No dia 11 de Setembro de 1973, o general Pinochet, através de um golpe de Estado, acabava com o regime democrático no Chile, iniciando um regime repressivo e sanguinário.
No dia 11 de Setembro de 2001, terroristas suicidas da Al Qaeda, no ataque às torres gémeas, em Nova Iorque, matavam cerca de 3 000 pessoas.
No dia 11 de Setembro do corrente ano, após as dolorosas medidas anunciadas pelo primeiro-ministro poucos dias antes, a que me referi no post anterior, em que comparava esse cavalheiro a Mitt Romney, o ministro das Finanças afirmava que, apesar de o cumprimento do memorando durar mais um ano – a pedido do governo, segundo um representante da troika – o executivo terá de aumentar impostos, diminuir salários e pensões, entre outras decisões gravosas para os portugueses.
Na campanha eleitoral, o actual primeiro-ministro prometeu não aumentar impostos, nem cortar salários aos funcionários públicos. Há poucos meses afirmou não serem necessárias mais medidas de austeridade. Há menos de um mês, no Pontal, disse prever um crescimento positivo da economia no próximo ano. No dia 11 de Setembro, Vítor Gaspar desmentia-o, considerando continuar a aumentar o número de desempregados e ter a economia um crescimento negativo, de 1%, em 2013.
Para além de não haver uma liderança, nem tão pouco coordenação neste governo, os seus membros, especialmente o primeiro-ministro, primam pela mentira. Como dizia o poeta e dramaturgo alemão Bertold Brecht, “o que é difícil não é governar, mas explicar a escravidão e a mentira”.
O actual governo está desacreditado ao fim de pouco mais de um ano. Os seus objectivos como fim dos enormes sacrifícios para a maioria da população portuguesa falharam rotundamente. Na coligação governamental, e especialmente no PSD, o desnorte é enorme, devido a tanta incompetência, aldrabice e falta de estratégia num tempo tão difícil.
Tudo isto terá consequências, das quais o Senhor Presidente da República não poderá lavar as mãos como Pilatos.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
O MITT ROMNEY PORTUGUÊS
Qual a diferença entre o candidato republicano à presidência dos EUA, Mit Romney e Passos Coelho? O primeiro é mórmon e o segundo é agnóstico.
No plano político, nada os distingue. Romney, em nome da promoção do emprego, quer cortar os impostos pagos pelos ricos, os quais, comparados com os impostos europeus, são bem incentivadores para os empresários. Como contrapartida, pretende acabar com uma série de benefícios sociais concedidos aos pobres, especialmente no campo da saúde, pela administração Obama. Isto para não falar no reaccionarismo social do candidato republicano e do seu nº 2, Paul Ryan, que até afirmam não serem a violação e o incesto motivos para despenalização do aborto.
God save América! Que Obama seja eleito em Novembro!
Pedro Passos Coelho, pelo seu lado, confirmou, com as últimas medidas de austeridade anunciadas, o carácter de classe do seu governo e do PSD.Os trabalhadores passam a descontar mais 7%, por mês, para a segurança social, enquanto o patronato passa a pagar quase menos 6%. São os póprios empresários, como o ex-presidente da CIP, Van Zeller, que afirmam não promover tal decisão a baixa do desemprego.
Quanto a mexidas nas PPP e nas rendas, o executivo fica aquém da troika. Ir mais além da dita, só para os pobres e a classe média. Ainda há dúvidas que a social-democracia morreu no partido que provocatoriamente ainda a utiliza na sua designação? Que o CDS nada tem a ver com a democracia-cristã europeia, criadora de um estado de bem-estar?
A direita, europeia ou americana, com algumas raras excepções, nada tem de social. Espelha perfeitamente o retrato que dela faz a esquerda: ao serviço dos ricos e contra os pobres, bem como a classe média, cada vez mais proletarizada, usando a linguagem marxista.
Von Mises afirmava que os liberais não deveriam constituir partidos, mas entrar para os partidos democráticos, de direita, centro ou esquerda, e procurar influenciá-los. Não é nesta "nova" direita, herdeira das piores tradições direitistas e conservadoras, que alguém pode pensar defender o liberalismo clássico. Terá de o fazer na sociedade civil, preferencialmente em "think thanks", ou nos partidos socialistas, na esperança de os mesmos seguirem a terceira via, de Clinton, Schroeder, Blair, ou da "praxis" de Lula e do PT, no Brasil.
No plano político, nada os distingue. Romney, em nome da promoção do emprego, quer cortar os impostos pagos pelos ricos, os quais, comparados com os impostos europeus, são bem incentivadores para os empresários. Como contrapartida, pretende acabar com uma série de benefícios sociais concedidos aos pobres, especialmente no campo da saúde, pela administração Obama. Isto para não falar no reaccionarismo social do candidato republicano e do seu nº 2, Paul Ryan, que até afirmam não serem a violação e o incesto motivos para despenalização do aborto.
God save América! Que Obama seja eleito em Novembro!
Pedro Passos Coelho, pelo seu lado, confirmou, com as últimas medidas de austeridade anunciadas, o carácter de classe do seu governo e do PSD.Os trabalhadores passam a descontar mais 7%, por mês, para a segurança social, enquanto o patronato passa a pagar quase menos 6%. São os póprios empresários, como o ex-presidente da CIP, Van Zeller, que afirmam não promover tal decisão a baixa do desemprego.
Quanto a mexidas nas PPP e nas rendas, o executivo fica aquém da troika. Ir mais além da dita, só para os pobres e a classe média. Ainda há dúvidas que a social-democracia morreu no partido que provocatoriamente ainda a utiliza na sua designação? Que o CDS nada tem a ver com a democracia-cristã europeia, criadora de um estado de bem-estar?
A direita, europeia ou americana, com algumas raras excepções, nada tem de social. Espelha perfeitamente o retrato que dela faz a esquerda: ao serviço dos ricos e contra os pobres, bem como a classe média, cada vez mais proletarizada, usando a linguagem marxista.
Von Mises afirmava que os liberais não deveriam constituir partidos, mas entrar para os partidos democráticos, de direita, centro ou esquerda, e procurar influenciá-los. Não é nesta "nova" direita, herdeira das piores tradições direitistas e conservadoras, que alguém pode pensar defender o liberalismo clássico. Terá de o fazer na sociedade civil, preferencialmente em "think thanks", ou nos partidos socialistas, na esperança de os mesmos seguirem a terceira via, de Clinton, Schroeder, Blair, ou da "praxis" de Lula e do PT, no Brasil.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
PORQUE NÃO TRABALHAR 7 DIAS POR SEMANA?
A troika sugeriu que os trabalhadores gregos passem a laborar 6 dias por semana e a ganhar menos.
Na Austrália, a mulher mais rica do mundo afirmou que "está farta da inveja", aconselhando os trabalhadores a "trabalhar mais e beberem menos". Pois, divertimento, só para burgueses como ela! Como dizia o outro, "o que ela quer sei eu".
A troika encontra-se em Portugal. Já descartou responsabilidades no falhanço do cumprimento do défice e no aumento da dívida pública, atirando-as para cima do governo PSD/CDS, que também as tem, sem dúvida alguma. É a paga pelo facto de o governo ser mais papista que o Papa, leia-se, mais troikista que a troika.
Esperamos o que a troika vai sugerir, em meados deste mês, para o cumprimento do seu falhado memorando e respectiva política ultra-liberal, que fará Adam Smith dar voltas no túmulo, na impossibilidade de execrar pessoalmente os seus falsos seguidores como Lenine execrou os ultra-esquerdistas. Estaremos condenados também a ter apenas um dia de descanso por semana? Já agora, para recuperar a tão famigerada competitividade, a qual, nos termos em que é proposta, agrava as desigualdades sociais, porque não propôr 7 dias semanais de trabalho, regredindo, em termos sociais, ao século XIX?
Era este o fim da História a que se referia, há 20 anos, Francis Fukuyama?
Na Austrália, a mulher mais rica do mundo afirmou que "está farta da inveja", aconselhando os trabalhadores a "trabalhar mais e beberem menos". Pois, divertimento, só para burgueses como ela! Como dizia o outro, "o que ela quer sei eu".
A troika encontra-se em Portugal. Já descartou responsabilidades no falhanço do cumprimento do défice e no aumento da dívida pública, atirando-as para cima do governo PSD/CDS, que também as tem, sem dúvida alguma. É a paga pelo facto de o governo ser mais papista que o Papa, leia-se, mais troikista que a troika.
Esperamos o que a troika vai sugerir, em meados deste mês, para o cumprimento do seu falhado memorando e respectiva política ultra-liberal, que fará Adam Smith dar voltas no túmulo, na impossibilidade de execrar pessoalmente os seus falsos seguidores como Lenine execrou os ultra-esquerdistas. Estaremos condenados também a ter apenas um dia de descanso por semana? Já agora, para recuperar a tão famigerada competitividade, a qual, nos termos em que é proposta, agrava as desigualdades sociais, porque não propôr 7 dias semanais de trabalho, regredindo, em termos sociais, ao século XIX?
Era este o fim da História a que se referia, há 20 anos, Francis Fukuyama?
terça-feira, 28 de agosto de 2012
LER SONDAGENS
Segundo a última sondagem publicada no "Expresso", o PSD ganharia eleições, neste momento, com apenas 1 ponto de vantagem sobre o PS (34% - 33%). No entanto, haveria uma clara maioria de esquerda no parlamento. Relativamente ao último acto eleitoral para a A.R., PSD e CDS descem, PS e BE sobem as respectivas votações, e a CDU mantém essencialmente o mesmo score.
No entanto, Pedro Passos Coelho é o mais impopular dos líderes partidários, enquanto Paulo Portas regista o maior apoio, logo seguido, de perto, por António José Seguro.
Cavaco continua a registar uma imagem bastante má, o que não havia acontecido com nenhum outro PR eleito, tal como o parlamento e o governo. A "votação" neste último órgão de soberania é péssima (ultrapassa os 20 pontos negativos).
Desta sondagem pode concluir-se:
1º - analisando a intenção de voto nos partidos, a popularidade dos seus líderes e a imagem do governo, está-se perante um empate técnico, ou seja, tanto poderiam, caso agora se realizassem eleições, vencer as mesmas o PSD como o PS.
2º - Havendo uma maioria de esquerda, PSD e CDS seriam afastados do poder, tendo António José Seguro muitas probabilidades (mais do que Passos Coelho) de ser eleito primeiro-ministro.
3º- A receita governamental e da troika para a crise falhou, o que é claramente perceptível pelo cidadão comum, hoje desiludido com o governo PSD/CDS.
4º- Paulo Portas e o CDS (a descida deste partido é pequena) têm-se resguardado da intempérie que começa a fustigar o governo, pagando as "despesas" apenas o PSD.
5º- Os órgãos de soberania estão desacreditados aos olhos da população.
E, quando aquela sondagem foi publicada, ainda não eram conhecidos os números que apontam para o incumprimento da meta do défice no presente ano, bem como a vergonhosa solução anunciada para a RTP pelo "12º ministro", António Borges...
No entanto, Pedro Passos Coelho é o mais impopular dos líderes partidários, enquanto Paulo Portas regista o maior apoio, logo seguido, de perto, por António José Seguro.
Cavaco continua a registar uma imagem bastante má, o que não havia acontecido com nenhum outro PR eleito, tal como o parlamento e o governo. A "votação" neste último órgão de soberania é péssima (ultrapassa os 20 pontos negativos).
Desta sondagem pode concluir-se:
1º - analisando a intenção de voto nos partidos, a popularidade dos seus líderes e a imagem do governo, está-se perante um empate técnico, ou seja, tanto poderiam, caso agora se realizassem eleições, vencer as mesmas o PSD como o PS.
2º - Havendo uma maioria de esquerda, PSD e CDS seriam afastados do poder, tendo António José Seguro muitas probabilidades (mais do que Passos Coelho) de ser eleito primeiro-ministro.
3º- A receita governamental e da troika para a crise falhou, o que é claramente perceptível pelo cidadão comum, hoje desiludido com o governo PSD/CDS.
4º- Paulo Portas e o CDS (a descida deste partido é pequena) têm-se resguardado da intempérie que começa a fustigar o governo, pagando as "despesas" apenas o PSD.
5º- Os órgãos de soberania estão desacreditados aos olhos da população.
E, quando aquela sondagem foi publicada, ainda não eram conhecidos os números que apontam para o incumprimento da meta do défice no presente ano, bem como a vergonhosa solução anunciada para a RTP pelo "12º ministro", António Borges...
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
PAÍS GOVERNAMENTAL E PAÍS REAL
De há uns anos a esta parte, o país governamental parece viver numa galáxia diferente do país real. Foi assim com José Sócrates, que dizia estarmos sempre no melhor dos mundos até o seu governo se render à troika e perder as eleições que se seguiram ao acordo com a mesma.
Passos Coelho, após o não cumprimento de uma série de promessas feitas na campanha em que venceu aquelas eleições, como nunca cortar o 13º e/ou o 14º mês aos funcionários públicos, ou não aumentar os impostos, veio afirmar no comício realizado recentemente no Algarve que no próximo ano teremos uma inversão na marcha da economia.
Nesse mesmo dia, o desemprego atingia novo record. Segundo as contas do próprio INE, haverá já mais de 1 300 000 portugueses sem trabalho. Sabia-se também que a economia continua a decrescer, prevendo-se para o final do ano uma descida da mesma na ordem dos 3% ou mais do PIB.
O tão falado equilíbrio entre importações e exportações, que não se via desde 1943, deve-se ao aumento da pobreza e miséria. Não importamos mais, porque as empresas (95% delas são PME) e as pessoas não têm dinheiro para o fazer. Por outro lado, segundo afirmava na última edição do "Expresso" o seu director-adjunto, João Garcia, "9% da subida registada nas exportações no primeiro semestre deste ano foram conseguidos pelo disparo na venda de ouro para o estrangeiro. (...) Vendemos ouro em segunda mão; 382 milhões de euros, mais 84% do que no primeiro semestre de 2011. (...) Foi um péssimo negócio para quem a ele recorreu, pois o grama de ouro foi vendido, em regra, a 25 euros, quando nas ourivesarias era comprado a 42, de acordo com a cotação em bolsa. Parte do milagre das exportações foi possível porque alguns ficaram bem mais pobres". Fica assim desmascarado o ouropel do governo relativamente ao chamado equilíbrio da balança de transacções.
A dívida pública continua a aumentar. Para cumprirmos o acordado com a troika relativamente ao défice, em 2012 (4,5%), segundo os entendidos na matéria, teríamos de diminuir o mesmo em 12,5% até ao final do ano. Comentários para quê?
Como pensa - não o disse - o primeiro-ministro conseguir um crescimento económico positivo nesta situação? Acha que pode baixar impostos para atrair investimentos? Afinal, a liberalização da legislação laboral, a roçar, em diversos aspectos o capitalismo selvagem, também não está a ter efeitos práticos. O que espera mais o PM? Proibir as greves e os sindicatos?
Tal como o seu antecessor, Passos Coelho parece viver em outra galáxia. Tal dever-se-á a algum inusitado entusiasmo pelo sucesso da chegada da Curiosity a Marte e posterior divulgação de imagens espectaculares daquele planeta?
PS: Soube hoje pela net que Scott Mackenzie, o cantor de "San Francisco", hino dos hippies, divulgado em 1967, faleceu com 73 anos de idade.
Aquela canção inseriu-se no movimento contestário do conservadorismo social da época, o qual deu um grande contributo para sociedades mais abertas.
Aqui presto a minha homenagem àquele cantor, desejando que descanse em paz.
A tua luta e de tantos outros, Scott, não foi em vão. A melhor homenagem que sucessivas gerações identificadas com essa luta te poderão prestar no presente é continuar o combate por um mundo mais justo, contra o economicismo e a tecnocracia dos comedores de dinheiro, a que se referia o cantor português Adriano Correia de Oliveira, também falecido, os quais dominam o mundo.
Passos Coelho, após o não cumprimento de uma série de promessas feitas na campanha em que venceu aquelas eleições, como nunca cortar o 13º e/ou o 14º mês aos funcionários públicos, ou não aumentar os impostos, veio afirmar no comício realizado recentemente no Algarve que no próximo ano teremos uma inversão na marcha da economia.
Nesse mesmo dia, o desemprego atingia novo record. Segundo as contas do próprio INE, haverá já mais de 1 300 000 portugueses sem trabalho. Sabia-se também que a economia continua a decrescer, prevendo-se para o final do ano uma descida da mesma na ordem dos 3% ou mais do PIB.
O tão falado equilíbrio entre importações e exportações, que não se via desde 1943, deve-se ao aumento da pobreza e miséria. Não importamos mais, porque as empresas (95% delas são PME) e as pessoas não têm dinheiro para o fazer. Por outro lado, segundo afirmava na última edição do "Expresso" o seu director-adjunto, João Garcia, "9% da subida registada nas exportações no primeiro semestre deste ano foram conseguidos pelo disparo na venda de ouro para o estrangeiro. (...) Vendemos ouro em segunda mão; 382 milhões de euros, mais 84% do que no primeiro semestre de 2011. (...) Foi um péssimo negócio para quem a ele recorreu, pois o grama de ouro foi vendido, em regra, a 25 euros, quando nas ourivesarias era comprado a 42, de acordo com a cotação em bolsa. Parte do milagre das exportações foi possível porque alguns ficaram bem mais pobres". Fica assim desmascarado o ouropel do governo relativamente ao chamado equilíbrio da balança de transacções.
A dívida pública continua a aumentar. Para cumprirmos o acordado com a troika relativamente ao défice, em 2012 (4,5%), segundo os entendidos na matéria, teríamos de diminuir o mesmo em 12,5% até ao final do ano. Comentários para quê?
Como pensa - não o disse - o primeiro-ministro conseguir um crescimento económico positivo nesta situação? Acha que pode baixar impostos para atrair investimentos? Afinal, a liberalização da legislação laboral, a roçar, em diversos aspectos o capitalismo selvagem, também não está a ter efeitos práticos. O que espera mais o PM? Proibir as greves e os sindicatos?
Tal como o seu antecessor, Passos Coelho parece viver em outra galáxia. Tal dever-se-á a algum inusitado entusiasmo pelo sucesso da chegada da Curiosity a Marte e posterior divulgação de imagens espectaculares daquele planeta?
PS: Soube hoje pela net que Scott Mackenzie, o cantor de "San Francisco", hino dos hippies, divulgado em 1967, faleceu com 73 anos de idade.
Aquela canção inseriu-se no movimento contestário do conservadorismo social da época, o qual deu um grande contributo para sociedades mais abertas.
Aqui presto a minha homenagem àquele cantor, desejando que descanse em paz.
A tua luta e de tantos outros, Scott, não foi em vão. A melhor homenagem que sucessivas gerações identificadas com essa luta te poderão prestar no presente é continuar o combate por um mundo mais justo, contra o economicismo e a tecnocracia dos comedores de dinheiro, a que se referia o cantor português Adriano Correia de Oliveira, também falecido, os quais dominam o mundo.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
LIGEIREZA E (FALTA DE) CREDIBILIDADE
Em recente conversa televisiva, a ex-dirigente comunista e actual militante do PSD, Zita Seabra, insinuou que o ar condicionado colocado, na década de 80 do século passado, pela FNAC, presidida por Alexandre Alves, militante do PCP, nos ministérios, conteria aparelhos de escuta eventualmente fabricados na então RDA. Mais disse que tais escutas serviriam o seu partido de então.
Zita Seabra não apresentou dados comprovativos das suas afirmações, fazendo lembrar a velha escola que frequentou quando, com falta de provas relativas a qualquer assunto, afirmava: "está mais que provado que..."
Por outro lado, quando o mesmo Alexandre Alves tem um diferendo com o governo presidido pelo líder do partido de Zita Seabra, estas "revelações" vêm mesmo a calhar... Estes métodos aprendem-se na mesma escola, que Passos Coelho também frequentou.
Porque só passado cerca de um quarto de século - a serem verdadeiros os factos, a FNAC e o PCP teriam cometido um crime gravíssimo - Zita faz estas afirmações? Não lhe passa pela cabeça que esta "ligeireza", como lhe chamou Marcelo Rebelo de Sousa na análise de ontem, na TVI, põe em causa a credibilidade de tudo quanto tem dito e escrito sobre o PCP e a URSS que conheceu?
Zita Seabra não apresentou dados comprovativos das suas afirmações, fazendo lembrar a velha escola que frequentou quando, com falta de provas relativas a qualquer assunto, afirmava: "está mais que provado que..."
Por outro lado, quando o mesmo Alexandre Alves tem um diferendo com o governo presidido pelo líder do partido de Zita Seabra, estas "revelações" vêm mesmo a calhar... Estes métodos aprendem-se na mesma escola, que Passos Coelho também frequentou.
Porque só passado cerca de um quarto de século - a serem verdadeiros os factos, a FNAC e o PCP teriam cometido um crime gravíssimo - Zita faz estas afirmações? Não lhe passa pela cabeça que esta "ligeireza", como lhe chamou Marcelo Rebelo de Sousa na análise de ontem, na TVI, põe em causa a credibilidade de tudo quanto tem dito e escrito sobre o PCP e a URSS que conheceu?
O MAIOR PARTIDO DO GOVERNO TEME A POPULAÇÃO?
Desde 1975 que o PSD (então PPD) organiza uma festa no Algarve.
Amanhã, dia 14 de Agosto, tal festa será repetida, não em recinto público, aberta ao povo, como nos anos anteriores, mas num hotel de 4 estrelas.
A que se deve esta mudança para o conforto de um hotel? O PSD tem medo de enfrentar as populações, que onde se deslocam os membros do governo, especialmente o primeiro-ministro, surgem a vaiar os mesmos? Este receio mais do que verosímil contrasta com o "partido das pessoas sem medo", como se auto-afirmava o PPD no PREC.
Recordo que durante a primeira daquelas acções, num clima de pré-guerra civil, o PPD esteve em força no Algarve. Contou-me o Dr. Carlos Matias, ali presente, que umas dezenas de militantes da FUR (Frente Unida Revolucionária), que agrupava a extrema-esquerda, com excepção dos maoistas, tentaram boicotar o comício a que presidia Sá Carneiro. Quando este invectivou "aqueles furiosos", como lhes chamou, os mesmos levaram uma grande corrida e o comício continuou calmamente.
A propósito do encontro de amanhã do partido de Passos Coelho, disse Marcelo Rebelo de Sousa que "o PSD que não está na rua não é o PSD". Tem inteira razão, Professor. Esta atitude medrosa e de afastamento do povo mostra mais uma vez que este já não é o partido que ajudou a lançar e, mais tarde, liderou.
Amanhã, dia 14 de Agosto, tal festa será repetida, não em recinto público, aberta ao povo, como nos anos anteriores, mas num hotel de 4 estrelas.
A que se deve esta mudança para o conforto de um hotel? O PSD tem medo de enfrentar as populações, que onde se deslocam os membros do governo, especialmente o primeiro-ministro, surgem a vaiar os mesmos? Este receio mais do que verosímil contrasta com o "partido das pessoas sem medo", como se auto-afirmava o PPD no PREC.
Recordo que durante a primeira daquelas acções, num clima de pré-guerra civil, o PPD esteve em força no Algarve. Contou-me o Dr. Carlos Matias, ali presente, que umas dezenas de militantes da FUR (Frente Unida Revolucionária), que agrupava a extrema-esquerda, com excepção dos maoistas, tentaram boicotar o comício a que presidia Sá Carneiro. Quando este invectivou "aqueles furiosos", como lhes chamou, os mesmos levaram uma grande corrida e o comício continuou calmamente.
A propósito do encontro de amanhã do partido de Passos Coelho, disse Marcelo Rebelo de Sousa que "o PSD que não está na rua não é o PSD". Tem inteira razão, Professor. Esta atitude medrosa e de afastamento do povo mostra mais uma vez que este já não é o partido que ajudou a lançar e, mais tarde, liderou.
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