo o PSD obtido maioria absoluta, tal aliança é necessária para cumprir o memorando da “troika” e efectuar as reformas estruturais necessárias – inicialmente muito difíceis – com vista a combater a crise e a construir um Portugal moderno, desenvolvido e com coesão social.
O governo que brevemente tomará posse deverá enfrentar democraticamente a esperada contestação social. Está mandatado por 51,5% dos votantes, os quais estão conscientes das dificuldades, não suportam a demagogia e não têm medo do “papão liberal” de uma “esquerda” que deverá aprender mais com a esquerda liberal representada por Blair e teorizada por Tony Giddens.
Os partidos extra-parlamentares (12) somaram apenas cerca de 4,5% de votos. Entre eles destacaram-se o PCTP/MRPP (63 000 votos – 1,1%) e o PAN (58 000 votos – 1%). O primeiro recolheu muitos votos anti-sistema, o segundo, que concorreu pela primeira vez a um acto eleitoral, conquistou o apoio de alguns ecologistas, amigos dos animais, militantes anti-touradas e vegetarianos desiludidos com os partidos parlamentares.
O MRPP deixou de ser um partido de pessoas na casa dos 50, 60 ou 70 anos, que permaneceram fieis aos seus ideais de juventude, antes e nos anos seguintes ao 25 de Abril, tendo nas suas fileiras – e na candidatura à A.R. – vários jovens estudantes (como nos velhos tempos), desempregados e à procura do primeiro emprego. Sinais dos tempos.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
PRESIDENTE DA CIP DEFENDE O REGRESSO AO SÉC. XIX
Recentemente, um senhor que foi sindicalista na Lisnave, se afirma simpatizante do centro-esquerda e preside à Confederação dos Industriais Portugueses (CIP), afirmou deverem ser admitidos os despedimentos sem justa causa. Na prática, defende o despedimento livre. Provavelmente, estará já a pensar acabar com direitos fundamentais como os de reunião, actividade sindical e de greve, pôr os trabalhadores a laborar as horas necessárias, não para “a defesa e salvaguarda da revolução”, como dizia Arnaldo Matos em 1975, mas talvez para uma nova “batalha da produção”, expressão criada por Vasco Gonçalves, só que, agora, de direita e ao serviço do capitalismo sem alma ou escrúpulos.
Os partidos chamados de esquerda reagiram contra aquela afirmação de António Saraiva. O PSD e o CDS não se pronunciaram. Recordamos, no entanto, que Paulo Portas, quando era director do defunto “Independente”, também escreveu no mesmo que os despedimentos não deviam estar regulados por lei, pois isso era um problema dos empresários. Está, pois, justificado o silêncio do CDS e do seu líder, o qual, só por demagogia, fala dos reformados e da lavoura.
O PSD deve defender uma posição inequívoca contra esta vontade de regresso ao capitalismo selvagem do séc. XIX. É certo que o mercado de trabalho deve ser flexibilizado e caracterizado por maior mobilidade, mas dentro do espírito da flexisegurança, da conciliação entre capital e trabalho, e não do abuso do patronato. Há que ter em conta que muitos empresários não interiorizaram o espírito da modernidade e de um capitalismo inteligente, com rosto humano. Continuam a ser patrões à moda antiga.
Se o PSD assumir tal posição, tem uma boa oportunidade, após a proposta de uma aliança governamental pós-eleitoral com o CDS, para desmentir analistas que afirmam “ser este PSD uma nova direita, muito diferente do partido fundado por Sá Carneiro”. Mais poderá demonstrar que o liberalismo, além de compatível, é integrante da social democracia portuguesa, tal como foi concebida pelo primeiro líder do então Partido Popular Democrático (PPD), há 37 anos. Caso contrário, poderá “ajudar” a que Portugal continue governado por quem mente descaradamente, conduziu o país à bancarrota e provocou um desemprego de quase um milhão de trabalhadores. A taxa real de desemprego é de 15,5% da população activa. É o INE que o afirma. Mais: certamente uma alteração como a que António Saraiva propõe provocará lutas nos locais de trabalho e na rua, dirigidas pelos herdeiros de Marx, cujas teorias tiveram (e ainda não deixaram totalmente de ter) grande sucesso e apoio, devido ao capitalismo desumano do séc XIX. Onde o autor de “O Capital” estiver dirá, então: “a História está a dar-me razão quando afirmava que a mesma se repetia, não como farsa, mas como tragédia”.
PS 1: o presidente da CIP diz o que acima vai afirmado, porque, infelizmente, nas actuais democracias, como disse, há alguns anos, o liberal, actual prémio Nobel da literatura, Mário Vargas Llosa, “o poder económico domina o poder político, o que constitui uma perversão do liberalismo”. O governo saído das eleições do próximo domingo deverá garantir liberdade e emancipação da sociedade civil, logo do poder económico, mas regulado e dirigido pelo Estado de Direito.
PS 2: Comparar José Sócrates com Salazar ou Hitler é absurdo, do ponto de vista ideológico. Mas, observando a personalidade do ainda primeiro-ministro, parece ter lido e assimilado as teorias do ministro nazi da propaganda, Prof. Doutor Goebels, especialmente a que diz tornar-se verdade uma mentira sucessivamente repetida. Tal como o Doutor Salazar, também para Sócrates quem contestar a sua política não é patriota. Até parece que a pátria começa e acaba nele. Vaidades patológicas…
Os partidos chamados de esquerda reagiram contra aquela afirmação de António Saraiva. O PSD e o CDS não se pronunciaram. Recordamos, no entanto, que Paulo Portas, quando era director do defunto “Independente”, também escreveu no mesmo que os despedimentos não deviam estar regulados por lei, pois isso era um problema dos empresários. Está, pois, justificado o silêncio do CDS e do seu líder, o qual, só por demagogia, fala dos reformados e da lavoura.
O PSD deve defender uma posição inequívoca contra esta vontade de regresso ao capitalismo selvagem do séc. XIX. É certo que o mercado de trabalho deve ser flexibilizado e caracterizado por maior mobilidade, mas dentro do espírito da flexisegurança, da conciliação entre capital e trabalho, e não do abuso do patronato. Há que ter em conta que muitos empresários não interiorizaram o espírito da modernidade e de um capitalismo inteligente, com rosto humano. Continuam a ser patrões à moda antiga.
Se o PSD assumir tal posição, tem uma boa oportunidade, após a proposta de uma aliança governamental pós-eleitoral com o CDS, para desmentir analistas que afirmam “ser este PSD uma nova direita, muito diferente do partido fundado por Sá Carneiro”. Mais poderá demonstrar que o liberalismo, além de compatível, é integrante da social democracia portuguesa, tal como foi concebida pelo primeiro líder do então Partido Popular Democrático (PPD), há 37 anos. Caso contrário, poderá “ajudar” a que Portugal continue governado por quem mente descaradamente, conduziu o país à bancarrota e provocou um desemprego de quase um milhão de trabalhadores. A taxa real de desemprego é de 15,5% da população activa. É o INE que o afirma. Mais: certamente uma alteração como a que António Saraiva propõe provocará lutas nos locais de trabalho e na rua, dirigidas pelos herdeiros de Marx, cujas teorias tiveram (e ainda não deixaram totalmente de ter) grande sucesso e apoio, devido ao capitalismo desumano do séc XIX. Onde o autor de “O Capital” estiver dirá, então: “a História está a dar-me razão quando afirmava que a mesma se repetia, não como farsa, mas como tragédia”.
PS 1: o presidente da CIP diz o que acima vai afirmado, porque, infelizmente, nas actuais democracias, como disse, há alguns anos, o liberal, actual prémio Nobel da literatura, Mário Vargas Llosa, “o poder económico domina o poder político, o que constitui uma perversão do liberalismo”. O governo saído das eleições do próximo domingo deverá garantir liberdade e emancipação da sociedade civil, logo do poder económico, mas regulado e dirigido pelo Estado de Direito.
PS 2: Comparar José Sócrates com Salazar ou Hitler é absurdo, do ponto de vista ideológico. Mas, observando a personalidade do ainda primeiro-ministro, parece ter lido e assimilado as teorias do ministro nazi da propaganda, Prof. Doutor Goebels, especialmente a que diz tornar-se verdade uma mentira sucessivamente repetida. Tal como o Doutor Salazar, também para Sócrates quem contestar a sua política não é patriota. Até parece que a pátria começa e acaba nele. Vaidades patológicas…
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