De há uns anos a esta parte, o país governamental parece viver numa galáxia diferente do país real. Foi assim com José Sócrates, que dizia estarmos sempre no melhor dos mundos até o seu governo se render à troika e perder as eleições que se seguiram ao acordo com a mesma.
Passos Coelho, após o não cumprimento de uma série de promessas feitas na campanha em que venceu aquelas eleições, como nunca cortar o 13º e/ou o 14º mês aos funcionários públicos, ou não aumentar os impostos, veio afirmar no comício realizado recentemente no Algarve que no próximo ano teremos uma inversão na marcha da economia.
Nesse mesmo dia, o desemprego atingia novo record. Segundo as contas do próprio INE, haverá já mais de 1 300 000 portugueses sem trabalho. Sabia-se também que a economia continua a decrescer, prevendo-se para o final do ano uma descida da mesma na ordem dos 3% ou mais do PIB.
O tão falado equilíbrio entre importações e exportações, que não se via desde 1943, deve-se ao aumento da pobreza e miséria. Não importamos mais, porque as empresas (95% delas são PME) e as pessoas não têm dinheiro para o fazer. Por outro lado, segundo afirmava na última edição do "Expresso" o seu director-adjunto, João Garcia, "9% da subida registada nas exportações no primeiro semestre deste ano foram conseguidos pelo disparo na venda de ouro para o estrangeiro. (...) Vendemos ouro em segunda mão; 382 milhões de euros, mais 84% do que no primeiro semestre de 2011. (...) Foi um péssimo negócio para quem a ele recorreu, pois o grama de ouro foi vendido, em regra, a 25 euros, quando nas ourivesarias era comprado a 42, de acordo com a cotação em bolsa. Parte do milagre das exportações foi possível porque alguns ficaram bem mais pobres". Fica assim desmascarado o ouropel do governo relativamente ao chamado equilíbrio da balança de transacções.
A dívida pública continua a aumentar. Para cumprirmos o acordado com a troika relativamente ao défice, em 2012 (4,5%), segundo os entendidos na matéria, teríamos de diminuir o mesmo em 12,5% até ao final do ano. Comentários para quê?
Como pensa - não o disse - o primeiro-ministro conseguir um crescimento económico positivo nesta situação? Acha que pode baixar impostos para atrair investimentos? Afinal, a liberalização da legislação laboral, a roçar, em diversos aspectos o capitalismo selvagem, também não está a ter efeitos práticos. O que espera mais o PM? Proibir as greves e os sindicatos?
Tal como o seu antecessor, Passos Coelho parece viver em outra galáxia. Tal dever-se-á a algum inusitado entusiasmo pelo sucesso da chegada da Curiosity a Marte e posterior divulgação de imagens espectaculares daquele planeta?
PS: Soube hoje pela net que Scott Mackenzie, o cantor de "San Francisco", hino dos hippies, divulgado em 1967, faleceu com 73 anos de idade.
Aquela canção inseriu-se no movimento contestário do conservadorismo social da época, o qual deu um grande contributo para sociedades mais abertas.
Aqui presto a minha homenagem àquele cantor, desejando que descanse em paz.
A tua luta e de tantos outros, Scott, não foi em vão. A melhor homenagem que sucessivas gerações identificadas com essa luta te poderão prestar no presente é continuar o combate por um mundo mais justo, contra o economicismo e a tecnocracia dos comedores de dinheiro, a que se referia o cantor português Adriano Correia de Oliveira, também falecido, os quais dominam o mundo.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
LIGEIREZA E (FALTA DE) CREDIBILIDADE
Em recente conversa televisiva, a ex-dirigente comunista e actual militante do PSD, Zita Seabra, insinuou que o ar condicionado colocado, na década de 80 do século passado, pela FNAC, presidida por Alexandre Alves, militante do PCP, nos ministérios, conteria aparelhos de escuta eventualmente fabricados na então RDA. Mais disse que tais escutas serviriam o seu partido de então.
Zita Seabra não apresentou dados comprovativos das suas afirmações, fazendo lembrar a velha escola que frequentou quando, com falta de provas relativas a qualquer assunto, afirmava: "está mais que provado que..."
Por outro lado, quando o mesmo Alexandre Alves tem um diferendo com o governo presidido pelo líder do partido de Zita Seabra, estas "revelações" vêm mesmo a calhar... Estes métodos aprendem-se na mesma escola, que Passos Coelho também frequentou.
Porque só passado cerca de um quarto de século - a serem verdadeiros os factos, a FNAC e o PCP teriam cometido um crime gravíssimo - Zita faz estas afirmações? Não lhe passa pela cabeça que esta "ligeireza", como lhe chamou Marcelo Rebelo de Sousa na análise de ontem, na TVI, põe em causa a credibilidade de tudo quanto tem dito e escrito sobre o PCP e a URSS que conheceu?
Zita Seabra não apresentou dados comprovativos das suas afirmações, fazendo lembrar a velha escola que frequentou quando, com falta de provas relativas a qualquer assunto, afirmava: "está mais que provado que..."
Por outro lado, quando o mesmo Alexandre Alves tem um diferendo com o governo presidido pelo líder do partido de Zita Seabra, estas "revelações" vêm mesmo a calhar... Estes métodos aprendem-se na mesma escola, que Passos Coelho também frequentou.
Porque só passado cerca de um quarto de século - a serem verdadeiros os factos, a FNAC e o PCP teriam cometido um crime gravíssimo - Zita faz estas afirmações? Não lhe passa pela cabeça que esta "ligeireza", como lhe chamou Marcelo Rebelo de Sousa na análise de ontem, na TVI, põe em causa a credibilidade de tudo quanto tem dito e escrito sobre o PCP e a URSS que conheceu?
O MAIOR PARTIDO DO GOVERNO TEME A POPULAÇÃO?
Desde 1975 que o PSD (então PPD) organiza uma festa no Algarve.
Amanhã, dia 14 de Agosto, tal festa será repetida, não em recinto público, aberta ao povo, como nos anos anteriores, mas num hotel de 4 estrelas.
A que se deve esta mudança para o conforto de um hotel? O PSD tem medo de enfrentar as populações, que onde se deslocam os membros do governo, especialmente o primeiro-ministro, surgem a vaiar os mesmos? Este receio mais do que verosímil contrasta com o "partido das pessoas sem medo", como se auto-afirmava o PPD no PREC.
Recordo que durante a primeira daquelas acções, num clima de pré-guerra civil, o PPD esteve em força no Algarve. Contou-me o Dr. Carlos Matias, ali presente, que umas dezenas de militantes da FUR (Frente Unida Revolucionária), que agrupava a extrema-esquerda, com excepção dos maoistas, tentaram boicotar o comício a que presidia Sá Carneiro. Quando este invectivou "aqueles furiosos", como lhes chamou, os mesmos levaram uma grande corrida e o comício continuou calmamente.
A propósito do encontro de amanhã do partido de Passos Coelho, disse Marcelo Rebelo de Sousa que "o PSD que não está na rua não é o PSD". Tem inteira razão, Professor. Esta atitude medrosa e de afastamento do povo mostra mais uma vez que este já não é o partido que ajudou a lançar e, mais tarde, liderou.
Amanhã, dia 14 de Agosto, tal festa será repetida, não em recinto público, aberta ao povo, como nos anos anteriores, mas num hotel de 4 estrelas.
A que se deve esta mudança para o conforto de um hotel? O PSD tem medo de enfrentar as populações, que onde se deslocam os membros do governo, especialmente o primeiro-ministro, surgem a vaiar os mesmos? Este receio mais do que verosímil contrasta com o "partido das pessoas sem medo", como se auto-afirmava o PPD no PREC.
Recordo que durante a primeira daquelas acções, num clima de pré-guerra civil, o PPD esteve em força no Algarve. Contou-me o Dr. Carlos Matias, ali presente, que umas dezenas de militantes da FUR (Frente Unida Revolucionária), que agrupava a extrema-esquerda, com excepção dos maoistas, tentaram boicotar o comício a que presidia Sá Carneiro. Quando este invectivou "aqueles furiosos", como lhes chamou, os mesmos levaram uma grande corrida e o comício continuou calmamente.
A propósito do encontro de amanhã do partido de Passos Coelho, disse Marcelo Rebelo de Sousa que "o PSD que não está na rua não é o PSD". Tem inteira razão, Professor. Esta atitude medrosa e de afastamento do povo mostra mais uma vez que este já não é o partido que ajudou a lançar e, mais tarde, liderou.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
MUDAR SEM TRAIR
No ano de 1984, surgiu a revista "Risco", órgão do Clube da Esquerda Liberal, cujo director era João Carlos Espada. O seu lema era "mudar para não trair".
A quase totalidade dos membros daquele clube e redactores da revista eram antigos militantes de extrema-esquerda, especialmente de organizações maoistas.
Naquela época ainda existia a guerra fria, Gorbatchev ainda não era líder da então URSS e o muro de Berlim manter-se-ia erguido mais 5 anos. Na Albânia, ainda se mantinha no poder o marxista-leninista e anti-revisionista Enver Hodxa. Na China, sim, o maoismo tinha mostrado a sua falência após a morte de Mao Tsé Tung.
Aquele grupo de homens e mulheres tinha-se apercebido que as ideologias radicais que defendeu no tempo da ditadura salazarenta, no PREC e já posteriormente, com generosidade, convencidos que lutavam por uma sociedade mais justa, fraterna e solidária, não conduziam ao paraíso terreno, mas ao inferno, em nome da felicidade colectiva. Foi assim com Lenine, com Estaline, com Mao, com Hodxa, com Fidel, com Pol Pot, com Kim Il Sung e tutti quanti. Por isso, mudou para não trair.
Aderiu ao liberalismo progressivo, o qual, em termos práticos, significa capitalismo regulado pela democracia, com submissão do poder económico ao poder político, acompanhado de forte componente social e respeito pelos direitos de quem trabalha. Assim se poderia alcançar não uma sociedade perfeita, porque tal é uma utopia, mas uma sociedade mais justa e inclusiva, como aliás, tinha mostrado a experiência prática de tais ideias em outros países. Por isso se considerava que permanecer na defesa do marxismo-leninismo, isso sim, seria um acto de traição aos ideais generosos da juventude.
Persistir na defesa daqueles princípios - que influenciaram os partidos socialistas da terceira via, com destaque para o Partido Trabalhista Britânico, o Partido Social Democrata Alemão, ou mesmo a prática do Partido do Trabalho, no Brasil, provando que se pode ser de esquerda e defender o capitalismo, desde que o mesmo se revista de um carácter humanista - continua a ser um acto simultaneamente reformista e revolucionário, no sentido de conciliar o desenvolvimento com a justiça.
Apoiar a política desta nova direita anti-social europeia, e, no que nos toca, do governo português, independentemente de se estar no governo, como Nuno Crato, ou não, é um acto de pura traição. Quem andou na extrema-esquerda e apoia o que aí está não passa de um traidor. Assim será julgado pela História.
Post Scriptum: neste momento, todos os partidos portugueses, especialmente os do arco constitucional, estão afastados do liberalismo progressivo veiculado pelo Clube da Esquerda Liberal. O CDS é bastante conservador. O "liberalismo " do PSD nada tem a ver com os princípios defendidos por Adam Smith, Schumpeter, Hayek, Karl Popper, Raymond Aron e tantos outros, pois este partido trocou a mobilidade e ascenção sociais, que eram seu apanágio desde 1974, por uma política classista, a favor dos "de cima", estando já à direita do CDS. O PS, apesar de aceitar a economia de mercado, continua a ter um forte pendor estatizante e a recusar qualquer reforma do estado social.
Os liberais que ainda permanecem nesses partidos deverão lutar dentro dos mesmos pelas suas ideias, como dizia o grande mestre do liberalismo, Von Mises. Os liberais que não pertencem a qualquer partido, como é o meu caso, terão que se bater pelos seus princípios fora do sistema, em grupos de reflexão, ou usando os meios de comunicação disponíveis.
A quase totalidade dos membros daquele clube e redactores da revista eram antigos militantes de extrema-esquerda, especialmente de organizações maoistas.
Naquela época ainda existia a guerra fria, Gorbatchev ainda não era líder da então URSS e o muro de Berlim manter-se-ia erguido mais 5 anos. Na Albânia, ainda se mantinha no poder o marxista-leninista e anti-revisionista Enver Hodxa. Na China, sim, o maoismo tinha mostrado a sua falência após a morte de Mao Tsé Tung.
Aquele grupo de homens e mulheres tinha-se apercebido que as ideologias radicais que defendeu no tempo da ditadura salazarenta, no PREC e já posteriormente, com generosidade, convencidos que lutavam por uma sociedade mais justa, fraterna e solidária, não conduziam ao paraíso terreno, mas ao inferno, em nome da felicidade colectiva. Foi assim com Lenine, com Estaline, com Mao, com Hodxa, com Fidel, com Pol Pot, com Kim Il Sung e tutti quanti. Por isso, mudou para não trair.
Aderiu ao liberalismo progressivo, o qual, em termos práticos, significa capitalismo regulado pela democracia, com submissão do poder económico ao poder político, acompanhado de forte componente social e respeito pelos direitos de quem trabalha. Assim se poderia alcançar não uma sociedade perfeita, porque tal é uma utopia, mas uma sociedade mais justa e inclusiva, como aliás, tinha mostrado a experiência prática de tais ideias em outros países. Por isso se considerava que permanecer na defesa do marxismo-leninismo, isso sim, seria um acto de traição aos ideais generosos da juventude.
Persistir na defesa daqueles princípios - que influenciaram os partidos socialistas da terceira via, com destaque para o Partido Trabalhista Britânico, o Partido Social Democrata Alemão, ou mesmo a prática do Partido do Trabalho, no Brasil, provando que se pode ser de esquerda e defender o capitalismo, desde que o mesmo se revista de um carácter humanista - continua a ser um acto simultaneamente reformista e revolucionário, no sentido de conciliar o desenvolvimento com a justiça.
Apoiar a política desta nova direita anti-social europeia, e, no que nos toca, do governo português, independentemente de se estar no governo, como Nuno Crato, ou não, é um acto de pura traição. Quem andou na extrema-esquerda e apoia o que aí está não passa de um traidor. Assim será julgado pela História.
Post Scriptum: neste momento, todos os partidos portugueses, especialmente os do arco constitucional, estão afastados do liberalismo progressivo veiculado pelo Clube da Esquerda Liberal. O CDS é bastante conservador. O "liberalismo " do PSD nada tem a ver com os princípios defendidos por Adam Smith, Schumpeter, Hayek, Karl Popper, Raymond Aron e tantos outros, pois este partido trocou a mobilidade e ascenção sociais, que eram seu apanágio desde 1974, por uma política classista, a favor dos "de cima", estando já à direita do CDS. O PS, apesar de aceitar a economia de mercado, continua a ter um forte pendor estatizante e a recusar qualquer reforma do estado social.
Os liberais que ainda permanecem nesses partidos deverão lutar dentro dos mesmos pelas suas ideias, como dizia o grande mestre do liberalismo, Von Mises. Os liberais que não pertencem a qualquer partido, como é o meu caso, terão que se bater pelos seus princípios fora do sistema, em grupos de reflexão, ou usando os meios de comunicação disponíveis.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
O DISCURSO DE ALMADA
No Verão de 1975, o então primeiro-ministro do V governo provisório, general Vasco Gonçalves, ao ser contestado pela esmagadora maioria dos portugueses e também pela maioria dos militares de Abril, apoiantes dos "nove", fez um discurso desesperado em Almada. O seu fim estava para breve.
Passadas poucas semanas, demitia-se do cargo que exercia, sendo substituido pelo almirante Pinheiro de Azevedo, militar moderado. O VI governo provisório foi constituido maioritariamente por militantes do PS e do então PPD, tendo o PCP uma pasta no mesmo.
Aquele discurso veio-nos à memória, nos últimos tempos, ao ouvir Passos Coelho, antigo "compagnon de route" do general Vasco, quando, ainda que fugazmente, passou pelo PCP e pela JCP.
O seu projecto de "ajustamento" falhou, como mostram o aumento do défice e da dívida pública. Constatando tal facto, passou a proferir uma linguagem típica de café ou taberna de subúrbio e demonstrativa de desespero. Pressentirá que estará para lhe acontecer o mesmo que a Vasco Gonçalves? Que a troika e as instituições comunitárias lhe tirarão o tapete como a anteriores chefes de governo grego e italiano?
Passadas poucas semanas, demitia-se do cargo que exercia, sendo substituido pelo almirante Pinheiro de Azevedo, militar moderado. O VI governo provisório foi constituido maioritariamente por militantes do PS e do então PPD, tendo o PCP uma pasta no mesmo.
Aquele discurso veio-nos à memória, nos últimos tempos, ao ouvir Passos Coelho, antigo "compagnon de route" do general Vasco, quando, ainda que fugazmente, passou pelo PCP e pela JCP.
O seu projecto de "ajustamento" falhou, como mostram o aumento do défice e da dívida pública. Constatando tal facto, passou a proferir uma linguagem típica de café ou taberna de subúrbio e demonstrativa de desespero. Pressentirá que estará para lhe acontecer o mesmo que a Vasco Gonçalves? Que a troika e as instituições comunitárias lhe tirarão o tapete como a anteriores chefes de governo grego e italiano?
sexta-feira, 13 de julho de 2012
VELHOS SEM PRESENTE, JOVENS SEM FUTURO
Uma das frases mais célebres de Francisco Sá Carneiro, na segunda metade da década de 70 do século passado, era a seguinte: "Portugal é um país onde os velhos não têm presente e os jovens não têm futuro".
A luta de Sá Carneiro contra o socialismo terceiro-mundista, no plano económico e em alguns aspectos políticos, consignado na Constituição aprovada em 1976, era por um capitalismo de rosto humano, regulado pelo regime democrático, que não fosse um objectivo, mas um meio para tornar Portugal num país próspero e desenvolvido, com justiça social, de onde fossem erradicadas a pobreza e a miséria. Combatia o igualitarismo, mas defendia a igualdade de oportunidades. Era pelo mérito, mas sempre conjugado com a justiça social, ou, como diria o "papa" do liberalismo económico, Adam Smith, deturpado pelo actual poder passista/portista, com uma rede social abaixo da qual ninguém caia.
Não é necessária grande formação política e ideológica, ou um curso superior obtido na Lusófona, ainda que feito num ano e com apenas 4 disciplinas, para ver que o actual PSD nada tem a ver com aqueles princípios. O Partido Social Democrata morreu, sendo fundado, em seu lugar, um partido neo-liberal, deturpador da ideologia fundacional do conceito moderno de democracia, conservador e reaccionário, como demonstram muitas medidas tomadas recentemente pelo mesmo.
Contrariamente ao "sá carneirismo", o "passismo" não tem preocupações de carácter social. O elevado desemprego, a miséria e fome que se fazem sentir, principalmente nos grandes meios, a proletarização da classe média, o abandono da universidade por alunos com poucos recursos (ainda se lembra, Doutor Nuno Crato, quando berrava por um ensino ao serviço do povo? Renegar o marxismo-leninismo-maoismo, como eu também fiz, é uma virtude. Esquecer os aspectos positivos do marxismo e da tradição da esquerda, em geral, inscritos na matriz original do PSD e que o capitalismo inteligente do pós-segunda guerra mundial endossou, é um acto de traição, sim, à generosidade com que defendemos ideais errados no passado e que nos levou a defender a democracia liberal, mas também social) não preocupam Passos e "sus muchachos".
O PSD é um partido claramente à direita do próprio CDS. A pessoa mais à esquerda no actual governo, é, sem dúvida, a ministra Assunção Cristas, que se bate por uma reforma agrária democrática, como se vê pela sua política relativamente ao banco de terras.
Recentemente, o bispo mais odiado pela direita, D. Januário Torgal Ferreira, ao denunciar a política anti-social - e que só tem agravado a crise financeira - do governo, demonstrou, por A+B, que a mesma nada tem a ver com o "sá carneirismo", pois, segundo afirmou, conheceu o primeiro líder do PSD em realizações da Igreja Católica antes do 25 de Abril, onde o mesmo mostrava uma grande preocupação com os mais pobres e desfavorecidos.
Está explicado porque este poder não gosta deste bispo. Os motivos são, em situações históricas diferentes, os mesmos pelos quais os poderosos de há dois milénios perseguiram e mataram Jesus Cristo. Para estes falsos sociais democratas, falar de justiça social, solidariedade e opção pelos pobres, é ser um "perigoso esquerdista".
Como, com esta idade, já vi muita coisa, pouco ou nada me faz admirar. Muito menos que este PSD venha, quando tiver condições para isso, a apelidar também Sá Carneiro de "perigoso esquerdista" e a social-democracia de ideologia revolucionária e inimiga do que pensam ser liberalismo. Ah! Ainda eles, provavelmente, não sabem nem sonham, como diria António Gedeão, que os bolcheviques, liderados por Lenine, autores da primeira revolução comunista vitoriosa no mundo, sairam do POSDR (Partido Operário Social-Democrata Russo), ou que os espartaquistas alemães (comunistas), de Rosa Luxemburgo e Karl Libknecht, também sairam do velho SPD do país hoje dominante na UE. Mas, para que certas mentes não fiquem confusas, eu esclareço-as: após o falhanço da Comuna de Paris, em 1871, Marx defendeu a entrada dos comunistas para os partidos socialistas e sociais-democratas, para melhor se protegerem da repressão que sobre os mesmos se fez abater. Daí que a genaralidade dos partidos comunistas tenham saído daqueles partidos no final da década de 10 e na década de 20, no século XX, após a vitória dos bolcheviques.
A luta de Sá Carneiro contra o socialismo terceiro-mundista, no plano económico e em alguns aspectos políticos, consignado na Constituição aprovada em 1976, era por um capitalismo de rosto humano, regulado pelo regime democrático, que não fosse um objectivo, mas um meio para tornar Portugal num país próspero e desenvolvido, com justiça social, de onde fossem erradicadas a pobreza e a miséria. Combatia o igualitarismo, mas defendia a igualdade de oportunidades. Era pelo mérito, mas sempre conjugado com a justiça social, ou, como diria o "papa" do liberalismo económico, Adam Smith, deturpado pelo actual poder passista/portista, com uma rede social abaixo da qual ninguém caia.
Não é necessária grande formação política e ideológica, ou um curso superior obtido na Lusófona, ainda que feito num ano e com apenas 4 disciplinas, para ver que o actual PSD nada tem a ver com aqueles princípios. O Partido Social Democrata morreu, sendo fundado, em seu lugar, um partido neo-liberal, deturpador da ideologia fundacional do conceito moderno de democracia, conservador e reaccionário, como demonstram muitas medidas tomadas recentemente pelo mesmo.
Contrariamente ao "sá carneirismo", o "passismo" não tem preocupações de carácter social. O elevado desemprego, a miséria e fome que se fazem sentir, principalmente nos grandes meios, a proletarização da classe média, o abandono da universidade por alunos com poucos recursos (ainda se lembra, Doutor Nuno Crato, quando berrava por um ensino ao serviço do povo? Renegar o marxismo-leninismo-maoismo, como eu também fiz, é uma virtude. Esquecer os aspectos positivos do marxismo e da tradição da esquerda, em geral, inscritos na matriz original do PSD e que o capitalismo inteligente do pós-segunda guerra mundial endossou, é um acto de traição, sim, à generosidade com que defendemos ideais errados no passado e que nos levou a defender a democracia liberal, mas também social) não preocupam Passos e "sus muchachos".
O PSD é um partido claramente à direita do próprio CDS. A pessoa mais à esquerda no actual governo, é, sem dúvida, a ministra Assunção Cristas, que se bate por uma reforma agrária democrática, como se vê pela sua política relativamente ao banco de terras.
Recentemente, o bispo mais odiado pela direita, D. Januário Torgal Ferreira, ao denunciar a política anti-social - e que só tem agravado a crise financeira - do governo, demonstrou, por A+B, que a mesma nada tem a ver com o "sá carneirismo", pois, segundo afirmou, conheceu o primeiro líder do PSD em realizações da Igreja Católica antes do 25 de Abril, onde o mesmo mostrava uma grande preocupação com os mais pobres e desfavorecidos.
Está explicado porque este poder não gosta deste bispo. Os motivos são, em situações históricas diferentes, os mesmos pelos quais os poderosos de há dois milénios perseguiram e mataram Jesus Cristo. Para estes falsos sociais democratas, falar de justiça social, solidariedade e opção pelos pobres, é ser um "perigoso esquerdista".
Como, com esta idade, já vi muita coisa, pouco ou nada me faz admirar. Muito menos que este PSD venha, quando tiver condições para isso, a apelidar também Sá Carneiro de "perigoso esquerdista" e a social-democracia de ideologia revolucionária e inimiga do que pensam ser liberalismo. Ah! Ainda eles, provavelmente, não sabem nem sonham, como diria António Gedeão, que os bolcheviques, liderados por Lenine, autores da primeira revolução comunista vitoriosa no mundo, sairam do POSDR (Partido Operário Social-Democrata Russo), ou que os espartaquistas alemães (comunistas), de Rosa Luxemburgo e Karl Libknecht, também sairam do velho SPD do país hoje dominante na UE. Mas, para que certas mentes não fiquem confusas, eu esclareço-as: após o falhanço da Comuna de Paris, em 1871, Marx defendeu a entrada dos comunistas para os partidos socialistas e sociais-democratas, para melhor se protegerem da repressão que sobre os mesmos se fez abater. Daí que a genaralidade dos partidos comunistas tenham saído daqueles partidos no final da década de 10 e na década de 20, no século XX, após a vitória dos bolcheviques.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
DEPOIS DE SÓCRATES, RELVAS
Há alguns anos, o PSD, na oposição, usou como tema de campanha contra Sócrates a sua licenciatura na Universidade Independente, entretanto encerrada. Tinha razão aquele partido. Completar disciplinas ao fim de semana e numa simples folha A-4, é, no mínimo, duvidoso.
Idêntica nódoa atinge o actual governo PSD/CDS. O ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, licenciou-se em Ciência Política e Relações Internacionais, na Universidade Lusófona, em apenas 1 ano, tendo sido aprovado em 4 disciplinas, num curso que tem a duração de 3 anos, com 36 disciplinas. Aquela universidade teve em conta o "curriculum" profissional e a frequência universitária do ministro Relvas para lhe atribuir a licenciatura.
A frequência universitária do sr. Relvas é a seguinte: matriculou-se nos cursos de Direito, Relações Internacionais e História. Concluiu apenas uma disciplina no primeiro daqueles cursos, com a nota mínima (10 valores), e em nenhuma disciplina foi aprovado nos outros cursos. Quanto a experiência "profissional", Relvas passou pela política e trabalhou numa empresa que nada tem a ver com o curso que lhe foi oferecido(é o termo apropriado).
Esta situação é ofensiva de quem andou 4, 5 ou 6 anos, especialmente trabalhadores estudantes, a estudar e a gastar dinheiro numa Faculdade.
Só um pacóvio que não sabe o que é uma universidade pode aceitar esta situação. Como é possível o primeiro ministro, que, segundo o "Correio da Manhã", completou o curso de Economia em tempo normal e com boas notas, poder pactuar com isto? Como pode aceitar tantos "lapsos" deste homem, que em 1985 mentiu à AR, quando para a qual foi eleito deputado pela primeira vez, afirmando ter obtido frequência do 2º ano de Direito e se "esquece" de um almoço com esse exemplo de isenção e honestidade, como o anterior director do SIED, há pouco mais de um ano?
As sondagens, as vaias a Passos Coelho e seus ajudantes - bem como ao PR - são significativas do descontentamento popular. A "paciência" dos portugueses está a esgotar-se.
Desconheço os gostos musicais de Pedro Passos Coelho. Não sei se continuará a gostar da música das "Doce", com uma das quais foi casado. Seria bom que ouvisse uma canção com quase 50 anos, de Paul Simon e Art Garfunkel: "the sounds of silence", que a determinada altura diz "o silêncio, como o cancro, cresce"...
Idêntica nódoa atinge o actual governo PSD/CDS. O ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, licenciou-se em Ciência Política e Relações Internacionais, na Universidade Lusófona, em apenas 1 ano, tendo sido aprovado em 4 disciplinas, num curso que tem a duração de 3 anos, com 36 disciplinas. Aquela universidade teve em conta o "curriculum" profissional e a frequência universitária do ministro Relvas para lhe atribuir a licenciatura.
A frequência universitária do sr. Relvas é a seguinte: matriculou-se nos cursos de Direito, Relações Internacionais e História. Concluiu apenas uma disciplina no primeiro daqueles cursos, com a nota mínima (10 valores), e em nenhuma disciplina foi aprovado nos outros cursos. Quanto a experiência "profissional", Relvas passou pela política e trabalhou numa empresa que nada tem a ver com o curso que lhe foi oferecido(é o termo apropriado).
Esta situação é ofensiva de quem andou 4, 5 ou 6 anos, especialmente trabalhadores estudantes, a estudar e a gastar dinheiro numa Faculdade.
Só um pacóvio que não sabe o que é uma universidade pode aceitar esta situação. Como é possível o primeiro ministro, que, segundo o "Correio da Manhã", completou o curso de Economia em tempo normal e com boas notas, poder pactuar com isto? Como pode aceitar tantos "lapsos" deste homem, que em 1985 mentiu à AR, quando para a qual foi eleito deputado pela primeira vez, afirmando ter obtido frequência do 2º ano de Direito e se "esquece" de um almoço com esse exemplo de isenção e honestidade, como o anterior director do SIED, há pouco mais de um ano?
As sondagens, as vaias a Passos Coelho e seus ajudantes - bem como ao PR - são significativas do descontentamento popular. A "paciência" dos portugueses está a esgotar-se.
Desconheço os gostos musicais de Pedro Passos Coelho. Não sei se continuará a gostar da música das "Doce", com uma das quais foi casado. Seria bom que ouvisse uma canção com quase 50 anos, de Paul Simon e Art Garfunkel: "the sounds of silence", que a determinada altura diz "o silêncio, como o cancro, cresce"...
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