No ano de 1984, surgiu a revista "Risco", órgão do Clube da Esquerda Liberal, cujo director era João Carlos Espada. O seu lema era "mudar para não trair".
A quase totalidade dos membros daquele clube e redactores da revista eram antigos militantes de extrema-esquerda, especialmente de organizações maoistas.
Naquela época ainda existia a guerra fria, Gorbatchev ainda não era líder da então URSS e o muro de Berlim manter-se-ia erguido mais 5 anos. Na Albânia, ainda se mantinha no poder o marxista-leninista e anti-revisionista Enver Hodxa. Na China, sim, o maoismo tinha mostrado a sua falência após a morte de Mao Tsé Tung.
Aquele grupo de homens e mulheres tinha-se apercebido que as ideologias radicais que defendeu no tempo da ditadura salazarenta, no PREC e já posteriormente, com generosidade, convencidos que lutavam por uma sociedade mais justa, fraterna e solidária, não conduziam ao paraíso terreno, mas ao inferno, em nome da felicidade colectiva. Foi assim com Lenine, com Estaline, com Mao, com Hodxa, com Fidel, com Pol Pot, com Kim Il Sung e tutti quanti. Por isso, mudou para não trair.
Aderiu ao liberalismo progressivo, o qual, em termos práticos, significa capitalismo regulado pela democracia, com submissão do poder económico ao poder político, acompanhado de forte componente social e respeito pelos direitos de quem trabalha. Assim se poderia alcançar não uma sociedade perfeita, porque tal é uma utopia, mas uma sociedade mais justa e inclusiva, como aliás, tinha mostrado a experiência prática de tais ideias em outros países. Por isso se considerava que permanecer na defesa do marxismo-leninismo, isso sim, seria um acto de traição aos ideais generosos da juventude.
Persistir na defesa daqueles princípios - que influenciaram os partidos socialistas da terceira via, com destaque para o Partido Trabalhista Britânico, o Partido Social Democrata Alemão, ou mesmo a prática do Partido do Trabalho, no Brasil, provando que se pode ser de esquerda e defender o capitalismo, desde que o mesmo se revista de um carácter humanista - continua a ser um acto simultaneamente reformista e revolucionário, no sentido de conciliar o desenvolvimento com a justiça.
Apoiar a política desta nova direita anti-social europeia, e, no que nos toca, do governo português, independentemente de se estar no governo, como Nuno Crato, ou não, é um acto de pura traição. Quem andou na extrema-esquerda e apoia o que aí está não passa de um traidor. Assim será julgado pela História.
Post Scriptum: neste momento, todos os partidos portugueses, especialmente os do arco constitucional, estão afastados do liberalismo progressivo veiculado pelo Clube da Esquerda Liberal. O CDS é bastante conservador. O "liberalismo " do PSD nada tem a ver com os princípios defendidos por Adam Smith, Schumpeter, Hayek, Karl Popper, Raymond Aron e tantos outros, pois este partido trocou a mobilidade e ascenção sociais, que eram seu apanágio desde 1974, por uma política classista, a favor dos "de cima", estando já à direita do CDS. O PS, apesar de aceitar a economia de mercado, continua a ter um forte pendor estatizante e a recusar qualquer reforma do estado social.
Os liberais que ainda permanecem nesses partidos deverão lutar dentro dos mesmos pelas suas ideias, como dizia o grande mestre do liberalismo, Von Mises. Os liberais que não pertencem a qualquer partido, como é o meu caso, terão que se bater pelos seus princípios fora do sistema, em grupos de reflexão, ou usando os meios de comunicação disponíveis.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
segunda-feira, 30 de julho de 2012
O DISCURSO DE ALMADA
No Verão de 1975, o então primeiro-ministro do V governo provisório, general Vasco Gonçalves, ao ser contestado pela esmagadora maioria dos portugueses e também pela maioria dos militares de Abril, apoiantes dos "nove", fez um discurso desesperado em Almada. O seu fim estava para breve.
Passadas poucas semanas, demitia-se do cargo que exercia, sendo substituido pelo almirante Pinheiro de Azevedo, militar moderado. O VI governo provisório foi constituido maioritariamente por militantes do PS e do então PPD, tendo o PCP uma pasta no mesmo.
Aquele discurso veio-nos à memória, nos últimos tempos, ao ouvir Passos Coelho, antigo "compagnon de route" do general Vasco, quando, ainda que fugazmente, passou pelo PCP e pela JCP.
O seu projecto de "ajustamento" falhou, como mostram o aumento do défice e da dívida pública. Constatando tal facto, passou a proferir uma linguagem típica de café ou taberna de subúrbio e demonstrativa de desespero. Pressentirá que estará para lhe acontecer o mesmo que a Vasco Gonçalves? Que a troika e as instituições comunitárias lhe tirarão o tapete como a anteriores chefes de governo grego e italiano?
Passadas poucas semanas, demitia-se do cargo que exercia, sendo substituido pelo almirante Pinheiro de Azevedo, militar moderado. O VI governo provisório foi constituido maioritariamente por militantes do PS e do então PPD, tendo o PCP uma pasta no mesmo.
Aquele discurso veio-nos à memória, nos últimos tempos, ao ouvir Passos Coelho, antigo "compagnon de route" do general Vasco, quando, ainda que fugazmente, passou pelo PCP e pela JCP.
O seu projecto de "ajustamento" falhou, como mostram o aumento do défice e da dívida pública. Constatando tal facto, passou a proferir uma linguagem típica de café ou taberna de subúrbio e demonstrativa de desespero. Pressentirá que estará para lhe acontecer o mesmo que a Vasco Gonçalves? Que a troika e as instituições comunitárias lhe tirarão o tapete como a anteriores chefes de governo grego e italiano?
sexta-feira, 13 de julho de 2012
VELHOS SEM PRESENTE, JOVENS SEM FUTURO
Uma das frases mais célebres de Francisco Sá Carneiro, na segunda metade da década de 70 do século passado, era a seguinte: "Portugal é um país onde os velhos não têm presente e os jovens não têm futuro".
A luta de Sá Carneiro contra o socialismo terceiro-mundista, no plano económico e em alguns aspectos políticos, consignado na Constituição aprovada em 1976, era por um capitalismo de rosto humano, regulado pelo regime democrático, que não fosse um objectivo, mas um meio para tornar Portugal num país próspero e desenvolvido, com justiça social, de onde fossem erradicadas a pobreza e a miséria. Combatia o igualitarismo, mas defendia a igualdade de oportunidades. Era pelo mérito, mas sempre conjugado com a justiça social, ou, como diria o "papa" do liberalismo económico, Adam Smith, deturpado pelo actual poder passista/portista, com uma rede social abaixo da qual ninguém caia.
Não é necessária grande formação política e ideológica, ou um curso superior obtido na Lusófona, ainda que feito num ano e com apenas 4 disciplinas, para ver que o actual PSD nada tem a ver com aqueles princípios. O Partido Social Democrata morreu, sendo fundado, em seu lugar, um partido neo-liberal, deturpador da ideologia fundacional do conceito moderno de democracia, conservador e reaccionário, como demonstram muitas medidas tomadas recentemente pelo mesmo.
Contrariamente ao "sá carneirismo", o "passismo" não tem preocupações de carácter social. O elevado desemprego, a miséria e fome que se fazem sentir, principalmente nos grandes meios, a proletarização da classe média, o abandono da universidade por alunos com poucos recursos (ainda se lembra, Doutor Nuno Crato, quando berrava por um ensino ao serviço do povo? Renegar o marxismo-leninismo-maoismo, como eu também fiz, é uma virtude. Esquecer os aspectos positivos do marxismo e da tradição da esquerda, em geral, inscritos na matriz original do PSD e que o capitalismo inteligente do pós-segunda guerra mundial endossou, é um acto de traição, sim, à generosidade com que defendemos ideais errados no passado e que nos levou a defender a democracia liberal, mas também social) não preocupam Passos e "sus muchachos".
O PSD é um partido claramente à direita do próprio CDS. A pessoa mais à esquerda no actual governo, é, sem dúvida, a ministra Assunção Cristas, que se bate por uma reforma agrária democrática, como se vê pela sua política relativamente ao banco de terras.
Recentemente, o bispo mais odiado pela direita, D. Januário Torgal Ferreira, ao denunciar a política anti-social - e que só tem agravado a crise financeira - do governo, demonstrou, por A+B, que a mesma nada tem a ver com o "sá carneirismo", pois, segundo afirmou, conheceu o primeiro líder do PSD em realizações da Igreja Católica antes do 25 de Abril, onde o mesmo mostrava uma grande preocupação com os mais pobres e desfavorecidos.
Está explicado porque este poder não gosta deste bispo. Os motivos são, em situações históricas diferentes, os mesmos pelos quais os poderosos de há dois milénios perseguiram e mataram Jesus Cristo. Para estes falsos sociais democratas, falar de justiça social, solidariedade e opção pelos pobres, é ser um "perigoso esquerdista".
Como, com esta idade, já vi muita coisa, pouco ou nada me faz admirar. Muito menos que este PSD venha, quando tiver condições para isso, a apelidar também Sá Carneiro de "perigoso esquerdista" e a social-democracia de ideologia revolucionária e inimiga do que pensam ser liberalismo. Ah! Ainda eles, provavelmente, não sabem nem sonham, como diria António Gedeão, que os bolcheviques, liderados por Lenine, autores da primeira revolução comunista vitoriosa no mundo, sairam do POSDR (Partido Operário Social-Democrata Russo), ou que os espartaquistas alemães (comunistas), de Rosa Luxemburgo e Karl Libknecht, também sairam do velho SPD do país hoje dominante na UE. Mas, para que certas mentes não fiquem confusas, eu esclareço-as: após o falhanço da Comuna de Paris, em 1871, Marx defendeu a entrada dos comunistas para os partidos socialistas e sociais-democratas, para melhor se protegerem da repressão que sobre os mesmos se fez abater. Daí que a genaralidade dos partidos comunistas tenham saído daqueles partidos no final da década de 10 e na década de 20, no século XX, após a vitória dos bolcheviques.
A luta de Sá Carneiro contra o socialismo terceiro-mundista, no plano económico e em alguns aspectos políticos, consignado na Constituição aprovada em 1976, era por um capitalismo de rosto humano, regulado pelo regime democrático, que não fosse um objectivo, mas um meio para tornar Portugal num país próspero e desenvolvido, com justiça social, de onde fossem erradicadas a pobreza e a miséria. Combatia o igualitarismo, mas defendia a igualdade de oportunidades. Era pelo mérito, mas sempre conjugado com a justiça social, ou, como diria o "papa" do liberalismo económico, Adam Smith, deturpado pelo actual poder passista/portista, com uma rede social abaixo da qual ninguém caia.
Não é necessária grande formação política e ideológica, ou um curso superior obtido na Lusófona, ainda que feito num ano e com apenas 4 disciplinas, para ver que o actual PSD nada tem a ver com aqueles princípios. O Partido Social Democrata morreu, sendo fundado, em seu lugar, um partido neo-liberal, deturpador da ideologia fundacional do conceito moderno de democracia, conservador e reaccionário, como demonstram muitas medidas tomadas recentemente pelo mesmo.
Contrariamente ao "sá carneirismo", o "passismo" não tem preocupações de carácter social. O elevado desemprego, a miséria e fome que se fazem sentir, principalmente nos grandes meios, a proletarização da classe média, o abandono da universidade por alunos com poucos recursos (ainda se lembra, Doutor Nuno Crato, quando berrava por um ensino ao serviço do povo? Renegar o marxismo-leninismo-maoismo, como eu também fiz, é uma virtude. Esquecer os aspectos positivos do marxismo e da tradição da esquerda, em geral, inscritos na matriz original do PSD e que o capitalismo inteligente do pós-segunda guerra mundial endossou, é um acto de traição, sim, à generosidade com que defendemos ideais errados no passado e que nos levou a defender a democracia liberal, mas também social) não preocupam Passos e "sus muchachos".
O PSD é um partido claramente à direita do próprio CDS. A pessoa mais à esquerda no actual governo, é, sem dúvida, a ministra Assunção Cristas, que se bate por uma reforma agrária democrática, como se vê pela sua política relativamente ao banco de terras.
Recentemente, o bispo mais odiado pela direita, D. Januário Torgal Ferreira, ao denunciar a política anti-social - e que só tem agravado a crise financeira - do governo, demonstrou, por A+B, que a mesma nada tem a ver com o "sá carneirismo", pois, segundo afirmou, conheceu o primeiro líder do PSD em realizações da Igreja Católica antes do 25 de Abril, onde o mesmo mostrava uma grande preocupação com os mais pobres e desfavorecidos.
Está explicado porque este poder não gosta deste bispo. Os motivos são, em situações históricas diferentes, os mesmos pelos quais os poderosos de há dois milénios perseguiram e mataram Jesus Cristo. Para estes falsos sociais democratas, falar de justiça social, solidariedade e opção pelos pobres, é ser um "perigoso esquerdista".
Como, com esta idade, já vi muita coisa, pouco ou nada me faz admirar. Muito menos que este PSD venha, quando tiver condições para isso, a apelidar também Sá Carneiro de "perigoso esquerdista" e a social-democracia de ideologia revolucionária e inimiga do que pensam ser liberalismo. Ah! Ainda eles, provavelmente, não sabem nem sonham, como diria António Gedeão, que os bolcheviques, liderados por Lenine, autores da primeira revolução comunista vitoriosa no mundo, sairam do POSDR (Partido Operário Social-Democrata Russo), ou que os espartaquistas alemães (comunistas), de Rosa Luxemburgo e Karl Libknecht, também sairam do velho SPD do país hoje dominante na UE. Mas, para que certas mentes não fiquem confusas, eu esclareço-as: após o falhanço da Comuna de Paris, em 1871, Marx defendeu a entrada dos comunistas para os partidos socialistas e sociais-democratas, para melhor se protegerem da repressão que sobre os mesmos se fez abater. Daí que a genaralidade dos partidos comunistas tenham saído daqueles partidos no final da década de 10 e na década de 20, no século XX, após a vitória dos bolcheviques.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
DEPOIS DE SÓCRATES, RELVAS
Há alguns anos, o PSD, na oposição, usou como tema de campanha contra Sócrates a sua licenciatura na Universidade Independente, entretanto encerrada. Tinha razão aquele partido. Completar disciplinas ao fim de semana e numa simples folha A-4, é, no mínimo, duvidoso.
Idêntica nódoa atinge o actual governo PSD/CDS. O ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, licenciou-se em Ciência Política e Relações Internacionais, na Universidade Lusófona, em apenas 1 ano, tendo sido aprovado em 4 disciplinas, num curso que tem a duração de 3 anos, com 36 disciplinas. Aquela universidade teve em conta o "curriculum" profissional e a frequência universitária do ministro Relvas para lhe atribuir a licenciatura.
A frequência universitária do sr. Relvas é a seguinte: matriculou-se nos cursos de Direito, Relações Internacionais e História. Concluiu apenas uma disciplina no primeiro daqueles cursos, com a nota mínima (10 valores), e em nenhuma disciplina foi aprovado nos outros cursos. Quanto a experiência "profissional", Relvas passou pela política e trabalhou numa empresa que nada tem a ver com o curso que lhe foi oferecido(é o termo apropriado).
Esta situação é ofensiva de quem andou 4, 5 ou 6 anos, especialmente trabalhadores estudantes, a estudar e a gastar dinheiro numa Faculdade.
Só um pacóvio que não sabe o que é uma universidade pode aceitar esta situação. Como é possível o primeiro ministro, que, segundo o "Correio da Manhã", completou o curso de Economia em tempo normal e com boas notas, poder pactuar com isto? Como pode aceitar tantos "lapsos" deste homem, que em 1985 mentiu à AR, quando para a qual foi eleito deputado pela primeira vez, afirmando ter obtido frequência do 2º ano de Direito e se "esquece" de um almoço com esse exemplo de isenção e honestidade, como o anterior director do SIED, há pouco mais de um ano?
As sondagens, as vaias a Passos Coelho e seus ajudantes - bem como ao PR - são significativas do descontentamento popular. A "paciência" dos portugueses está a esgotar-se.
Desconheço os gostos musicais de Pedro Passos Coelho. Não sei se continuará a gostar da música das "Doce", com uma das quais foi casado. Seria bom que ouvisse uma canção com quase 50 anos, de Paul Simon e Art Garfunkel: "the sounds of silence", que a determinada altura diz "o silêncio, como o cancro, cresce"...
Idêntica nódoa atinge o actual governo PSD/CDS. O ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, licenciou-se em Ciência Política e Relações Internacionais, na Universidade Lusófona, em apenas 1 ano, tendo sido aprovado em 4 disciplinas, num curso que tem a duração de 3 anos, com 36 disciplinas. Aquela universidade teve em conta o "curriculum" profissional e a frequência universitária do ministro Relvas para lhe atribuir a licenciatura.
A frequência universitária do sr. Relvas é a seguinte: matriculou-se nos cursos de Direito, Relações Internacionais e História. Concluiu apenas uma disciplina no primeiro daqueles cursos, com a nota mínima (10 valores), e em nenhuma disciplina foi aprovado nos outros cursos. Quanto a experiência "profissional", Relvas passou pela política e trabalhou numa empresa que nada tem a ver com o curso que lhe foi oferecido(é o termo apropriado).
Esta situação é ofensiva de quem andou 4, 5 ou 6 anos, especialmente trabalhadores estudantes, a estudar e a gastar dinheiro numa Faculdade.
Só um pacóvio que não sabe o que é uma universidade pode aceitar esta situação. Como é possível o primeiro ministro, que, segundo o "Correio da Manhã", completou o curso de Economia em tempo normal e com boas notas, poder pactuar com isto? Como pode aceitar tantos "lapsos" deste homem, que em 1985 mentiu à AR, quando para a qual foi eleito deputado pela primeira vez, afirmando ter obtido frequência do 2º ano de Direito e se "esquece" de um almoço com esse exemplo de isenção e honestidade, como o anterior director do SIED, há pouco mais de um ano?
As sondagens, as vaias a Passos Coelho e seus ajudantes - bem como ao PR - são significativas do descontentamento popular. A "paciência" dos portugueses está a esgotar-se.
Desconheço os gostos musicais de Pedro Passos Coelho. Não sei se continuará a gostar da música das "Doce", com uma das quais foi casado. Seria bom que ouvisse uma canção com quase 50 anos, de Paul Simon e Art Garfunkel: "the sounds of silence", que a determinada altura diz "o silêncio, como o cancro, cresce"...
quarta-feira, 27 de junho de 2012
ESCRAVIDÃO DE REGRESSO?
Na última edição do jornal "Expresso" vinha inserida uma reportagem sobre pessoas desempregadas e algumas empregadas, a receber o salário mínimo ou pouco mais, que colocam anúncios na internet, oferecendo-se para trabalhar apenas pela alimentação e dormida, prescindindo de dinheiro.
Trabalhar nestas condições tem um nome: escravidão! No capitalismo selvagem dos séculos XVIII e XIX, pagava-se muito pouco por 12, 14 ou 16 horas de trabalho, mas os operários ainda recebiam algum dinheiro. Estaremos a começar o regresso a tempos ainda piores que esses?
Entretanto, Pedro Passos Coelho não põe de lado novas medidas de austeridade. Como o mesmo diz, quando necessário, vai além da troika. É pena ficar aquém do acordado com a mesma troika no tocante à renegociação das parcerias público-privadas. Se neste aspecto se cumprisse o previsto no acordo, certamente a austeridade não iria tão longe. Mas, para estes "sociais-democratas" e "democratas-cristãos", a austeridade é só para pobres e remediados.
Cavaco Silva disse que o povo português já não aguenta mais austeridade. Esperamos que seja consequente se o governo avançar por esse caminho.
Trabalhar nestas condições tem um nome: escravidão! No capitalismo selvagem dos séculos XVIII e XIX, pagava-se muito pouco por 12, 14 ou 16 horas de trabalho, mas os operários ainda recebiam algum dinheiro. Estaremos a começar o regresso a tempos ainda piores que esses?
Entretanto, Pedro Passos Coelho não põe de lado novas medidas de austeridade. Como o mesmo diz, quando necessário, vai além da troika. É pena ficar aquém do acordado com a mesma troika no tocante à renegociação das parcerias público-privadas. Se neste aspecto se cumprisse o previsto no acordo, certamente a austeridade não iria tão longe. Mas, para estes "sociais-democratas" e "democratas-cristãos", a austeridade é só para pobres e remediados.
Cavaco Silva disse que o povo português já não aguenta mais austeridade. Esperamos que seja consequente se o governo avançar por esse caminho.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
SITUAÇÃO GREGA EM 8 PONTOS
1º - A Nova Democracia, de direita, ganhou as últimas eleições gregas, tendo constituido governo com o PASOK (socialista) e o Partido de Esquerda Democrática, dissidente de esquerda do PASOK.
2º- Aquela vitória foi um "flop", pois mesmo com a bonificação de 50 deputados que o sistema eleitoral grego concede ao partido mais votado, este ficou em clara minoria no parlamento.
3º - Quer a Nova Democracia, quer o PASOK, foram os responsáveis pela situação de quase bancarrota a que a Grécia chegou, levando à intervenção da troika, a qual, lá como cá, só tem agravado a situação económica, financeira e social.
4º- Os partidos referidos em 3º, que, além da situação a que conduziram o seu país, sempre primaram pela corrupção e o nepotismo, totalizavam anteriormente cerca de 80% do eleitorado, obtendo agora cerca de metade daquela percentagem de votos.
5º- Não é verdade que a Grécia e o resto da Europa possam suspirar de alívio. Os incompetentes e corruptos responsáveis pela presente tragédia grega continuam no poder, aliados numa espécie de bloco central lá do sítio. Caso não haja uma grande flexibilidade das instituições comunitárias e da própria troika, o país de Sócrates, Aristóteles e Platão cairá num enorme abismo, arrastando consigo o resto da Europa.
6º - O SYRISA, irmão político do BE, atingiu cerca de 27% de votos, algo nunca visto na Europa, na extrema-esquerda.
7º - Pelos motivos mencionado nos pontos anteriores, o capitalismo desregulado, sem consciência social, vigarista, que domina o mundo, em consequência do neo-liberalismo, falsificação do autêntico liberalismo, caminhará para a implosão. O resultado do SYRISA, as vitórias eleitorais da esquerda inspirada no marxismo em países latino-americanos como a Nicarágua, a Argentina, o Equador, a Venezuela ou a Bolívia, bem como dos maoistas do "camarada Prachanda" no Nepal, são mudanças, mais qualitativas que quantitativas, chamando a linguagem marxista em nosso apoio, que comprovam o estado já não recuado de tal implosão.
8º - A nova direita, medíocre, dogmática e ignorante do ponto de vista cultural, dominante na Europa, não vê estas realidades e cada vez dá mais razão a Marx quando afirmava "o capitalismo tem dentro de si as contradições que o farão implodir", ou à célebre frase de Lenine: "o capitalismo vender-nos-á a corda com que o havemos de enforcar".
2º- Aquela vitória foi um "flop", pois mesmo com a bonificação de 50 deputados que o sistema eleitoral grego concede ao partido mais votado, este ficou em clara minoria no parlamento.
3º - Quer a Nova Democracia, quer o PASOK, foram os responsáveis pela situação de quase bancarrota a que a Grécia chegou, levando à intervenção da troika, a qual, lá como cá, só tem agravado a situação económica, financeira e social.
4º- Os partidos referidos em 3º, que, além da situação a que conduziram o seu país, sempre primaram pela corrupção e o nepotismo, totalizavam anteriormente cerca de 80% do eleitorado, obtendo agora cerca de metade daquela percentagem de votos.
5º- Não é verdade que a Grécia e o resto da Europa possam suspirar de alívio. Os incompetentes e corruptos responsáveis pela presente tragédia grega continuam no poder, aliados numa espécie de bloco central lá do sítio. Caso não haja uma grande flexibilidade das instituições comunitárias e da própria troika, o país de Sócrates, Aristóteles e Platão cairá num enorme abismo, arrastando consigo o resto da Europa.
6º - O SYRISA, irmão político do BE, atingiu cerca de 27% de votos, algo nunca visto na Europa, na extrema-esquerda.
7º - Pelos motivos mencionado nos pontos anteriores, o capitalismo desregulado, sem consciência social, vigarista, que domina o mundo, em consequência do neo-liberalismo, falsificação do autêntico liberalismo, caminhará para a implosão. O resultado do SYRISA, as vitórias eleitorais da esquerda inspirada no marxismo em países latino-americanos como a Nicarágua, a Argentina, o Equador, a Venezuela ou a Bolívia, bem como dos maoistas do "camarada Prachanda" no Nepal, são mudanças, mais qualitativas que quantitativas, chamando a linguagem marxista em nosso apoio, que comprovam o estado já não recuado de tal implosão.
8º - A nova direita, medíocre, dogmática e ignorante do ponto de vista cultural, dominante na Europa, não vê estas realidades e cada vez dá mais razão a Marx quando afirmava "o capitalismo tem dentro de si as contradições que o farão implodir", ou à célebre frase de Lenine: "o capitalismo vender-nos-á a corda com que o havemos de enforcar".
sexta-feira, 15 de junho de 2012
IMPRESSÕES DE UM CONCERTO
No último fim de semana do passado mês de Maio, decorreu na sala Dr. Jaime Gralheiro, no Cine-Teatro de S. Pedro do Sul, um concerto do conjunto Fingertips, organizado pela Conferência de S. Vicente de Paula.
O espectáculo tinha um objectivo social, pois cada um dos espectadores devia levar dois alimentos diferentes, que aquela associação de solidariedade social posteriormente entregaria a pessoas desfavorecidas.
A sala estava praticamente cheia, pelo que foi feita uma boa "colheita" para ajuda aos mais pobres. Em S. Pedro do Sul, a solidariedade não é uma palavra vã.
O concerto foi magnífico. As músicas tocadas pelos Fingertips, desde as "da pesada" às românticas, encantaram os presentes. Todos os músicos mostraram grande capacidade, nas violas, nas teclas, ou na bateria.
Quem, no entanto, se destacou - sem menosprezar os demais elementos - foi Joana Gomes, a vocalista. Além de uma linda e óptima voz, mostrou também os seus dotes musicais nas teclas e na viola. Apesar de bastante jovem, tem bom espírito de liderança e de interacção com o público. Há na Joana condições para atingir o estrelato no mundo da música.
O espectáculo tinha um objectivo social, pois cada um dos espectadores devia levar dois alimentos diferentes, que aquela associação de solidariedade social posteriormente entregaria a pessoas desfavorecidas.
A sala estava praticamente cheia, pelo que foi feita uma boa "colheita" para ajuda aos mais pobres. Em S. Pedro do Sul, a solidariedade não é uma palavra vã.
O concerto foi magnífico. As músicas tocadas pelos Fingertips, desde as "da pesada" às românticas, encantaram os presentes. Todos os músicos mostraram grande capacidade, nas violas, nas teclas, ou na bateria.
Quem, no entanto, se destacou - sem menosprezar os demais elementos - foi Joana Gomes, a vocalista. Além de uma linda e óptima voz, mostrou também os seus dotes musicais nas teclas e na viola. Apesar de bastante jovem, tem bom espírito de liderança e de interacção com o público. Há na Joana condições para atingir o estrelato no mundo da música.
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