A Drª Fátima Mata Mouros, Juiza Desembargadora do Tribunal da Relação de Lisboa, foi, há algum tempo, indicada pelo CDS para o Tribunal Constitucional (TC).
Na recente tomada de posição do mesmo Tribunal sobre a constitucionalidade do OGE/2013, votou favoravelmente todas as decisões que reprovaram algumas partes daquele documento.
Trabalhei com a Drª Fátima Mata Mouros no antigo Tribunal da Boa Hora, em Lisboa (Varas Criminais). A sua imagem era a de uma Magistrada competente, isenta e justa. Não me admirei com a sua atitude contrária às pretensões do partido que a indicou para o TC. Mais uma vez provou a sua competência, isenção e sentido de justiça, tal como uma sua colega nomeada para idêntico cargo pelo PSD.
Estou convencido que o mesmo faria qualquer outro Magistrado Judicial ou do Ministério Público que conheci.
Assim fosse competente isento e justo, sobetudo no plano social, o governo frustrado com aquelas decisões, o qual mostrou a sua faceta, já não digo anti-democrática, mas a-democrata (expressão que António Barreto utilizava relativamente a Cavaco quando o mesmo era primeiro-ministro), culpando o TC pelas suas próprias responsabilidades. É ou não verdade ter sido o executivo alertado para possíveis inconstitucionalidades do OGE para o ano corrente? Tinham ou não razão os que diziam no Outono do ano passado ser o orçamento uma ficção? O próprio Vitor Gaspar, no final do segundo mês deste ano, já dizia atingir a economia, em 2013, um crescimento negativo de 2,3%, enquanto tal documento apontava para -1%. A decisão do TC é uma consequência e não a causa dos falhanços do governo, o mais incompetente e anti-social desde o 25 de Abril.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
terça-feira, 2 de abril de 2013
TINHA QUE SER NO DIA 1 DE ABRIL
Na sua edição de ontem, o diário "I", a propósito das mentiras do 1º de Abril, referia ter Passos Coelho afirmado naquele dia, há dois anos, ser "um disparate afirmar que o PSD iria após as eleições que se seguiram acabar com o 13º mês para os funcionários públicos".
Passado este tempo, até La Palisse chegaria à conclusão que tal frase só poderia ser dita em 1 de Abril. Mas não foi a única mentira do primeiro-ministro. Também disse não aumentar os impostos, não efectuar cortes nas pensões de reforma e corrigir a grave situação financeira então (e hoje) vivida essencialmente pelo lado das despesas. Como todos sabemos, fez exactamente o contrário.
Até quando disse "ir além da troika", só afirmou meia verdade. Disse-o e fê-lo relativamente aos mais pobres e à classe média. Onde está o corte nas PPP previsto no memorando? E a correcção da situação financeira em 60%, no tocante a despesas, e 40%, no respeitante a receitas?
Passos Coelho mentiu. A sua austeridade e todos os sacrifícios impostos aos portugueses não evitaram o aumento da dívida pública e a diminuição do défice abaixo do previsto, rebentando com a economia e os laços sociais. Por isso, ainda na primeira metade do seu mandato, o governo é detestado pela maioria da população e encontra-se completamente desnorteado.
É certo que não é Passos Coelho o único político mentiroso. Em parte por isso, a classe política está desacreditada, pondo em perigo a própria democracia. Como dizia o saudoso Vitor Cunha Rego, "não há legitimidades abstractas".
Por estas e por outras é que eu não pertenço presentemente a qualquer partido político, nem penso vir a pertencer, enquanto a alternância no poder for entre mentirosos, charlatães e medíocres.
Passado este tempo, até La Palisse chegaria à conclusão que tal frase só poderia ser dita em 1 de Abril. Mas não foi a única mentira do primeiro-ministro. Também disse não aumentar os impostos, não efectuar cortes nas pensões de reforma e corrigir a grave situação financeira então (e hoje) vivida essencialmente pelo lado das despesas. Como todos sabemos, fez exactamente o contrário.
Até quando disse "ir além da troika", só afirmou meia verdade. Disse-o e fê-lo relativamente aos mais pobres e à classe média. Onde está o corte nas PPP previsto no memorando? E a correcção da situação financeira em 60%, no tocante a despesas, e 40%, no respeitante a receitas?
Passos Coelho mentiu. A sua austeridade e todos os sacrifícios impostos aos portugueses não evitaram o aumento da dívida pública e a diminuição do défice abaixo do previsto, rebentando com a economia e os laços sociais. Por isso, ainda na primeira metade do seu mandato, o governo é detestado pela maioria da população e encontra-se completamente desnorteado.
É certo que não é Passos Coelho o único político mentiroso. Em parte por isso, a classe política está desacreditada, pondo em perigo a própria democracia. Como dizia o saudoso Vitor Cunha Rego, "não há legitimidades abstractas".
Por estas e por outras é que eu não pertenço presentemente a qualquer partido político, nem penso vir a pertencer, enquanto a alternância no poder for entre mentirosos, charlatães e medíocres.
quinta-feira, 28 de março de 2013
A PÁSCOA, O NOVO PAPA E A LUTA PELA JUSTIÇA
A Páscoa marca a vitória da vida (ressurreição de Cristo) sobre a morte. É uma época de alegria e de esperança.
Num tempo de recessão, desemprego, empobrecimento, crise, não só em Portugal como em muitos outros países, surgiu dentro da Igreja Católica uma voz de esperança, a do Papa Francisco I.
O novo Papa, enquanto cardeal e arcebispo de Buenos Aires, sempre se bateu contra as injustiças e esteve ao lado dos mais pobres. Vivia num apartamento onde cozinhava muitas das suas refeições e, tal como Cristo, estava em constante contacto e ajuda aos mais desfavorecidos. Conhecia grande parte dos sem abrigo da capital da Argentina pelo próprio nome.
Após ter sido eleito sucessor de S. Pedro, afirmou dever ser a Igreja pobre e para os pobres. À semelhança dos anteriores Papas, denunciou o capitalismo selvagem e uma certa lógica da globalização que lhe é inerente.
Quando o Papa João Paulo II, pouco após ser eleito, se deslocou à Polónia, sua terra natal, aí afirmou "não tenhais medo". Francisco I traz também uma mensagem de esperança, alegria e confiança num mundo mais justo. Só com tal prática, segundo os ensinamentos de Cristo, se poderá alcançar a salvação.
Que a mensagem de paz, amor e solidariedade de Francisco I influenciem os poderes seculares!
A todos os leitores desejamos uma Páscoa feliz.
Num tempo de recessão, desemprego, empobrecimento, crise, não só em Portugal como em muitos outros países, surgiu dentro da Igreja Católica uma voz de esperança, a do Papa Francisco I.
O novo Papa, enquanto cardeal e arcebispo de Buenos Aires, sempre se bateu contra as injustiças e esteve ao lado dos mais pobres. Vivia num apartamento onde cozinhava muitas das suas refeições e, tal como Cristo, estava em constante contacto e ajuda aos mais desfavorecidos. Conhecia grande parte dos sem abrigo da capital da Argentina pelo próprio nome.
Após ter sido eleito sucessor de S. Pedro, afirmou dever ser a Igreja pobre e para os pobres. À semelhança dos anteriores Papas, denunciou o capitalismo selvagem e uma certa lógica da globalização que lhe é inerente.
Quando o Papa João Paulo II, pouco após ser eleito, se deslocou à Polónia, sua terra natal, aí afirmou "não tenhais medo". Francisco I traz também uma mensagem de esperança, alegria e confiança num mundo mais justo. Só com tal prática, segundo os ensinamentos de Cristo, se poderá alcançar a salvação.
Que a mensagem de paz, amor e solidariedade de Francisco I influenciem os poderes seculares!
A todos os leitores desejamos uma Páscoa feliz.
quinta-feira, 21 de março de 2013
QUEM DISSE QUE A ESQUERDA E O MARXISMO ESTÃO DESACTUALIZADOS?
Hugo Chavez, Presidente venezuelano recentemente falecido, embora não tivesse implantado uma ditadura de partido único, também não era nenhum exemplo de democrata. Controlava sectores importantes da comunicação social, com destaque para a televisão, sendo perseguidos muitos dos seus opositores.
No entanto, Chavez foi sempre eleito por confortáveis maiorias. Tal como na Venezuela, em diversos países das Américas Central e do Sul têm sido eleitos presidentes e governos de esquerda socialista de inspiração marxista. Afinal, existem alternativas vencedoras ao neo-liberalismo responsável pela presente crise social, económica e de valores no mundo capitalista ocidental.
Naquelas paragens, o capitalismo apenas tem espalhado pobreza, miséria e desigualdades sociais. Daí a derrota das direitas na generalidade daqueles países. Ah, a CIA já não promove, nem apoia golpes de estado fascistas nessa zona do globo como fez noutros tempos, ensopando-a em sangue, no Chile, na Guatemala, em El Salvador, na Argentina, na Bolívia, no Paraguai, no Panamá, no Haiti, na República Dominicana e tantos outros países latino-americanos. Por um lado, já não tem força para isso, por outro lado, essa América que se identifica com Mitt Romney ou com a idiota e inculta Sarah Palin, é repudiada pelo povo da pátria do Tio Sam, o qual reelegeu, há 4 meses, o democrata, na mais ampla acepção do termo, Barak Obama.
Infelizmente, enquanto na América avançam, com sucesso, políticas parecidas com o que na Europa se considerava (e ainda considera nos países nórdicos) social-democracia e democracia-cristã, no velho continente, da Alemanha para baixo, destroem-se o estado social e os direitos dos trabalhadores.
Em todo o mundo, se o capitalismo e o liberalismo não recuperarem a sua faceta humanista, o socialismo mais ortodoxo voltará a triunfar por eleições ou de outra forma, na qual o leitor estará a pensar, até porque está a diminuir a pobreza, com as suas políticas anti-capitalistas (ver quadro sobre a situação social da Venezuela). Lembram-se da velha frase de Ché Guevara, morto às ordens da CIA há quase meio século, "temos que construir um, dois, vários Vietnames"?
SITUAÇÃO SOCIAL VENEZUELANA
1999 2012
População: 23 867 000 29 718 000
PIB per capita: 3 150 euros 8 300 euros
Taxa de desemprego: 14,9% 6,5%
Pobreza extrema: 21,7% 10,7%
Taxa de inflação: 30,1% 20,1%
Dívida pública: 56,4% do PIB 29% do PIB
Taxa de analfabetismo: 20% 4,9%
Mortalidade infantil: 20.06/por mil 14,78 por mil
Exportações de petróleo: 12 762 milhões de euros 53 218 milhões de euros Número de homicídios: 25 por 100 000 habitantes 45,1 por 100 0000 habitantes
fonte: jornal "Expresso", de 16/3/2013
No entanto, Chavez foi sempre eleito por confortáveis maiorias. Tal como na Venezuela, em diversos países das Américas Central e do Sul têm sido eleitos presidentes e governos de esquerda socialista de inspiração marxista. Afinal, existem alternativas vencedoras ao neo-liberalismo responsável pela presente crise social, económica e de valores no mundo capitalista ocidental.
Naquelas paragens, o capitalismo apenas tem espalhado pobreza, miséria e desigualdades sociais. Daí a derrota das direitas na generalidade daqueles países. Ah, a CIA já não promove, nem apoia golpes de estado fascistas nessa zona do globo como fez noutros tempos, ensopando-a em sangue, no Chile, na Guatemala, em El Salvador, na Argentina, na Bolívia, no Paraguai, no Panamá, no Haiti, na República Dominicana e tantos outros países latino-americanos. Por um lado, já não tem força para isso, por outro lado, essa América que se identifica com Mitt Romney ou com a idiota e inculta Sarah Palin, é repudiada pelo povo da pátria do Tio Sam, o qual reelegeu, há 4 meses, o democrata, na mais ampla acepção do termo, Barak Obama.
Infelizmente, enquanto na América avançam, com sucesso, políticas parecidas com o que na Europa se considerava (e ainda considera nos países nórdicos) social-democracia e democracia-cristã, no velho continente, da Alemanha para baixo, destroem-se o estado social e os direitos dos trabalhadores.
Em todo o mundo, se o capitalismo e o liberalismo não recuperarem a sua faceta humanista, o socialismo mais ortodoxo voltará a triunfar por eleições ou de outra forma, na qual o leitor estará a pensar, até porque está a diminuir a pobreza, com as suas políticas anti-capitalistas (ver quadro sobre a situação social da Venezuela). Lembram-se da velha frase de Ché Guevara, morto às ordens da CIA há quase meio século, "temos que construir um, dois, vários Vietnames"?
SITUAÇÃO SOCIAL VENEZUELANA
1999 2012
População: 23 867 000 29 718 000
PIB per capita: 3 150 euros 8 300 euros
Taxa de desemprego: 14,9% 6,5%
Pobreza extrema: 21,7% 10,7%
Taxa de inflação: 30,1% 20,1%
Dívida pública: 56,4% do PIB 29% do PIB
Taxa de analfabetismo: 20% 4,9%
Mortalidade infantil: 20.06/por mil 14,78 por mil
Exportações de petróleo: 12 762 milhões de euros 53 218 milhões de euros Número de homicídios: 25 por 100 000 habitantes 45,1 por 100 0000 habitantes
fonte: jornal "Expresso", de 16/3/2013
quarta-feira, 13 de março de 2013
PALHAÇADAS ELEITORAIS
José António Saraiva, director do jornal oficioso do governo PSD/CDS, "Sol", escreveu no último editorial daquele semanário, a propósito das recentes eleições italianas, que "a democracia está a tornar-se numa palhaçada".
Como diz uma velha frase, "Deus escreve direito por linhas tortas". A democracia está a transformar-se numa palhaçada, mas não pelos motivos apontados pelo sr. Saraiva, que mostra um sentimento de desespero e derrota pelo facto de os povos não "compreenderem" a austeridade e os efeitos da globalização.
Tal palhaçada é resultante dos seguintes factos:
- a classe política cada vez se sente e mostra menos responsável perante os seus eleitores e mais seguidista relativamente ao alto capitalismo e suas sociedades secretas, como o grupo de Bildeberg.
- Com aquele objectivo, mente descarada e vilmente durante as campanhas eleitorais, prometendo uma coisa e fazendo o seu oposto. É o triste caso dos partidos componentes do actual governo português, idolatrado de forma dogmática e fanática pelo sr. Saraiva.
- As elites afastam-se da actividade política, sobretudo por aqueles motivos, abrindo o caminho ao controlo da mesma por medíocres e indigentes intelectuais. Num país e numa situação política normais, Pedro Passos Coelho seria primeiro-ministro? O falso licenciado Relvas coordenaria politicamente um governo? Seguro estaria à frente do maior partido da oposição?
- A austeridade não é para todos, mas para os pobres e a classe média, a qual está a desaparecer, principalmente nos países ocupados (assim mesmo, sem aspas) pela troika.
- A globalização tem aumentado as desigualdades e injustiças sociais, empobrecendo a maioria dos cidadãos dos países desenvolvidos, com a deslocalização de empresas para o terceiro mundo.
Apesar de ter abandonado o marxismo há quase 28 anos - e não pretender voltar a endossá-lo, embora considere ter aquela ideologia aspectos positivos deturpados pelos marxistas e marxólogos - a História está a dar razão a Karl Marx quando afirmava: "as eleições em regime capitalista são uma farsa" e "o desenvolvimento do capitalismo conduz à destruição das classes médias e à concentração de riqueza nas mãos da alta burguesia." Infelizmente, em nome do liberalismo, ideologia que em tempos idos provou o contrário. Perante isto, vale a pena continuar a ser liberal? Vale, pois, ignorando o ultra e o neo-liberalismo e seguindo em frente. Recordamos, a propósito, ter o escritor checo, anti-comunista, Milan Kundera, afirmado, há várias décadas, ser a esquerda a grande marcha da História e que perante os crimes do comunismo, as pessoas de esquerda deveriam ignorar o mesmo e seguir em frente.
A terminar: José António Saraiva ainda se lembrará de quando escreveu no "Expresso", do qual era director, conduzir o liberalismo defendido, entre outros, por Vitor Cunha Rego (já falecido), Proença de Carvalho ou Maria Elisa Domingues, ao capitalismo selvagem, no que não tinha razão nenhuma? O governo português e os seus patrões (do sr. Saraiva) da angolana Neshwold, ligada ao poder corrupto, despótico e com cheiro a sangue, de Angola, sediada no Panamá, pelos motivos em que o leitor está a pensar, representarão, por acaso, um capitalismo inteligente e humanista?
Um historiador, de seu nome António José Saraiva, há cerca de 50 anos, era militante do PCP. Álvaro Cunhal encarregou-o EM MOSCOVO de, juntamente com Maria Lamas, escrever um texto para uma conferência, sobre a guerra colonial portuguesa então no início. Cunhal alterou, em grande parte, o que aqueles seus dois camaradas escreveram. António José Saraiva disse não ler aquilo com que não concordava, tendo o secretário-geral do PCP retorquido ser a alteração ao texto por si efectuada a posição oficial do partido.
O historiador abandonou o local da reunião, demitindo-se, de imediato, do partido que serviu quase 30 anos. Onde estiver, o que "pensará" da incoerência, oportunismo e servilismo de seu filho?
Como diz uma velha frase, "Deus escreve direito por linhas tortas". A democracia está a transformar-se numa palhaçada, mas não pelos motivos apontados pelo sr. Saraiva, que mostra um sentimento de desespero e derrota pelo facto de os povos não "compreenderem" a austeridade e os efeitos da globalização.
Tal palhaçada é resultante dos seguintes factos:
- a classe política cada vez se sente e mostra menos responsável perante os seus eleitores e mais seguidista relativamente ao alto capitalismo e suas sociedades secretas, como o grupo de Bildeberg.
- Com aquele objectivo, mente descarada e vilmente durante as campanhas eleitorais, prometendo uma coisa e fazendo o seu oposto. É o triste caso dos partidos componentes do actual governo português, idolatrado de forma dogmática e fanática pelo sr. Saraiva.
- As elites afastam-se da actividade política, sobretudo por aqueles motivos, abrindo o caminho ao controlo da mesma por medíocres e indigentes intelectuais. Num país e numa situação política normais, Pedro Passos Coelho seria primeiro-ministro? O falso licenciado Relvas coordenaria politicamente um governo? Seguro estaria à frente do maior partido da oposição?
- A austeridade não é para todos, mas para os pobres e a classe média, a qual está a desaparecer, principalmente nos países ocupados (assim mesmo, sem aspas) pela troika.
- A globalização tem aumentado as desigualdades e injustiças sociais, empobrecendo a maioria dos cidadãos dos países desenvolvidos, com a deslocalização de empresas para o terceiro mundo.
Apesar de ter abandonado o marxismo há quase 28 anos - e não pretender voltar a endossá-lo, embora considere ter aquela ideologia aspectos positivos deturpados pelos marxistas e marxólogos - a História está a dar razão a Karl Marx quando afirmava: "as eleições em regime capitalista são uma farsa" e "o desenvolvimento do capitalismo conduz à destruição das classes médias e à concentração de riqueza nas mãos da alta burguesia." Infelizmente, em nome do liberalismo, ideologia que em tempos idos provou o contrário. Perante isto, vale a pena continuar a ser liberal? Vale, pois, ignorando o ultra e o neo-liberalismo e seguindo em frente. Recordamos, a propósito, ter o escritor checo, anti-comunista, Milan Kundera, afirmado, há várias décadas, ser a esquerda a grande marcha da História e que perante os crimes do comunismo, as pessoas de esquerda deveriam ignorar o mesmo e seguir em frente.
A terminar: José António Saraiva ainda se lembrará de quando escreveu no "Expresso", do qual era director, conduzir o liberalismo defendido, entre outros, por Vitor Cunha Rego (já falecido), Proença de Carvalho ou Maria Elisa Domingues, ao capitalismo selvagem, no que não tinha razão nenhuma? O governo português e os seus patrões (do sr. Saraiva) da angolana Neshwold, ligada ao poder corrupto, despótico e com cheiro a sangue, de Angola, sediada no Panamá, pelos motivos em que o leitor está a pensar, representarão, por acaso, um capitalismo inteligente e humanista?
Um historiador, de seu nome António José Saraiva, há cerca de 50 anos, era militante do PCP. Álvaro Cunhal encarregou-o EM MOSCOVO de, juntamente com Maria Lamas, escrever um texto para uma conferência, sobre a guerra colonial portuguesa então no início. Cunhal alterou, em grande parte, o que aqueles seus dois camaradas escreveram. António José Saraiva disse não ler aquilo com que não concordava, tendo o secretário-geral do PCP retorquido ser a alteração ao texto por si efectuada a posição oficial do partido.
O historiador abandonou o local da reunião, demitindo-se, de imediato, do partido que serviu quase 30 anos. Onde estiver, o que "pensará" da incoerência, oportunismo e servilismo de seu filho?
sexta-feira, 8 de março de 2013
O TRONO É DO CHARLATÃO
Em debate realizado na Assembleia da República, o primeiro-ministro afirmou ser contra o aumento do salário mínimo, chegando a dizer que o mesmo deveria diminuir, para aumentar a competitividade da economia, só não o fazendo, à semelhança do governo irlandês, porque no seu país aquele ordenado é muito maior que o português.
Embora o salário mínimo seja muito mais elevado na Irlanda que em Portugal, o povo irlandês tem perdido muito poder de compra. O desemprego ali registado é elevado (menos que o nosso), mas anteriormente à crise, a Irlanda tinha atingido praticamente o pleno emprego. Nesse tempo, dificilmente se viam "sem abrigo" nas ruas. Hoje, vêem-se imensos. A dívida e o défice daquele país são, respectivamente, de 120% e 8% do PIB. Malhas que a troika tece...
Mas, voltando a Portugal, o nosso (salvo seja) primeiro-ministro entende que quem vive com o mínimo ainda deveria ganhar menos. O ultra-liberal António Borges é da mesma opinião. Para eles, competitividade significa mão de obra barata e terceiro-mundização das relações laborais. Para qualquer verdadeiro social-democrata ou liberal a competitividade assenta em boa formação profissional e mão de obra qualificada.
Porque não disse Passos Coelho barbaridades destas na campanha eleitoral que o conduziu a chefe do governo? Certamente o resultado final seria outro. Como uma vez afirmei por Sócrates, também a Passos Coelho se aplica a expressão de uma canção de José Mário Branco e Sérgio Godinho, que dá título a este post.
PS: aos que afirmam que uso violência verbal nos meus escritos, fiquem sabendo que a procissão ainda nem chegou ao adro. Mais uma vez, citando Sérgio Godinho, prefiro "estar de mal com outros e de bem comigo". Como diria António Vitorino em outras circunstâncias de tempo e modo, vão-se habituando...
Embora o salário mínimo seja muito mais elevado na Irlanda que em Portugal, o povo irlandês tem perdido muito poder de compra. O desemprego ali registado é elevado (menos que o nosso), mas anteriormente à crise, a Irlanda tinha atingido praticamente o pleno emprego. Nesse tempo, dificilmente se viam "sem abrigo" nas ruas. Hoje, vêem-se imensos. A dívida e o défice daquele país são, respectivamente, de 120% e 8% do PIB. Malhas que a troika tece...
Mas, voltando a Portugal, o nosso (salvo seja) primeiro-ministro entende que quem vive com o mínimo ainda deveria ganhar menos. O ultra-liberal António Borges é da mesma opinião. Para eles, competitividade significa mão de obra barata e terceiro-mundização das relações laborais. Para qualquer verdadeiro social-democrata ou liberal a competitividade assenta em boa formação profissional e mão de obra qualificada.
Porque não disse Passos Coelho barbaridades destas na campanha eleitoral que o conduziu a chefe do governo? Certamente o resultado final seria outro. Como uma vez afirmei por Sócrates, também a Passos Coelho se aplica a expressão de uma canção de José Mário Branco e Sérgio Godinho, que dá título a este post.
PS: aos que afirmam que uso violência verbal nos meus escritos, fiquem sabendo que a procissão ainda nem chegou ao adro. Mais uma vez, citando Sérgio Godinho, prefiro "estar de mal com outros e de bem comigo". Como diria António Vitorino em outras circunstâncias de tempo e modo, vão-se habituando...
quarta-feira, 6 de março de 2013
QUANDO SE CANTAVA A GRÂNDOLA NA JSD
No final de um congresso da JSD em que participei, em Tróia, no ano de 1988, todos os delegados ao mesmo almoçámos juntos.
Vários delegados entoaram, durante a refeição, canções regionais. Os delegados de Évora, liderados pela presidente da distrital, uma menina morena e muito bonita, começaram a cantar “Grândola, Vila Morena”, de Zeca Afonso, no que foram seguidos por todos nós.
Naquele almoço encontravam-se o actual primeiro-ministro, então vice-presidente da jota laranja, Miguel Relvas, seu secretário-geral, José Cesário, Feliciano Barreiras Duarte e outros membros do governo Passos-Portas.
Quem diria, na altura, que aqueles jovens, considerados consciência de esquerda do PSD, que efectuavam algumas críticas ao cavaquismo em nome da social-democracia, passado um quarto de século fariam parte do governo mais à direita, mais impopular e com menor consciência social após o 25 de Abril? O que faz o perfume do poder e do dinheiro que cada vez mais manda no mesmo !
No passado sábado, dia 2 de Março, a canção utilizada como contra-senha no 25 de Abril foi cantada por mais de um milhão de portugueses que por todo o país e no estrangeiro, tal como no dia 15 de Setembro de 2012, se manifestaram contra a política deste governo e os que se comportam como donos da Europa e do mundo.
A legitimidade social deste governo morreu. E, na política, não existe o milagre da ressurreição. Nas semanas anteriores a 2 de Março, o primeiro-ministro e vários ministros foram vaiados em todo o lado a que se deslocaram. Nem uma viva alma já os aplaude. A própria legitimidade eleitoral do executivo está em causa, apesar de existir uma maioria a apoiá-lo na A.R.. É que a sua acção tem sido o contrário do prometido pelos seus partidos em campanha. Nessa altura, os eleitores do PSD e do CDS foram enganados de forma vergonhosa.
Se, como perguntava recentemente Henrique Monteiro no “Expresso”, ainda existe Presidente da República, o que espera para demitir o actual executivo moribundo e procurar uma outra solução governativa com os partidos parlamentares?
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