Terminou um ciclo político de seis anos, durante o qual o secretário-geral do PS, José Sócrates, foi primeiro-ministro.
Eleito por maioria absoluta em 2005, quatro anos depois o PS viu exibido um cartão amarelo pelo eleitorado, tendo vencido as eleições então ocorridas por maioria simples.
Nas legislativas do passado domingo, os socialistas foram clara e inequivocamente derrotados, tendo obtido um resultado abaixo dos 30%, o que não acontecia há mais de vinte anos. José Sócrates demitiu-se da liderança do partido, afirmando não permanecer sequer como deputado na próxima legislatura. Deixa uma situação económica, social e financeira muita má: país à beira da bancarrota, de mão estendida à “troika”, quase um milhão de desempregados, aumento da pobreza e da miséria, com destaque para os novos pobres que fizeram parte da classe média.
Se a crise internacional contribuiu para Portugal chegar a este estado, a culpa principal cabe aos ainda detentores do poder, pois entre 2005 e 2008, ano em que a crise despoletou, a nossa economia cresceu claramente abaixo da média comunitária. Após aquele último ano, apenas Portugal, Grécia e Irlanda tiveram que recorrer à ajuda externa, a fim de evitar a bancarrota. Nenhum dos outros 24 países pertencentes à UE se encontra em tal situação.
Por outro lado, a governação de Sócrates caracterizou-se pela crispação, a arrogância, a perseguição a adversários, tentativas de controle da imprensa, o benefício de certas empresas, distorcendo a concorrência, vendo o primeiro-ministro, ainda que nunca fosse constituído arguido nem ouvido como testemunha, o seu nome envolvido em processos judiciais relacionados com investigação de corrupção. Alturas houve em que Portugal mais parecia uma república de bananas. A maioria dos portugueses, ao remover José Sócrates da chefia do governo, praticou um acto de sanidade política mais que necessário.
Os partidos parlamentares oponentes ao acordo com a “troika” (PCP/CDU e BE) obtiveram, no seu conjunto, 13% de votos, o que prova estarem os portugueses fartos de promessas utópicas e preparados para arregaçar as mangas e enfrentar os sacrifícios decorrentes da herança socrática.
O Bloco de Esquerda perdeu metade do eleitorado. A partir de agora, ou assume uma posição de extrema-esquerda, de onde é oriundo, ou imita os “Verdes” alemães. Caso opte pela primeira atitude, transformar-se-á numa organização utópica e contestatária, desaparecendo do parlamento dentro de alguns anos. Se seguir a segunda via, poderá, no futuro, fazer parte de uma alternativa de “esquerda”, à semelhança do partido de Joshka Fisher e Daniel Cohn Bendit.
Pedro Passos Coelho e o PSD foram claramente vencedores. Também o CDS e Paulo Portas se podem considerar vitoriosos, pois além de terem aumentado o seu “score” eleitoral, participarão no próximo governo.
Sempre discordei, neste blogue e em outras sedes, de uma aliança do PSD com o partido de Portas. No entanto, na situação em que nos encontramos, não tendo o PSD obtido maioria absoluta, tal aliança é necessária para cumprir o memorando da “troika” e efectuar as reformas estruturais necessárias – inicialmente muito difíceis – com vista a combater a crise e a construir um Portugal moderno, desenvolvido e com coesão social.
O governo que brevemente tomará posse deverá enfrentar democraticamente a esperada contestação social. Está mandatado por 51,5% dos votantes, os quais estão conscientes das dificuldades, não suportam a demagogia e não têm medo do “papão liberal” de uma “esquerda” que deverá aprender mais com a esquerda liberal representada por Blair e teorizada por Tony Giddens.
Os partidos extra-parlamentares (12) somaram apenas cerca de 4,5% de votos. Entre eles destacaram-se o PCTP/MRPP (63 000 votos – 1,1%) e o PAN (58 000 votos – 1%). O primeiro recolheu muitos votos anti-sistema, o segundo, que concorreu pela primeira vez a um acto eleitoral, conquistou o apoio de alguns ecologistas, amigos dos animais, militantes anti-touradas e vegetarianos desiludidos com os partidos parlamentares.
O MRPP deixou de ser um partido de pessoas na casa dos 50, 60 ou 70 anos, que permaneceram fieis aos seus ideais de juventude, antes e nos anos seguintes ao 25 de Abril, tendo nas suas fileiras – e na candidatura à A.R. – vários jovens estudantes (como nos velhos tempos), desempregados e à procura do primeiro emprego. Sinais dos tempos.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
quarta-feira, 1 de junho de 2011
PRESIDENTE DA CIP DEFENDE O REGRESSO AO SÉC. XIX
Recentemente, um senhor que foi sindicalista na Lisnave, se afirma simpatizante do centro-esquerda e preside à Confederação dos Industriais Portugueses (CIP), afirmou deverem ser admitidos os despedimentos sem justa causa. Na prática, defende o despedimento livre. Provavelmente, estará já a pensar acabar com direitos fundamentais como os de reunião, actividade sindical e de greve, pôr os trabalhadores a laborar as horas necessárias, não para “a defesa e salvaguarda da revolução”, como dizia Arnaldo Matos em 1975, mas talvez para uma nova “batalha da produção”, expressão criada por Vasco Gonçalves, só que, agora, de direita e ao serviço do capitalismo sem alma ou escrúpulos.
Os partidos chamados de esquerda reagiram contra aquela afirmação de António Saraiva. O PSD e o CDS não se pronunciaram. Recordamos, no entanto, que Paulo Portas, quando era director do defunto “Independente”, também escreveu no mesmo que os despedimentos não deviam estar regulados por lei, pois isso era um problema dos empresários. Está, pois, justificado o silêncio do CDS e do seu líder, o qual, só por demagogia, fala dos reformados e da lavoura.
O PSD deve defender uma posição inequívoca contra esta vontade de regresso ao capitalismo selvagem do séc. XIX. É certo que o mercado de trabalho deve ser flexibilizado e caracterizado por maior mobilidade, mas dentro do espírito da flexisegurança, da conciliação entre capital e trabalho, e não do abuso do patronato. Há que ter em conta que muitos empresários não interiorizaram o espírito da modernidade e de um capitalismo inteligente, com rosto humano. Continuam a ser patrões à moda antiga.
Se o PSD assumir tal posição, tem uma boa oportunidade, após a proposta de uma aliança governamental pós-eleitoral com o CDS, para desmentir analistas que afirmam “ser este PSD uma nova direita, muito diferente do partido fundado por Sá Carneiro”. Mais poderá demonstrar que o liberalismo, além de compatível, é integrante da social democracia portuguesa, tal como foi concebida pelo primeiro líder do então Partido Popular Democrático (PPD), há 37 anos. Caso contrário, poderá “ajudar” a que Portugal continue governado por quem mente descaradamente, conduziu o país à bancarrota e provocou um desemprego de quase um milhão de trabalhadores. A taxa real de desemprego é de 15,5% da população activa. É o INE que o afirma. Mais: certamente uma alteração como a que António Saraiva propõe provocará lutas nos locais de trabalho e na rua, dirigidas pelos herdeiros de Marx, cujas teorias tiveram (e ainda não deixaram totalmente de ter) grande sucesso e apoio, devido ao capitalismo desumano do séc XIX. Onde o autor de “O Capital” estiver dirá, então: “a História está a dar-me razão quando afirmava que a mesma se repetia, não como farsa, mas como tragédia”.
PS 1: o presidente da CIP diz o que acima vai afirmado, porque, infelizmente, nas actuais democracias, como disse, há alguns anos, o liberal, actual prémio Nobel da literatura, Mário Vargas Llosa, “o poder económico domina o poder político, o que constitui uma perversão do liberalismo”. O governo saído das eleições do próximo domingo deverá garantir liberdade e emancipação da sociedade civil, logo do poder económico, mas regulado e dirigido pelo Estado de Direito.
PS 2: Comparar José Sócrates com Salazar ou Hitler é absurdo, do ponto de vista ideológico. Mas, observando a personalidade do ainda primeiro-ministro, parece ter lido e assimilado as teorias do ministro nazi da propaganda, Prof. Doutor Goebels, especialmente a que diz tornar-se verdade uma mentira sucessivamente repetida. Tal como o Doutor Salazar, também para Sócrates quem contestar a sua política não é patriota. Até parece que a pátria começa e acaba nele. Vaidades patológicas…
Os partidos chamados de esquerda reagiram contra aquela afirmação de António Saraiva. O PSD e o CDS não se pronunciaram. Recordamos, no entanto, que Paulo Portas, quando era director do defunto “Independente”, também escreveu no mesmo que os despedimentos não deviam estar regulados por lei, pois isso era um problema dos empresários. Está, pois, justificado o silêncio do CDS e do seu líder, o qual, só por demagogia, fala dos reformados e da lavoura.
O PSD deve defender uma posição inequívoca contra esta vontade de regresso ao capitalismo selvagem do séc. XIX. É certo que o mercado de trabalho deve ser flexibilizado e caracterizado por maior mobilidade, mas dentro do espírito da flexisegurança, da conciliação entre capital e trabalho, e não do abuso do patronato. Há que ter em conta que muitos empresários não interiorizaram o espírito da modernidade e de um capitalismo inteligente, com rosto humano. Continuam a ser patrões à moda antiga.
Se o PSD assumir tal posição, tem uma boa oportunidade, após a proposta de uma aliança governamental pós-eleitoral com o CDS, para desmentir analistas que afirmam “ser este PSD uma nova direita, muito diferente do partido fundado por Sá Carneiro”. Mais poderá demonstrar que o liberalismo, além de compatível, é integrante da social democracia portuguesa, tal como foi concebida pelo primeiro líder do então Partido Popular Democrático (PPD), há 37 anos. Caso contrário, poderá “ajudar” a que Portugal continue governado por quem mente descaradamente, conduziu o país à bancarrota e provocou um desemprego de quase um milhão de trabalhadores. A taxa real de desemprego é de 15,5% da população activa. É o INE que o afirma. Mais: certamente uma alteração como a que António Saraiva propõe provocará lutas nos locais de trabalho e na rua, dirigidas pelos herdeiros de Marx, cujas teorias tiveram (e ainda não deixaram totalmente de ter) grande sucesso e apoio, devido ao capitalismo desumano do séc XIX. Onde o autor de “O Capital” estiver dirá, então: “a História está a dar-me razão quando afirmava que a mesma se repetia, não como farsa, mas como tragédia”.
PS 1: o presidente da CIP diz o que acima vai afirmado, porque, infelizmente, nas actuais democracias, como disse, há alguns anos, o liberal, actual prémio Nobel da literatura, Mário Vargas Llosa, “o poder económico domina o poder político, o que constitui uma perversão do liberalismo”. O governo saído das eleições do próximo domingo deverá garantir liberdade e emancipação da sociedade civil, logo do poder económico, mas regulado e dirigido pelo Estado de Direito.
PS 2: Comparar José Sócrates com Salazar ou Hitler é absurdo, do ponto de vista ideológico. Mas, observando a personalidade do ainda primeiro-ministro, parece ter lido e assimilado as teorias do ministro nazi da propaganda, Prof. Doutor Goebels, especialmente a que diz tornar-se verdade uma mentira sucessivamente repetida. Tal como o Doutor Salazar, também para Sócrates quem contestar a sua política não é patriota. Até parece que a pátria começa e acaba nele. Vaidades patológicas…
quarta-feira, 18 de maio de 2011
SOBRE A MORTE DE BIN LADEN
Em qualquer Estado de direito democrático, se for provada a prática de um crime através de métodos ilegais como a tortura, aquela prova é nula. Sem qualquer outra prova obtida legalmente, o autor do crime não poderá ser condenado.
A morte de Bin Laden é saudável. Tratava-se de um terrorista fanático e psicopata, que não tinha qualquer respeito pela vida humana. Os vários atentados praticados pela Al Qaeda, da qual era dirigente máximo, de que se destacam os de 11 de Setembro de 2001, nos EUA, mataram vários milhares de pessoas.
Bin Laden era, nos nossos dias, o pior inimigo da liberdade. Queria impor uma teocracia demencial, idêntica à que vigorou no Afeganistão no tempo dos talibans, no mundo inteiro, considerando todas as pessoas que pensavam de maneira diferente da sua como infiéis, fossem cristãos, praticantes do judaísmo ou de qualquer outra religião, ateus, agnósticos, e mesmo islâmicos moderados.
O terrorismo e o fundamentalismo islâmicos não acabaram, mas sofreram uma forte machadada com a morte de Bin Laden. No entanto, tem-se afirmado ter sido encontrado o seu esconderijo através de torturas infligidas a detidos no campo de Guantanamo. Tal informação não foi oficialmente desmentida. A ser verdadeira, é inadmissível tal comportamento por parte de um país com uma democracia de séculos. Os fins, por melhores que sejam (e este era-o) não justificam os meios. Tais métodos são próprios de ditaduras militares, fascistas, a nazi, ou as comunistas.
Por outro lado, a luta contra a ameaça terrorista está a pôr em causa, nos países democráticos ocidentais, liberdades fundamentais. O cartão de cidadão, as filmagens públicas, ou o controle de passageiros nas portagens, são formas de ingerência na vida das pessoas, fazendo lembrar o “Big Brother “ descrito por George Orwell no livro intitulado “1984”. Em nome da nossa liberdade e da nossa segurança, lindos valores, estamos a ser vigiados e controlados. Por outras palavras, em vez de termos a liberdade e a segurança garantidas, temo-las cada vez mais coarctadas, bem como o nosso espaço individual, onde ninguém pode entrar, como já diziam os liberais clássicos, invadido. Daria para rir a afirmação segundo a qual “vivemos sob o pensamento único neo-liberal”, se estes factos, além de a desmentirem, não pusessem em causa a própria democracia.
A morte de Bin Laden é saudável. Tratava-se de um terrorista fanático e psicopata, que não tinha qualquer respeito pela vida humana. Os vários atentados praticados pela Al Qaeda, da qual era dirigente máximo, de que se destacam os de 11 de Setembro de 2001, nos EUA, mataram vários milhares de pessoas.
Bin Laden era, nos nossos dias, o pior inimigo da liberdade. Queria impor uma teocracia demencial, idêntica à que vigorou no Afeganistão no tempo dos talibans, no mundo inteiro, considerando todas as pessoas que pensavam de maneira diferente da sua como infiéis, fossem cristãos, praticantes do judaísmo ou de qualquer outra religião, ateus, agnósticos, e mesmo islâmicos moderados.
O terrorismo e o fundamentalismo islâmicos não acabaram, mas sofreram uma forte machadada com a morte de Bin Laden. No entanto, tem-se afirmado ter sido encontrado o seu esconderijo através de torturas infligidas a detidos no campo de Guantanamo. Tal informação não foi oficialmente desmentida. A ser verdadeira, é inadmissível tal comportamento por parte de um país com uma democracia de séculos. Os fins, por melhores que sejam (e este era-o) não justificam os meios. Tais métodos são próprios de ditaduras militares, fascistas, a nazi, ou as comunistas.
Por outro lado, a luta contra a ameaça terrorista está a pôr em causa, nos países democráticos ocidentais, liberdades fundamentais. O cartão de cidadão, as filmagens públicas, ou o controle de passageiros nas portagens, são formas de ingerência na vida das pessoas, fazendo lembrar o “Big Brother “ descrito por George Orwell no livro intitulado “1984”. Em nome da nossa liberdade e da nossa segurança, lindos valores, estamos a ser vigiados e controlados. Por outras palavras, em vez de termos a liberdade e a segurança garantidas, temo-las cada vez mais coarctadas, bem como o nosso espaço individual, onde ninguém pode entrar, como já diziam os liberais clássicos, invadido. Daria para rir a afirmação segundo a qual “vivemos sob o pensamento único neo-liberal”, se estes factos, além de a desmentirem, não pusessem em causa a própria democracia.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
A BANCARROTA DA POLÍTICA DE SÓCRATES
A política económica e financeira dos governos de José Sócrates conduziu Portugal ao descalabro. Em consequência, o FMI, a CE e o BCE tiveram que vir em nosso auxílio para não cairmos na bancarrota.
Segundo os membros da troika que negociou o empréstimo ao nosso país, o PEC IV não era suficiente para não recorrer à ajuda externa, contrariamente ao afirmado por Sócrates, o qual, mais uma vez, é apanhado a mentir e a enganar os portugueses.
Sócrates também havia dito que não governaria com o FMI. Vai acabar por fazê-lo (esperamos que por muito pouco tempo).
Mas onde José Sócrates atingiu a bancarrota ideológica, não havendo “ajuda” que lhe valha, foi no modelo político-económico que defendia com unhas e dentes. Um olhar atento sobre as medidas acordadas pelos partidos do chamado arco governamental com a troika comprova-o.
Sócrates sempre foi favorável às “golden-shares”. Vão acabar dentro de dois meses, pondo fim ao privilégio de tais empresas relativamente às restantes, no tocante à concorrência. Dizia que o Estado é o centro da actividade económica. A troika manda privatizar e reduzir ao mínimo indispensável a intervenção do Estado. Tal como o PSD, também a troika entende dever baixar-se a taxa social única para as empresas com vista a estimular o investimento, o crescimento económico e o emprego, e aumentar o IVA para travar o consumo de um país que se encontra a viver acima das suas possibilidades. Na saúde, as taxas moderadoras aumentarão, salvaguardando os direitos dos mais desfavorecidos, como propõem os liberais que o primeiro-ministro tanto abomina.
Perante este atestado de menoridade e incompetência passado pelo FMI, a CE e o BCE, os portugueses ainda estarão dispostos a reeleger quem os conduziu ao abismo? Como se dizia no pós-25 de Abril, “o voto é uma arma do povo”. Espera-se que, num acto de lucidez, o povo não erre no alvo.
Segundo os membros da troika que negociou o empréstimo ao nosso país, o PEC IV não era suficiente para não recorrer à ajuda externa, contrariamente ao afirmado por Sócrates, o qual, mais uma vez, é apanhado a mentir e a enganar os portugueses.
Sócrates também havia dito que não governaria com o FMI. Vai acabar por fazê-lo (esperamos que por muito pouco tempo).
Mas onde José Sócrates atingiu a bancarrota ideológica, não havendo “ajuda” que lhe valha, foi no modelo político-económico que defendia com unhas e dentes. Um olhar atento sobre as medidas acordadas pelos partidos do chamado arco governamental com a troika comprova-o.
Sócrates sempre foi favorável às “golden-shares”. Vão acabar dentro de dois meses, pondo fim ao privilégio de tais empresas relativamente às restantes, no tocante à concorrência. Dizia que o Estado é o centro da actividade económica. A troika manda privatizar e reduzir ao mínimo indispensável a intervenção do Estado. Tal como o PSD, também a troika entende dever baixar-se a taxa social única para as empresas com vista a estimular o investimento, o crescimento económico e o emprego, e aumentar o IVA para travar o consumo de um país que se encontra a viver acima das suas possibilidades. Na saúde, as taxas moderadoras aumentarão, salvaguardando os direitos dos mais desfavorecidos, como propõem os liberais que o primeiro-ministro tanto abomina.
Perante este atestado de menoridade e incompetência passado pelo FMI, a CE e o BCE, os portugueses ainda estarão dispostos a reeleger quem os conduziu ao abismo? Como se dizia no pós-25 de Abril, “o voto é uma arma do povo”. Espera-se que, num acto de lucidez, o povo não erre no alvo.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
O SENDERO LUMINOSO DE FERNANDO NOBRE
Uma das frases mais conhecidas de Mao Tsé Tung é a seguinte: "o futuro é luminoso, mas o caminho é sinuoso".
Aquando do chamado cisma no movimento comunista internacional, em finais dos anos 50 e primeiros anos da década de 60 do século passado, entre os comunistas soviéticos e chineses, a esmagadora maioria dos PCs ficou fiel a Moscovo. No entanto, houve cisões em praticamente todos aqueles partidos, operadas essencialmente por jovens (trabalhadores e estudantes) e intelectuais defensores do maoismo.
Em 1964, saiu do Partido Comunista Português (PCP) o CMLP/FAP (Comité Marxista Leninista Português/Frente de Acção Popular), organização liderada por Francisco Martins Rodrigues, ex-dirigente do partido já chefiado por Álvaro Cunhal. Todas as organizações maoistas portuguesas, com excepção do actual PCTP/MRPP, tiveram origem no CMLP/FAP.-
Também em 1964, um grupo constituido maioritariamente por intelectuais e estudantes, dirigido pelo professor de filosofia Abimael Guzzman, abandona o Partido Comunista Peruano e cria uma organização maoista intitulada "Bandeira Vermelha". Em 1970 este grupo reúne em congresso, no qual foi "reconstituido o velho PC, fundado por José Mariatégui".
O nome que Abimael Guzzman e seus camaradas atribuiram à nova agremiação política foi "Partido Comunista do Perú". Como subtítulo sempre colocaram por baixo do nome do partido a frase "par el sendero luminoso de José Mariatégui". Para distinguir os maoistas do velho PC pró-soviético, a imprensa peruana passou a referir-se aos mesmos como "Sendero Luminoso", assim como a imprensa de todo o mundo, especialmente a partir de 1980, quando começou a guerrilha senderista, que obteve os resultados conhecidos.
A expressão "sendero luminoso" está relacionada com a frase do "grande timoneiro" referida no início deste texto e significa, em português, "carreiro luminoso".
Fernando Nobre, apesar de várias experiências políticas contraditórias umas com as outras, que se saiba, nunca foi maoista, mas, como homem culto que é, deverá conhecer tal ideologia, a qual influenciou imensos jovens da sua geração.
Apoiou - e atacou posteriormente - Durão Barroso nas eleições em que o mesmo alcançou o cargo de primeiro ministro, esteve com António Capucho na corrida à Câmara Municipal de Cascais, foi mandatário do BE nas últimas eleições para o Parlamento Europeu e apoiante de Mário Soares numas presidenciais. Há escassos meses, candidatou-se a Presidente da República contra o "sistema", contra os partidos e, especialmente, contra o Presidente reeleito, Cavaco Silva, apoiado pelo PSD, de que é militante e foi líder durante 10 anos.
Para espanto e num gesto que não faz jus ao seu sobrenome, aquele médico aparece como cabeça de lista do PSD por Lisboa, nas eleições legislativas do próximo dia 5 de Junho, na qualidade de independente e, pasme-se, como candidato a Presidente da AR.
Nobre, no meio de todas as sinuosidades políticas por que passou, pensará ter encontrado o "sendero luminoso" para finalmente alcançar um futuro também luminoso como segunda figura do Estado. Provavelmente pensará também na hipótese de ser o próximo candidato presidencial do PSD em 2016. Só que, a eleição para Presidente da A.R., independentemente do partido vencedor das legislativas, não está assegurada. É ver a repulsa que a sua candidatura suscitou nas hostes sociais-democratas.
Devido - embora não só - a esta incongruência, o PSD é que começa a ver a sua hipótese de vencer as legislativas, que parecia mais que certa, cada vez menos luminosa, como mostram as últimas sondagens. E a procissão ainda não saiu da Igreja...
Aquando do chamado cisma no movimento comunista internacional, em finais dos anos 50 e primeiros anos da década de 60 do século passado, entre os comunistas soviéticos e chineses, a esmagadora maioria dos PCs ficou fiel a Moscovo. No entanto, houve cisões em praticamente todos aqueles partidos, operadas essencialmente por jovens (trabalhadores e estudantes) e intelectuais defensores do maoismo.
Em 1964, saiu do Partido Comunista Português (PCP) o CMLP/FAP (Comité Marxista Leninista Português/Frente de Acção Popular), organização liderada por Francisco Martins Rodrigues, ex-dirigente do partido já chefiado por Álvaro Cunhal. Todas as organizações maoistas portuguesas, com excepção do actual PCTP/MRPP, tiveram origem no CMLP/FAP.-
Também em 1964, um grupo constituido maioritariamente por intelectuais e estudantes, dirigido pelo professor de filosofia Abimael Guzzman, abandona o Partido Comunista Peruano e cria uma organização maoista intitulada "Bandeira Vermelha". Em 1970 este grupo reúne em congresso, no qual foi "reconstituido o velho PC, fundado por José Mariatégui".
O nome que Abimael Guzzman e seus camaradas atribuiram à nova agremiação política foi "Partido Comunista do Perú". Como subtítulo sempre colocaram por baixo do nome do partido a frase "par el sendero luminoso de José Mariatégui". Para distinguir os maoistas do velho PC pró-soviético, a imprensa peruana passou a referir-se aos mesmos como "Sendero Luminoso", assim como a imprensa de todo o mundo, especialmente a partir de 1980, quando começou a guerrilha senderista, que obteve os resultados conhecidos.
A expressão "sendero luminoso" está relacionada com a frase do "grande timoneiro" referida no início deste texto e significa, em português, "carreiro luminoso".
Fernando Nobre, apesar de várias experiências políticas contraditórias umas com as outras, que se saiba, nunca foi maoista, mas, como homem culto que é, deverá conhecer tal ideologia, a qual influenciou imensos jovens da sua geração.
Apoiou - e atacou posteriormente - Durão Barroso nas eleições em que o mesmo alcançou o cargo de primeiro ministro, esteve com António Capucho na corrida à Câmara Municipal de Cascais, foi mandatário do BE nas últimas eleições para o Parlamento Europeu e apoiante de Mário Soares numas presidenciais. Há escassos meses, candidatou-se a Presidente da República contra o "sistema", contra os partidos e, especialmente, contra o Presidente reeleito, Cavaco Silva, apoiado pelo PSD, de que é militante e foi líder durante 10 anos.
Para espanto e num gesto que não faz jus ao seu sobrenome, aquele médico aparece como cabeça de lista do PSD por Lisboa, nas eleições legislativas do próximo dia 5 de Junho, na qualidade de independente e, pasme-se, como candidato a Presidente da AR.
Nobre, no meio de todas as sinuosidades políticas por que passou, pensará ter encontrado o "sendero luminoso" para finalmente alcançar um futuro também luminoso como segunda figura do Estado. Provavelmente pensará também na hipótese de ser o próximo candidato presidencial do PSD em 2016. Só que, a eleição para Presidente da A.R., independentemente do partido vencedor das legislativas, não está assegurada. É ver a repulsa que a sua candidatura suscitou nas hostes sociais-democratas.
Devido - embora não só - a esta incongruência, o PSD é que começa a ver a sua hipótese de vencer as legislativas, que parecia mais que certa, cada vez menos luminosa, como mostram as últimas sondagens. E a procissão ainda não saiu da Igreja...
quarta-feira, 13 de abril de 2011
A SOPA DOS POBRES DO FMI
No editorial do primeiro número do jornal “SEMANÁRIO”, publicado em fins de 1983, aquando da anterior “ajuda externa” do FMI a Portugal, o seu então director, Vítor Cunha Rego, escrevia: “a feira popular do MFA acabou na sopa dos pobres do FMI”. A feira popular significava a época revolucionária de 1974/75, também conhecida por PREC (processo revolucionário em curso), protagonizada pelo PCP, as forças actualmente integrantes do BE e outras organizações de extrema-esquerda, que deixaram Portugal à beira da bancarrota e a economia esfrangalhada.
As consequências desse revolucionarismo destruidor e estéril, bem como a manutenção pelo PS do sistema económico herdado do PREC e consignado na Constituição de 1976 estiveram na origem das visitas do FMI em 1978 e 1983.
As medidas impostas pelo FMI originaram desemprego, inflação, perda de poder de compra, fome e mesmo alguns suicídios. Foram os custos da recuperação financeira e da salvação da bancarrota.
Neste ano de 2011, o recurso ao FMI não se deve a qualquer PREC, mas à política errada e incompetente de José Sócrates.
Quando, há 6 anos, Sócrates chegou ao poder, começou por ensaiar algumas reformas positivas no funcionamento do Estado e na segurança social, mas foi “sol de pouca dura”. Pôs o Estado ao serviço de interesses particulares, os quais, por sua vez, capturaram o mesmo Estado, distorcendo a concorrência. Tal facto, aliado à elevada carga fiscal, afastou o investimento, determinando um crescimento anual abaixo da média europeia e, consequentemente, aumento do desemprego e diminuição dos salários reais.
Por outro lado, manteve-se o calcanhar de Aquiles do nosso atraso económico e social: um Estado Providência com elevados encargos e uma aposta excessiva nas obras públicas como motor da economia, que nos custam, com as demais despesas públicas, quase metade da riqueza criada. Esta situação teve o mesmo efeito que a “feira popular” do MFA nas finanças públicas: obrigar o país a capitular perante a “ajuda externa” para evitar a bancarrota.
Para ousarmos sair deste inferno que nos espera, é necessário apostar numa economia aberta, concorrencial e competitiva. Para tal há que, logo que possível, baixar os impostos, estimular a cultura do mérito conjugado com a igualdade de oportunidades, flexibilizar o mercado de trabalho e as leis laborais, sem, contudo, permitir a arbitrariedade da entidade patronal. Essa flexibilização deverá sempre ser aprovada através de acordos entre o governo e os parceiros sociais.
Há que definir as funções do Estado, as quais deverão passar pelo assegurar da ordem pública, da justiça, da defesa nacional, uma presença meramente supletiva na economia, e, no plano social, nos termos abaixo descritos.
No plano social, as responsabilidades deverão ser repartidas entre o Estado, as empresas, as organizações particulares de solidariedade social e de voluntariado.
Até, por exemplo, ao valor de 5 salários mínimos, o Estado deverá assegurar integralmente as pensões de reforma. A partir desse patamar deverá ser dada liberdade de escolha aos cidadãos para optarem pelo sistema que quiserem: público ou privado, devendo ser atribuídos benefícios fiscais a quem opte pelo sistema privado.
Na saúde, o Estado tem um papel importante a desempenhar, mas os sectores privado, cooperativo ou religioso não podem ter menor importância.
O Estado deverá assegurar o acesso a todos à saúde, mas deve tratar de forma igual o que é igual e de forma diferente o que é diferente. Ou seja, a prestação de cuidados de saúde deverá ser gratuita apenas para quem tem rendimentos baixos. Quem pode, terá que pagar tal prestação segundos os seus rendimentos. Mais: as pessoas, independentemente das suas posses, deverão ter liberdade de escolher os médicos e estabelecimentos públicos ou privados, sendo essa liberdade garantida pelo Estado através do cheque-saúde, pagando nos privados quem pode o que pagaria na medicina pública e não pagando nada quem não pode.
Também no ensino deverá ser dada garantia idêntica através do cheque-educação. O ensino só deverá ser gratuito para quem não puder pagá-lo. Quem pode deverá continuar a pagar propinas.
Além do mais, a concorrência originada por tais medidas melhorará a qualidade do ensino e da saúde, pois quem prestar mau serviço não tem clientela e fecha a porta, como em qualquer outro sector.
Como se faz nas escolas, deverá também existir um ranking de hospitais e demais estabelecimentos de saúde.
Assim se baixa a despesa pública, permitindo o regresso do défice e da dívida pública para patamares aceitáveis pelas normas comunitárias, se garante uma verdadeira justiça social e igualdade de oportunidades para todos e mantém um estado social no verdadeiro sentido do termo.
José Sócrates enche a boca com o dito estado social, no entanto, baixa comparticipações nos medicamentos, no que nem os idosos com pensões baixíssimas escapam, praticamente acabou com o abono de família. À boa maneira socialista, trata todos por igual. Ou ninguém paga nada ou pagam todos o mesmo, como se os rendimentos fossem iguais. Quem são os mais prejudicados? Obviamente, os mais pobres e a classe média em vias de proletarização, chamando Marx em nosso auxílio.
Nos termos em que defende a escola e a saúde públicas, Sócrates quer que as suas equivalentes privadas apenas sirvam os ricos. Os que ele apelida de liberais ( o liberalismo é o novo anátema criado pelo primeiro-ministro) querem acabar com esses privilégios e que pobres e ricos tenham os mesmos direitos.
PS: os ataques de Sócrates ao liberalismo fazem lembrar a “estória” das criancinhas ao pequeno almoço inventada, aliás, pela Internacional Comunista nos anos 30 do século XX, para ridicularizar os seus inimigos. O primeiro-ministro, neste ponto, acaba por cair no ridículo. Recordo que ainda antes de ser líder do PS, numa entrevista ao “EXPRESSO”, referia-se entusiasticamente a Karl Popper, um dos “papas” do liberalismo. Tê-lo-á feito por ignorância? Não saberá quem foi mesmo Popper? Efectivamente, além de outros defeitos que tantos danos têm causado ao país – e beneficiado certas clientelas – já toda a gente viu que a cultura não é o seu forte.
As consequências desse revolucionarismo destruidor e estéril, bem como a manutenção pelo PS do sistema económico herdado do PREC e consignado na Constituição de 1976 estiveram na origem das visitas do FMI em 1978 e 1983.
As medidas impostas pelo FMI originaram desemprego, inflação, perda de poder de compra, fome e mesmo alguns suicídios. Foram os custos da recuperação financeira e da salvação da bancarrota.
Neste ano de 2011, o recurso ao FMI não se deve a qualquer PREC, mas à política errada e incompetente de José Sócrates.
Quando, há 6 anos, Sócrates chegou ao poder, começou por ensaiar algumas reformas positivas no funcionamento do Estado e na segurança social, mas foi “sol de pouca dura”. Pôs o Estado ao serviço de interesses particulares, os quais, por sua vez, capturaram o mesmo Estado, distorcendo a concorrência. Tal facto, aliado à elevada carga fiscal, afastou o investimento, determinando um crescimento anual abaixo da média europeia e, consequentemente, aumento do desemprego e diminuição dos salários reais.
Por outro lado, manteve-se o calcanhar de Aquiles do nosso atraso económico e social: um Estado Providência com elevados encargos e uma aposta excessiva nas obras públicas como motor da economia, que nos custam, com as demais despesas públicas, quase metade da riqueza criada. Esta situação teve o mesmo efeito que a “feira popular” do MFA nas finanças públicas: obrigar o país a capitular perante a “ajuda externa” para evitar a bancarrota.
Para ousarmos sair deste inferno que nos espera, é necessário apostar numa economia aberta, concorrencial e competitiva. Para tal há que, logo que possível, baixar os impostos, estimular a cultura do mérito conjugado com a igualdade de oportunidades, flexibilizar o mercado de trabalho e as leis laborais, sem, contudo, permitir a arbitrariedade da entidade patronal. Essa flexibilização deverá sempre ser aprovada através de acordos entre o governo e os parceiros sociais.
Há que definir as funções do Estado, as quais deverão passar pelo assegurar da ordem pública, da justiça, da defesa nacional, uma presença meramente supletiva na economia, e, no plano social, nos termos abaixo descritos.
No plano social, as responsabilidades deverão ser repartidas entre o Estado, as empresas, as organizações particulares de solidariedade social e de voluntariado.
Até, por exemplo, ao valor de 5 salários mínimos, o Estado deverá assegurar integralmente as pensões de reforma. A partir desse patamar deverá ser dada liberdade de escolha aos cidadãos para optarem pelo sistema que quiserem: público ou privado, devendo ser atribuídos benefícios fiscais a quem opte pelo sistema privado.
Na saúde, o Estado tem um papel importante a desempenhar, mas os sectores privado, cooperativo ou religioso não podem ter menor importância.
O Estado deverá assegurar o acesso a todos à saúde, mas deve tratar de forma igual o que é igual e de forma diferente o que é diferente. Ou seja, a prestação de cuidados de saúde deverá ser gratuita apenas para quem tem rendimentos baixos. Quem pode, terá que pagar tal prestação segundos os seus rendimentos. Mais: as pessoas, independentemente das suas posses, deverão ter liberdade de escolher os médicos e estabelecimentos públicos ou privados, sendo essa liberdade garantida pelo Estado através do cheque-saúde, pagando nos privados quem pode o que pagaria na medicina pública e não pagando nada quem não pode.
Também no ensino deverá ser dada garantia idêntica através do cheque-educação. O ensino só deverá ser gratuito para quem não puder pagá-lo. Quem pode deverá continuar a pagar propinas.
Além do mais, a concorrência originada por tais medidas melhorará a qualidade do ensino e da saúde, pois quem prestar mau serviço não tem clientela e fecha a porta, como em qualquer outro sector.
Como se faz nas escolas, deverá também existir um ranking de hospitais e demais estabelecimentos de saúde.
Assim se baixa a despesa pública, permitindo o regresso do défice e da dívida pública para patamares aceitáveis pelas normas comunitárias, se garante uma verdadeira justiça social e igualdade de oportunidades para todos e mantém um estado social no verdadeiro sentido do termo.
José Sócrates enche a boca com o dito estado social, no entanto, baixa comparticipações nos medicamentos, no que nem os idosos com pensões baixíssimas escapam, praticamente acabou com o abono de família. À boa maneira socialista, trata todos por igual. Ou ninguém paga nada ou pagam todos o mesmo, como se os rendimentos fossem iguais. Quem são os mais prejudicados? Obviamente, os mais pobres e a classe média em vias de proletarização, chamando Marx em nosso auxílio.
Nos termos em que defende a escola e a saúde públicas, Sócrates quer que as suas equivalentes privadas apenas sirvam os ricos. Os que ele apelida de liberais ( o liberalismo é o novo anátema criado pelo primeiro-ministro) querem acabar com esses privilégios e que pobres e ricos tenham os mesmos direitos.
PS: os ataques de Sócrates ao liberalismo fazem lembrar a “estória” das criancinhas ao pequeno almoço inventada, aliás, pela Internacional Comunista nos anos 30 do século XX, para ridicularizar os seus inimigos. O primeiro-ministro, neste ponto, acaba por cair no ridículo. Recordo que ainda antes de ser líder do PS, numa entrevista ao “EXPRESSO”, referia-se entusiasticamente a Karl Popper, um dos “papas” do liberalismo. Tê-lo-á feito por ignorância? Não saberá quem foi mesmo Popper? Efectivamente, além de outros defeitos que tantos danos têm causado ao país – e beneficiado certas clientelas – já toda a gente viu que a cultura não é o seu forte.
terça-feira, 29 de março de 2011
OMISSÕES DA EXTREMA-ESQUERDA AMERICANA E DA EXTREMA-ESQUERDA PORTUGUESA
Recentemente, esteve em Portugal uma delegação de antigos dirigentes dos “Panteras Negras”, uma organização americana de negros de extrema-esquerda, que esteve activa nos anos 60 e 70 do século passado, praticando alguns actos terroristas, contrariamente ao seu contemporâneo também negro Martin Luther King, o qual lutava pelos direitos daquela raça de forma pacífica.
Em entrevista ao jornal “Público”, três daqueles dirigentes referiram os nomes de vários membros do Comité Central da organização, omitindo, no entanto, o nome de um dos mais destacados “panteras”, Eldrige Cleaver, o seu ideólogo, já falecido, que quando passou por Argel nos anos 60, fez amizade com Manuel Alegre.
Aquela omissão deve-se certamente à deserção de Cleaver dos "Panteras Negras" em meados da década de 1970, quando aderiu ao cristianismo e se tornou militante do Partido Republicano, sendo mais tarde assessor do Presidente Ronald Reagan.
Em resposta à afirmação do líder parlamentar do PS, Francisco Assis, segundo a qual o Bloco de Esquerda (BE) e os seus militantes apoiaram regimes totalitários de esquerda, Francisco Louçã disse que tal era mentira e que o Estado Português, sim, tem bom relacionamento com a Líbia.
O regime de Khadafi é equivalente ao poder popular de base, apoiado no PREC e posteriormente por algumas das organizações que deram origem ao BE, destacando-se entre elas a LCI (Liga Comunista Internacionalista), integrada em 1978 no PSR (Partido Socialista Revolucionário), dos quais Louçã foi dirigente. Esse esquerdismo romântico-populista acaba em ditaduras e no poder de um caudilho como o líder líbio, que teve em Otelo um seu semelhante.
Que se saiba, Francisco Louçã nunca deixou de ser trotskista. O seu mentor ideológico, Leon Trotsky, à frente do Exército Vermelho e sob as ordens de Lenine, chacinou aldeias inteiras que repudiavam o regime instaurado após a vitória dos bolcheviques na Rússia. Quando, em 1922, marinheiros ultra-esquerdistas e anarquistas se revoltaram em Kronstadt, foram barbaramente assassinados pelos homens de Trotsky. Quando Estaline sucedeu a Lenine, a imprensa americana rejubilou por o novo líder não ser Trotsky, pois Estaline era “liberal” em relação àquele. Pelos crimes do “liberal” Estaline se pode constatar onde poderia chegar o poder trotskista.
Outra das organizações na origem do BE, a UDP, apoiou Lenine, Estaline, Mao, Enver Hodxa e outros dirigentes comunistas responsáveis por dezenas de milhões de mortos.
Por aqui se pode ver a “democracia” em que o BE se revê e como a extrema-esquerda americana e portuguesa (bem como todas as outras) falsificam e apagam figuras da História. No essencial, não mudaram , como sabem os que conhecem o aparecimento e evolução deste tipo de organizações.
Em entrevista ao jornal “Público”, três daqueles dirigentes referiram os nomes de vários membros do Comité Central da organização, omitindo, no entanto, o nome de um dos mais destacados “panteras”, Eldrige Cleaver, o seu ideólogo, já falecido, que quando passou por Argel nos anos 60, fez amizade com Manuel Alegre.
Aquela omissão deve-se certamente à deserção de Cleaver dos "Panteras Negras" em meados da década de 1970, quando aderiu ao cristianismo e se tornou militante do Partido Republicano, sendo mais tarde assessor do Presidente Ronald Reagan.
Em resposta à afirmação do líder parlamentar do PS, Francisco Assis, segundo a qual o Bloco de Esquerda (BE) e os seus militantes apoiaram regimes totalitários de esquerda, Francisco Louçã disse que tal era mentira e que o Estado Português, sim, tem bom relacionamento com a Líbia.
O regime de Khadafi é equivalente ao poder popular de base, apoiado no PREC e posteriormente por algumas das organizações que deram origem ao BE, destacando-se entre elas a LCI (Liga Comunista Internacionalista), integrada em 1978 no PSR (Partido Socialista Revolucionário), dos quais Louçã foi dirigente. Esse esquerdismo romântico-populista acaba em ditaduras e no poder de um caudilho como o líder líbio, que teve em Otelo um seu semelhante.
Que se saiba, Francisco Louçã nunca deixou de ser trotskista. O seu mentor ideológico, Leon Trotsky, à frente do Exército Vermelho e sob as ordens de Lenine, chacinou aldeias inteiras que repudiavam o regime instaurado após a vitória dos bolcheviques na Rússia. Quando, em 1922, marinheiros ultra-esquerdistas e anarquistas se revoltaram em Kronstadt, foram barbaramente assassinados pelos homens de Trotsky. Quando Estaline sucedeu a Lenine, a imprensa americana rejubilou por o novo líder não ser Trotsky, pois Estaline era “liberal” em relação àquele. Pelos crimes do “liberal” Estaline se pode constatar onde poderia chegar o poder trotskista.
Outra das organizações na origem do BE, a UDP, apoiou Lenine, Estaline, Mao, Enver Hodxa e outros dirigentes comunistas responsáveis por dezenas de milhões de mortos.
Por aqui se pode ver a “democracia” em que o BE se revê e como a extrema-esquerda americana e portuguesa (bem como todas as outras) falsificam e apagam figuras da História. No essencial, não mudaram , como sabem os que conhecem o aparecimento e evolução deste tipo de organizações.
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