terça-feira, 29 de outubro de 2013

TUDO TEM O SEU TEMPO

Há uma década que colaboro na blogosfera sampedrense.
À excepção do CARICAS, os demais blogues locais desapareceram ou raramente publicam algum post. O mesmo acontece um pouco por todo o país.
Os blogues já tiveram o seu tempo. É visível muito menor frequência destes órgãos de comunicação.
A partir de hoje, deixo de publicar textos - era o único a fazê-lo há anos - no "Mais São Pedro do Sul", passando apenas a colaborar na imprensa local, como tenho feito.
Agradeço aos leitores a paciência que comigo tiveram durante quase 4 anos.
Por fim, agradeço ao meu amigo Dr. Daniel Martins o espaço que aqui me concedeu.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

AMIZADES E SUBMISSÕES

Numa entrevista concedida, há cerca de um quarto de século, ao jornal da sua organização, "Diário", o líder do Partido Comunista do Perú, mais conhecido por Sendero Luminoso, Abimael Guzzman, a uma pergunta sobre se tinha amigos, respondeu "não tenho. Tenho camaradas, bons camaradas". Esta expressão, além de demonstrar que para este intelectual e dirigente revolucionário a amizade nada conta, nem qualquer outro sentimento individual, mas apenas a camaradagem e a realização da revolução, tinha outro significado: avisar os ditos camaradas que não eram seus amigos e, se pisassem o risco, sabiam o que os esperava.
Ontem, durante um debate parlamentar, em resposta a uma acusação do líder do PCP, Jerónimo de Sousa, de que o governo servia os seus amigos banqueiros, Pedro Passos Coelho afirmou não ter o governo amigos.
Entre os pobres e a classe média não se vê, de facto, amizade ou simpatia pelo executivo de Passos Coelho. Só por masoquismo se pode gostar de um governo que, além de tudo que já fez contra estas camadas da população, na proposta do OGE/2014 corta salários e pensões a partir de 600,00 euros, mantém o IRS e o IVA elevados e prevê um desemprego ainda maior, enquanto baixa o IRC em 2%. Pouco antes, o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, pessoa conhecidíssima pela sua coerência, dizia não serem necessárias mais medidas de austeridade.
Diz o governo que a baixa do IRC estimula a economia. Como, se a população continua a perder poder de compra, tendo menos dinheiro para adquirir os produtos fabricados pelas empresas? Incentivando as exportações, diz o governo. Só que, 95% das empresas são PMEs. A sua esmagadora maioria vive do mercado interno. Logo, esta baixa do IRC, sem a diminuição do IRS e do IVA, e tendo em conta o corte de salários e pensões, apenas beneficia as grandes empresas, prosseguindo a liquidação de muitas das pequenas e médias. Mais uma demonstração do carácter de classe do governo Passos/Portas!
Aqui chegados, parece que os amigos do governo são os banqueiros e os grandes industriais. Nem sempre o que parece é. A relação entre uns e outros não é de amizade, mas de submissão do governo ao poder económico, que utiliza aquele, mas não vê os seus membros como amigos, até porque não são dos seus.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

ALEMANHA RICA, ALEMANHA POBRE

Na Revista da última edição do "Expresso", vinha uma reportagem sobre Leipzig, cidade alemã integrante da ex-RDA.
Ali era afirmado que a taxa de desemprego naquela cidade é de cerca de 11% da população activa, 14% dos seus habitantes têm um apoio da segurança social semelhante ao nosso RSI e o número de pessoas a viver abaixo do nível de pobreza é de 21%.
É esta a outra face da Alemanha, a Alemanha pobre. A mesma reportagem refere haver desprezo na parte ocidental do país relativamente aos habitantes da antiga RDA. Curiosamente, a Srª Merkel nasceu na RDA e militou no seu partido comunista.
Antes da queda do muro de Berlim, não havia liberdade na RDA. A riqueza deste país equivalia a metade da riqueza da RFA. No entanto, a RDA era o país com melhor nível de vida no leste da Europa. Os seus cidadãos tinham emprego, saúde e educação garantidos.
As consequências da passagem das sociedades socialistas totalitárias para a democracia e o capitalismo também foram estas. Está aqui a explicação para a força eleitoral que os ex-comunistas têm no leste alemão ou para os húngaros terem eleito um governo de extrema-direita que diariamente comete atentados contra a democracia.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS EM 10 PONTOS

1º - No passado dia 29 de Setembro, os portugueses mostraram um cartão vermelho ao governo e à sua política, obtendo o PSD a maior derrota de sempre em eleições autárquicas. Até na Madeira o PS ganhou em mais municípios que aquele partido. Alberto João Jardim está no ocaso do seu poder.
2º - O CDS, que continua com um pé dentro e outro fora do governo, não foi penalizado como o PSD, tendo obtido a presidência de 5 câmaras (mais quatro que em 2009).
3º- O PS foi o grande vencedor, consolidando António José Seguro a sua liderança. A táctica deste partido de não criar, no período eleitoral, elevadas expectativas mostrou estar correcta, contrariamente ao então afirmado por vários analistas e comentadores políticos.-
4º - O PCP voltou a ultrapassar os 10% e a recuperar câmaras importantes como Évora, Beja ou Loures.
5º - O BE registou uma acentuada descida de votos, perdendo para o PS a única câmara que detinha. Mostrou também não ter uma máquina local eficaz como, por exemplo, o PCP.
6º - A soma da abstenção, dos votos nulos e brancos ultrapassa 50% do eleitorado. Este facto é demonstrativo do sentimento que paira no país contra os partidos do sistema. Aliás, onze listas independentes venceram em igual número de câmaras, entre as quais Porto, Oeiras, Portalegre e Matosinhos.
7º - O PSD não tirou as devidas ilações destes resultados. Mostrou encontrar-se, tal como o governo, no qual é o principal partido, completamente isolado e repudiado junto da população. No entanto, numa atitude perfeitamente esquizofrénica, reagiu como se nada se tivesse passado. No Conselho Nacional que se seguiu ao acto eleitoral, não foi analisado o porquê da derrota. A preocupação dos srs. conselheiros laranjas foi propôr uma política de "caça às bruxas" relativamente aos críticos da estratégia falhada. Eis mais uma prova de que a maioria esmagadora do aparelho do PSD está com esta política de traição à social-democracia e à herança de Francisco Sá Carneiro.
Quem quiser lutar pela realização da social-democracia em Portugal terá de fazê-lo em outra sede.

NOVO CICLO EM S. PEDRO DO SUL


8º - Aquando da vitória do PSD e do Dr. António Carlos Figueiredo nas eleições autárquicas de 2001, em artigo publicado no jornal "Notícias de Lafões", afirmei passar qualquer solução futura do PS por Vitor Figueiredo, então reeleito Presidente da Junta de Freguesia de S. Pedro do Sul. Passados 12 anos e após várias derrotas copiosas, foi precisamente com Vitor Figueiredo que os socialistas recuperaram a C.M. local e com maioria absoluta, o que só havia acontecido com o Dr. Bandeira Pinho, independente.
Provou-se também que não é necessário ter qualquer licenciatura, mestrado ou doutoramento para se ser um bom político e demonstrar trabalho, como fez na Junta de Freguesia da sede do concelho, o que foi determinante para esta vitória.
9º - O PSD registou uma derrota histórica por razões nacionais e locais. Por um lado, verificou-se também em S. Pedro do Sul uma vontade de penalizar a política governamental, por outro lado, Adriano Azevedo mostrou não recolher a empatia do eleitorado. Algumas afirmações suas na campanha eleitoral, especialmente nos debates, foram autênticos tiros nos pés. Treze anos depois, a História veio dar razão à Comissão Política de então e à maioria dos militantes do PSD quando disseram não à escolha que o então secretário-geral, José Luis Arnaut, quis impôr nas eleições autárquicas intercalares então decorridas, o Dr. Adriano Azevedo. O candidato foi o Dr. António Carlos Figueiredo, o qual venceu quatro eleições por larga maioria absoluta. É minha convicção que se pudesse voltar a candidatar-se, seria reeleito.
10º- Em S. Pedro do Sul, as eleições foram muito bipolarizadas. Daí os maus resultados da CDU e do BE, o qual ficou afastado da Assembleia Municipal, onde mostrou grande actividade no anterior mandato. A bipolarização terá também prejudicado o Dr. José Sousa e os seus companheiros da lista "A Nossa Terra", que apresentou propostas positivas para o futuro do concelho e recolheu a simpatia de parte importante da população.
Recordo ter o Dr. Sousa um papel importantíssimo nas vitórias do PSD nos últimos 13 anos.
António Carlos Figueiredo e José Sousa são dos não muitos militantes do PSD que se mantêm fieis ao ideal social-democrata.

(Publicado na GAZETA DA BEIRA, de 10/10/2013)

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

NÃO APRENDERAM NADA

Os partidos e membros do governo, muito especialmente o primeiro-ministro, nada aprenderam com a derrota eleitoral de que foram alvo nas últimas eleições autárquicas. Pelo contrário, prosseguem a mesma política de destruição das forças produtivas. Não há sinal de baixa de impostos no próximo orçamento. Os cortes de salários e pensões continuam. Nem as pensões de sobrevivência escapam. Os salários dos funcionários públicos baixarão, segundo o "Correio da Manhã" de hoje, até 10%.
A austeridade prosseguirá, aumentando a recessão, como reconhece o próprio FMI. Qualquer principiante de economia sabe que tendo os cidadãos menos poder de compra e sendo a carga fiscal elevada, a economia tem um crescimento negativo e o desemprego aumenta, o que, aliás, é visível no nosso país nos últimos dois anos.
Perante o quadro descrito, só por ignorância ou má fé se pode dizer vir aí o crescimento. Como os governantes não serão assim tão ignorantes, forçosamente se conclui que mentem descaradamente e estão de má fé, como disse o militante do PSD, Pacheco Pereira, em recente entrevista ao "Público".
Todos os sacrifícios por que a maioria dos portugueses (não os mais ricos) tem passado foram feitos em nome da recuperação financeira, a qual falhou. Nenhum dos objectivos do memorando foi atingido. A troika deveria ter ido embora no passado dia 23 de Setembro. O défice deveria estar em 2,5% do PIB. A "grande luta" do governo PSD/CDS consiste em que o mesmo fique no final deste ano em 5,5%.
Esta política falhou. Os membros do governo falam cada um de sua maneira. Mais do que nunca, impõe-se a intervenção do Presidente da República, demitindo este governo e convocando novas eleições legislativas, ou procurando a criação de um governo de salvação nacional com outro primeiro-ministro.

domingo, 6 de outubro de 2013

ESTALINISMO DE DIREITA

As últimas eleições autárquicas registaram uma enorme derrota do PSD e uma grande vitória do PS.
A CDU voltou a obter mais de 10% de votos e recuperou câmaras importantes como Beja, Évora ou Loures.
O BE teve um sério revés, perdendo a única C.M. que detinha, Salvaterra de Magos, para o PS.
Foi claramente repudiada a política governamental. No entanto, o CDS, certamente devido à sua atitude de estar com um pé dentro e outro fora do governo, aumentou de 1 para 5 o seu número de Câmaras Municipais, pelo que o grande prejudicado dos partidos do poder foi o PSD.
Os "sociais-democratas", em vez de reflectirem no seu isolamento no país, reagiram em Conselho Nacional como se nada tivesse ocorrido. Em vez de pedirem contas ao líder e restantes responsáveis do partido pela humilhante derrota, os srs. conselheiros laranjas pretendem a expulsão dos críticos da estratégia falhada, à boa maneira estalinista. Resquícios da formação política durante a juventude do próprio Passos Coelho, de Agostinho Branquinho, de Nuno Crato, de Franquelim Alves e tutti quanti?

NOVO CICLO EM S. PEDRO DO SUL

Em S. Pedro do Sul, venceu o PS, por maioria absoluta, na Câmara e na Assembleia Municipais, conquistando também a maioria das freguesias, o que determina o início de um novo ciclo político no nosso concelho. Vitor Figueiredo provou não ser necessário possuir um "canudo" para se ser um bom político e vencer de forma inequívoca umas eleições.
Após 13 anos de poder, com larga maioria, o PSD sofreu uma pesada derrota, determinada pelos seguintes factores: além da vontade nacional de penalizar aquele partido, o seu candidato à C.M., Adriano Azevedo, não criou empatia no eleitorado, tendo, durante a campanha eleitoral, dado vários tiros nos pés.
As eleições no nosso concelho foram bipolarizadas, tendo penalizado a CDU, o BE e "A Nossa Terra". Esta lista independente recolheu, no entanto, bastante simpatia dos sampedrenses. É bom também recordar que o seu cabeça de lista, José Sousa, foi importantíssimo em todas as vitórias obtidas pelo PSD de 2000 para cá.
Se António Carlos Figueiredo pudesse ter concorrido, penso que seria reeleito.
Os meus amigos António Carlos Figueiredo e José Sousa são dos poucos militantes do PSD que se mantêm fieis à social-democracia e ao pensamento de Sá Carneiro.

PS: em próximo número do jornal "Gazeta da Beira" desenvolverei pormenorizadamente os resultados das últimas autárquicas, a nível nacional e local.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

RUI RIO


Há algum tempo, o ainda Presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio, criticou a prática política do seu partido (PSD), considerando que o mesmo se tem afastado da social-democracia e não preza o factor social. Mais afirmou não apoiar Luis Filipe Menezes enquanto candidato à C.M. da Cidade Invicta, devido à sua política gastadora e criadora de pesada dívida em Vila Nova de Gaia.
Rui Rio sempre repudiou o neo-liberalismo, a actual ideologia do partido liderado por Passos Coelho. É um social-democrata inequívoco, à semelhança de Francisco Sá Carneiro e demais fundadores do PPD.
Enquanto no governo o PSD e o CDS destroem a economia, provocando falências, elevado desemprego, mais pobreza e mais miséria, em nome do mais que falhado combate ao défice e à dívida, Rui Rio, à frente de uma coligação entre aqueles dois partidos, no município do Porto, nos últimos 12 anos, requalificou pontos essenciais da cidade, aplicou uma invejável política social e reduziu grandemente a dívida herdada. Por outro lado, não tem cedido aos lobbies desportivos, culturais ou da construção civil. Provou poder ser-se eleito naquela cidade com a oposição de Pinto da Costa.
É de uma pessoa com o perfil de Rui Rio que o país precisa na chefia do governo. No entanto, as suas palavras não tiveram eco no aparelho do PSD, o que mostra estar o mesmo dominado pelos actuais dirigentes e detentores do poder executivo, que trocaram a social-democracia pelo neo-liberalismo cavador de injustiças sociais, desigualdade e pobreza, cá e no mundo inteiro.
No actual PSD poucos militantes professam a social-democracia. Dificilmente tal partido voltará a ser um partido conciliador da economia aberta e competitiva, do direito de propriedade, com a solidariedade e a justiça social, bem como uma especial atenção aos mais desfavorecidos. Quem se identifica com o ideal social-democrata não é neste partido, nem votando no mesmo, que o fará.

PS: em artigo publicado na edição de 25/07/2013 de “Gazeta da Beira” e intitulado “Economia ou sociedade de mercado”, a determinada altura era afirmado que os programas do PSD e o CDS afirmavam não estar a solução toda no Estado. Tal foi um lapso. A expressão correcta é: “nos programas do PSD e do CDS diz-se que a solução não está toda no mercado”. A correcção aqui fica, com o devido pedido de desculpas aos leitores.

Publicado na GAZETA DA BEIRA, de 26/09/2013

terça-feira, 24 de setembro de 2013

ANGELA MERKEL GANHA ELEIÇÕES SEM MAIORIA

Os democratas-cristãos e Angela Merkel venceram as eleições legislativas alemãs, no passado domingo. Reforçaram a sua votação, mas não conseguiram atingir a maioria absoluta. Os seus aliados liberais não obtiveram a percentagem mínima de votos (5%) para permanecerem no parlamento, pelo que, provavelmente, a Alemanha passará a ser governada por uma coligação entre democratas-cristãos e sociais-democratas.
Os alemães têm razão para votar em Merkel e no seu partido, pois a actual UE e a moeda única foram criados à medida do seu país, prejudicando as economias mais fracas, as quais, ainda que também por outros motivos, se endividaram. Com esse endividamento, as "ajudas" alemãs têm-lhe rendido muito dinheiro, num belíssimo exemplo de solidariedade dos ricos para com os pobres, tal como afirmam os tratados europeus...
O alemão médio sempre sonhou dominar a Europa. Não é por acaso que os nazis, de Hitler, chegaram ao poder através de eleições. Se a Alemanha perdeu a II guerra mundial, está a conseguir, pela economia, atingir os objectivos imperialistas então pretendidos, por falta de competência e de patriotismo da maioria dos governantes dos restantes paises da UE.
O Partido Social Democrata Alemão irá regressar, ainda que como segundo partido, ao poder. Espera-se que se recorde ter nascido do movimento operário da segunda metade do séc. XIX contra o capitalismo selvagem, e faça jus ao seu nome e ideologia, contrariamente ao Sr. Hollande na França.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

NUNO CRATO REGRESSA AOS SEUS TEMPOS JUVENIS

As direcções de algumas escolas secundárias querem proibir as suas alunas de usar decotes considerados excessivos e mini-saias nas aulas e/ou nos recreios. Já agora, porque não obrigá-las a usar capa para taparem bem os seus corpos juvenis?
As associações de pais não concordam com tais decisões. O ministro da educação, Nuno Crato, até agora, não se pronunciou sobre a questão, porque, certamente não se opõe às ditas decisões. Assim sendo, sentir-se-á voltar aos bons velhos tempos de juventude quando passou por várias organizações que perfilhavam o maoismo, para o qual, a nível político geral e, na China, em particular, o sexo era tabu. Naquele país, nas aulas não se falava de educação sexual e era proibido um casal de namorados beijaram-se na boca em público.
De facto, o moralismo revolucionário da esquerda estalinista e maoista é igualzinho ao moralismo hipócrita da direita ultra-conservadora. Por isso alguns revolucionários que conheci se afirmam, sem rirem, serem "de direita e conservadores". Mais do que isso, vocês transformaram-se nuns reaccionários que só envergonham quem convosco lutou por causas justas animadas por ideias erradas.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

11 DE SETEMBRO

Há 12 anos, terroristas suicidas pertencentes à Al-Qaeda lançaram dois aviões contra as torres gémeas, em Nova Iorque, e um outro contra o Pentágono.
Em consequência daquele acto criminoso faleceram vários milhares de pessoas.
Aquele ataque foi perpetrado contra a liberdade. Os seus autores eram psicopatas com ódio a tudo que seja diferente do fundamentalismo islâmico.
A comunicação social tem destacado a comemoração do 12º ano daquele terrível acontecimento nos EUA, o que está certo. Deveria ter tido a mesma atitude no passado dia 6 de Agosto relativamente à recordação do lançamento pelas tropas americanas das bombas de Hiroxima e Nagasaqui, no Japão, causadoras de muitos milhares de mortos. Lembramos também que passam hoje 40 anos sobre o golpe de estado fascista do general Augusto Pinochet, no Chile, orquestrado pela CIA, no qual teve graves responsabilidades o então secretário de estado dos Negócios Estrangeiros americano, Henry Kissinger. Em consequência de tal golpe, foram mortos milhares de chilenos.
A Al-Qaeda cometeu - e continua a cometer - aquele e outros crimes em nome de Alá. Os EUA praticaram as mortes atrás mencionadas em nome da liberdade e demais valores civilizacionais ocidentais..
Nem só os comunistas ou os jacobinos, no pós-Revolução Francesa, mataram muita gente em nome de grandes e generosos ideais como sociedade sem exploradores nem explorados, onde todos serão iguais, liberdade, igualdade e fraternidade.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O POLITICAMENTE CORRECTO E A FALSIFICAÇÃO DA HISTÓRIA

Na edição da Revista do "Expresso" do passado dia 7 de Setembro, vinha publicado um trabalho de reportagem sobre 25 dos 100 considerados ilustres portugueses do séc. XX. Entre aqueles conta-se o já falecido Francisco Martins Rodrigues, que em 1963 abandonou o PCP, de que era um dos principais dirigentes, fundando no ano seguinte, com mais dois dissidentes do partido já liderado por Álvaro Cunhal, João Pulido Valente e Rui d'Espiney, a FAP (Frente de Acção Popular) e mais tarde o CMLP (Comité Marxista-Leninista Português), o qual tornou aquela frente seu braço armado. Estas foram as primeiras organizações maoistas portuguesas.
A prosa sobre Francisco Martins Rodrigues, assinada por Valdemar Cruz, refere ter o mesmo sido preso no início do ano de 1966 com muitos militantes do CMLP/FAP. Esquece, no entanto, o autor da prosa de dizer que tais prisões se deveram à delação do herói revolucionário Francisco Martins Rodrigues na PIDE.
A história verdadeira é esta: havia desconfiança de que um militante do CMLP/FAP, de seu nome Mário Mateus, seria um pide infiltrado. Numa noite, Martins Rodrigues e Rui d'Espiney levaram o tal Mateus para a mata de Sintra, onde este, após levar uma carga de porrada, confessou trabalhar para a PIDE e receber da mesma 2 500 escudos por mês. De seguida, os outros dois matam-no a tiro de pistola.
A PIDE rapidamente prendeu os executantes de Mário Mateus, sujeitando-os a intensa tortura, à qual não resistiram, tendo delatado todos os camaradas que conheciam. Essa sua atitude é que permitiu o desbaratar da organização de que eram dirigentes pela polícia política do regime.
Alguns militantes conseguem fugir para França, juntando-se a outros camaradas aí exilados. Acabaram com o braço armado da organização (FAP) e expulsaram posteriormente Francisco Martins Rodrigues e Rui d'Espiney. A partir dessa altura (1968), o princpial dirigente do CMLP passa a ser o futuro líder do PCP (m-l), hoje militante do PSD e neo-salazarista, Heduino Gomes (Vilar).
Francisco Martins Rodrigues foi condenado na pena de 19 anos de prisão, apenas saindo da cadeia no 25 de Abril. Após a revolução, foi o "pai" da UDP e do PCP(R). O comunista brasileiro, que pertenceu ao círculo de Estaline, Diógenes Arruda, após a "reconstrução do partido", leia-se: o surgimento do PCP(R) no fim de 1975, veio para Portugal controlar o mesmo, tendo levado o respectivo Comité Central, devido ao seu comportamento na PIDE, contrário à chamada firmeza bolchevique, a expulsar Rui d'Espiney e afastar daquele comité Martins Rodrigues, na condição de nunca mais lhe pertencer. Esta atitude relativamente ao Chico, como era tratado na organização, deveu-se ao relevante papel dirigente que teve na reconstituição do partido. Rui d'Espiney permaneceu na UDP.
Em 1984, Francisco Martins Rodrigues sai do PCP(R) e cria a organização denominada "Política Operária", passando a ser director de uma revista com o mesmo nome até à sua morte em 2008.
A extrema-esquerda que não gostava de Martins Rodrigues, dada a sua delação na PIDE, passou, desde os anos 60 do século passado, a apelidá-lo de Chico Bufo.
Quando Francisco Martins Rodrigues morreu, rezei pela sua alma. Desejo que descanse em paz. Reconheço que teve um papel importantíssimo na luta anti-fascista, embora defendesse uma ditadura de sinal contrário. No entanto, não concordo nem pactuo com a correcção política do jornalista Valdemar Cruz. Sempre que se fale ou escreva sobre Francisco Martins Rodrigues, não se refira apenas o que o beneficia. O seu comportamento na polícia, inadmissível em qualquer partido ou organização comunista, levou à prisão e ao exílio muita gente.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

CIA ENSINOU TORTURAS À PIDE

Segundo uma notícia publicada na última edição do jornal "Expresso", a CIA entregou um manual de torturas à PIDE, a polícia política da ditadura anterior ao 25 de Abril. De acordo com um especialista na matéria, algumas dessas torturas ainda foram aplicadas recentemente aos detidos de Guantanamo.
Este facto ilustra uma certa América, que sendo democrática, em nome da luta contra o comunismo, ajudou ditadores fascínoras, ladrões e corruptos em vários pontos do globo, especialmente na América Latina.
Pinochet, Trujillo, Jimenez, Marcos e tantos outros foram alguns dos tiranos colocados e mantidos no poder com a ajuda da CIA e de vários governos americanos.
Essa América queimou muita gente viva, com napalm, no Vietname. Quem não se lembra da célebre fotografia da menina vietnamita, a correr nua, queimada por napalm lançado pelos yankees, com a dor espelhada no rosto e especialmente nos olhos? Essa mesma América lançou as bombas de Hiroxima e Nagasaqui, no Japão, matando dezenas de milhares de pessoas. É a América imperialista e rapinadora das riquezas alheias.
Há uma outra América, a que foi importante na luta contra o fascismo, o nazismo e o outro totalitarismo do século XX, o comunismo, a América que, com o Plano Marshall, ajudou a Europa a sair da crise do pós-II guerra mundial e enriquecer. Foi essa América que derrotou os republicanos e o reaccionarismo dos sectores mais ortodoxos, ignorantes, obscurantistas e patéticos da direita, representados por Sarah Palin, e elegeu Barak Obama, o qual se aproxima do modelo social-democrata europeu, enquanto os governos do nosso continente, com destaque para o governo Portas-Passos, aplicam um ultra-liberalismo conservador, destruidor da coesão social.
Não foi para imitar Bush, agora na Síria, que Obama foi eleito e teve a simpatia de pessoas democratas e progressistas no mundo inteiro.
Como dizia Marx, "a História repete-se, não como tragédia, mas como farsa". Se o ditador Assad cair, não haverá qualquer democracia na Síria, como não houve no Egipto, na Líbia e em outros países árabes. O poder será tomado por gente ligada à Al-Qaeda. Também Saddam Hussein e Bin Laden foram apoiados por administrações democratas e republicanas nas guerras contra o Irão, bem como a guerrilha curda, e a defunta URSS no Afeganistão. Saddam, há mais de 30 anos, matou milhares de curdos com armas químicas, com o apoio dos EUA. Viu-se como estes tipos agradeceram ao país do tio Sam o apoio dado!
Que Cameron alinhe nesta aventura que irá sair cara a todos os níveis não admira. O seu rosto espelha a sua inteligência. Já que Hollande o faça, não passa de uma traição sua aos ideais de uma nova esquerda alternativa ao conservadorismo social.

PS: este artigo foi publicado em 29/8/2013. Por lapso, foi eliminado e reposto na presente data.

A MENTIRA TEM A PERNA COXA

O nº 2 do PSD, Marco António Costa, o tal com quem Paulo Portas disse, na campanha eleitoral para as últimas eleições legislativas, nunca aceitar formar governo, afirmou na universidade de Verão daquele partido que "o PSD tem todo o direito de aplicar o programa com que foi eleito".
Só que, o PSD ganhou as eleições com um programa diferente do que tem aplicado no governo. Na altura, os "sociais-democratas" diziam que caso vencessem as eleições não haveria despedimentos na função pública, nem aumento de impostos, nem cortes de pensões e de salários.
Como facilmente se constata, puseram em prática, em conjunto com o CDS, um outro programa totalmente inverso.
Diz uma velha expressão popular que "a mentira tem a perna coxa". Os detentores do poder não param de mentir e enganar os cidadãos. Nesta altura do campeonato, já só se deixa enganar quem quer. Há que demonstrá-lo na próximas autárquicas, que têm também um significado nacional.

domingo, 18 de agosto de 2013

SÓ SE DESILUDE QUEM SE ILUDIU

O leitor lembra-se de, há um ano, Pedro Passos Coelho ter afirmado no Algarve que o essencial da crise e da austeridade tinha passado? Só se iludiu quem quis, pois a realidade objectiva e subjectiva, como diria o próprio primeiro-ministro nos seus tempos de militância comunista, demonstrava o contrário. Logo a seguir, a TSU e o OGE para  o ano em curso, que passados poucos meses era um documento sem valor, falso como  tudo o que o líder do partido neo-liberal sediado na S. Caetano à Lapa e do actual governo havia dito desde a campanha que o conduziu a S. Bento, foram as primeiras decisões comprovativas de que Passos Coelho não passava de um ilusionista.
Lembra-se ainda, amigo leitor, que aquando da remodelação governamental efectuada há poucas semanas, o primeiro-ministro e seus ajudantes, especialmente Pires de Lima, enchiam a boca com o "novo ciclo caracterizado pelo crescimento"? Pouco tempo depois, no passado dia 16, novamente na "rentré" algarvia do PSD, Passos Coelho não falou de qualquer política virada para  o crescimento económico e o emprego. Pelo contrário, o seu discurso marca uma linha de continuidade (leia-se de mais austeridade e empobrecimento). Nada mudou relativamente ao tempo de Vitor Gaspar.
Após tanta mentira do primeiro-ministro, do PSD e do CDS, já ninguém se pode desiludir, pois já anteriormente não havia qualquer motivo para ilusões.
Este discurso prova também que o crescimento verificado no segundo trimestre relativamente aos primeiros 3 meses deste ano é meramente conjuntural, tendo, aliás, a economia decrescido 2% em  comparação com igual período do ano de 2012. Igualmente conjuntural é a descida do desemprego no mesmo trimestre, pois tal apenas se verificou em trabalhos muito mal pagos - nos outros o emprego diminuiu - e porque estava a chegar o Verão, quando se criam postos de trabalho apenas para esta época.
Num momento de crise como o que vivemos estamos a ser governados por ilusionistas de feira !

terça-feira, 13 de agosto de 2013

APRENDER COM GUERRA JUNQUEIRO

 
Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. (...)
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar. 



PUBLICADO NO BLOGUE "ABRUPTO", DE PACHECO PEREIRA, NO DIA DE HOJE.

NOTA: QUALQUER SEMELHANÇA COM A REALIDADE POLÍTICA ACTUAL NÃO É MERA COINCIDÊNCIA.

sábado, 10 de agosto de 2013

O INTELECTUAL MISTIFICADOR

O intelectual orgânico deste governo, Miguel Poiares Maduro, mostra-se cada vez mais, à semelhança dos intelectuais daquela estirpe, especialmente os serventuários de ditaduras, um mistificador.
Veio dizer que a quebra no desemprego é  sinal de que "estamos a melhorar".
A verdade é esta: aquela quebra deve-se ao efeito sazonal do Verão e apenas se verifica em empregos com baixos salários, pois nos trabalhos melhor pagos o desemprego continua a aumentar. É o INE quem o diz.
E no tocante à dívida pública, ao défice, ao número de pessoas a recorrer ao Banco Alimentar e a instituições particulares de solidariedade social para se alimentarem e vestirem, estamos melhor, Prof. Maduro?
Com a ida de  Miguel Poiares Maduro para o governo talvez se tenha perdido um brilhante intelectual e analista, que certamente deixará de ter o mesmo respeito dos seus pares, e ganhou-se um mau político. É o que acontece quando os intelectuais perdem a independência de pensamento e de espírito  e se tornam em propagandistas do poder, quase sempre - é este o caso - mais papistas que o Papa.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

ECONOMIA OU SOCIEDADE DE MERCADO ?

                           
Há muitos anos, quando era director do jornal "Expresso", José António Saraiva qualificou, naquele semanário, Proença de Carvalho, Vitor Cunha Rego e Maria Elisa Domingues, como defensores de um liberalismo económico selvagem. Não tinha razão, pois todos eles, no que diziam e escreviam, mostravam preocupações sociais e a defesa da ascenção social dos mais pobres.
Passado todo este tempo, José António Saraiva é director do semanário "Sol", ao serviço da cleptocracia angolana e porta-voz das posições do governo Portas-Passos. A ideologia, falhada em todo o mundo e também no nosso país, que serve de base a esse governo, é o neo-liberalismo, herdeiro de Ronald Reagan e Margareth Thatcher. Saraiva  tornou-se num dos seus maiores seguidores. Pela sua lógica de há 20 anos, é hoje um dos defensores do capitalismo selvagem. Aliás, é vê-lo elogiar a facilidade em despedir - chegou a escrever que os despedimentos deveriam ser totalmente livres, o que Paulo Portas também fez no "Independente", afirmar estar certo baixar salários e trabalhar mais, cortar nas reformas, aumentar impostos, e tudo o mais levado à prática pelos partidos ditos social-democrata e democrata-cristão, ao contrário do afirmado na campanha eleitoral de há dois anos.
Recentemente, escrevia no jornal com cheiro a sangue de angolanos e não só "vivermos numa sociedade de mercado, como defendiam o PS, o PSD e o CDS".
Nenhum daqueles partidos, nos seus programas, fala em "sociedade de mercado". Pelo contrário, falam em "economia de mercado regulada pelo Estado". Antes de estarem no actual governo, PSD e CDS afirmavam que "a solução, mesmo na economia, não estava toda no mercado". O PS, após ter abandonado o estatismo que o caracterizou em outros tempos e o próprio marxismo, passou a defender o funcionamento do mercado sob supervisão do Estado, rejeitando muito claramente a sociedade de mercado.
Se Saraiva mentiu relativamente aos programas daqueles partidos, falou verdade quanto ao funcionamento das sociedades ocidentais, onde a política está submetida à economia e os grandes grupos económicos mandam e controlam o poder político, especialmente nos países onde a nova direita liberal-conservadora, capitaneada por Angela Merkel, recentemente apelidada de falsa democrata-cristã por uma sua companheira de partido, ex- assessora do chanceler Helmut Kholl, de pouco valendo o voto popular. Ou seja, o poder económico está a destruir a democracia política e também a democracia económica, acentuando as desigualdades sociais e a exploração de mão de obra barata, em favor dos privilegiados. Recordamos, a propósito, ter o liberalismo clássico a luta contra o privilégio como ponto comum com sociais-democratas, socialistas, comunistas e anarquistas.
Por outro lado, o PSD e o CDS, apesar do que está escrito nos seus programas, têm encaminhado Portugal para uma sociedade de mercado, ao gosto do capitalismo sem alma e dos seus serventuários, como José António Saraiva. É a esta gente, apesar de desacreditada e moribunda do ponto de vista político, que vamos continuar entregues por obra e graça do Senhor Presidente da República.
               
PS: cada vez mais este PSD se afasta da verdadeira social-democracia. O partido mais próximo de tal ideologia e do pensamento de Sá Carneiro, adaptado aos novos tempos, apesar de todas as críticas que lhe possam ser feitas, é o PS.
É também necessário, nas próximas eleições autárquicas, infligir, a nível nacional, uma pessada derrota aos partidos do governo, para a mudança rumo a um país mais justo, fraterno, solidário e inclusivo.


Publicado no jornal "Gazeta da Beira", de 25/7/2013

terça-feira, 30 de julho de 2013

O APELO DO PAPA AOS JOVENS

O Papa Francisco I visitou recentemente o Brasil, tendo participado e celebrado uma missa no Encontro Mundial da Juventude realizado no Rio de Janeiro, no qual participaram alguns milhões de jovens.
Aconselhou os mais novos a serem apóstolos de Cristo, na defesa da Verdade e da Justiça. Mais: disse-lhes para se manifestarem, sem medo, por um mundo mais justo.
O Papa tem criticado o poder económico que desvirtua a democracia e manda no mundo, tornando-o mais injusto. Como diz o escritor liberal e também sul-americano, Mário Vargas Llosa, "o capitalismo é um sistema amoral e injusto, tendo de ser regulado pela democracia". Ora, actualmente, assistimos ao contrário: os políticos, mesmo em democracia, submetem-se ao poder do dinheiro. Basta olhar para quem nos (des)governa. Quem viu o desejo e a luta por uma sociedade melhor por parte dalguns deles, incluindo Passos Coelho, quando jovens, como viu o autor destas linhas !...
Na origem deste poder desregrado do dinheiro e do ressurgimento do capitalismo sem alma está o neo-liberalismo, a herança de Reagan e Thatcher, desvirtuador do liberalismo clássico, "pai" do conceito moderno de democracia.
É, pois, contra o neo-liberalismo, responsável pelo vosso desemprego e falta de perspectivas de futuro que vós, jovens, deveis manifestar-vos. Perigo pior para a humanidade, nos dias de hoje, só o vindo do terror da Al-Qaeda. 

sexta-feira, 26 de julho de 2013

SAI FRANQUELIM, ENTRA BRANQUINHO

O ex-militante do PCP e actualmente primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, parece ter uma grande atracção pela escolha para o seu governo de alguns seus ex-inimigos maoistas, que o apelidavam e aos seus ex-camaradas de "revisionistas", "sociais-fascistas" e "lacaios do social-imperialismo revisionista soviético".
O ministro da educação, Nuno Crato, pertenceu ao PCP(m-l), ao CMLP/PUP e ao PCP(R)/UDP.
O secretário de Estado da inovação e competitividade agora de abalada, Franquelim Alves, foi dirigente do MRPP. Entretanto, para secretário de Estado da segurança social entrou Agostinho Branquinho, mais um ex-jotinha laranja, em tempos militante do MRPP e do PCP(m-l).
Corria o final do Verão do ano de 1976 quando o MRPP, cumprindo um dos seus objectivos, convoca o seu I Congresso para o final daquele ano, a fim de fundar o "verdadeiro partido marxista-leninista-maoista", o Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP). A então direcção regional litoral do Norte do partido, denominada Zona Ribeiro Santos, com sede no Porto, liderada por Horácio Crespo, hoje militante do PS e professor universitário de Economia, discorda daquela convocatória, defendendo o abandono da via revolucionária seguida pelo partido de Arnaldo Matos, a aliança com as organizações maoistas que afirmavam a impossibilidade da revolução e a ligação com todas as forças anti-PCP, incluindo as mais conservadoras, como era o caso do PCP(m-l), liderado por Heduino Gomes, o "camarada Vilar".
O principal aliado de Horácio Crespo no Porto era Agostinho Branquinho, uma espécie de motorista e moço de recados daquele.
A apelidada pelo MRPP "pandilha do Crespo", incluindo o Branquinho, foi expulsa. Pouco após, Agostinho Branquinho aderia ao grupo vilarista (PCP(m-l), tornado numa espécie de public relations da China em Portugal, pois praticamente mais nenhuma actividade desenvolvia, não tendo qualquer crédito nos sindicatos, no associativismo estudantil ou outro movimento de massas.
Em 1980, o PCP(m-l) é extinto. Após os seus membros terem constituido o Partido Trabalhista (PT), também liderado pelo Heduino, o mesmo desapareceu em poucos anos. Heduino adere ao PSD em 1984, tendo sido chefe do gabinete de propaganda deste partido aquando da liderança de Mota Pinto.
Após a morte de Mota Pinto, tornou-se um obscuro militante, nada tendo hoje a ver, na prática, com o partido a que aderiu, pois insulta Sá Carneiro, defende Salazar, o seu regime e o colonialismo. Leia-se o seu blogue "Mais Lusitânia" e poderá ver-se como não exagero nada. Recordo apenas ter Heduino Gomes pertencido ao PCP, à FAP (Frente de Acção Popular), braço armado do CMLP (Comité Marxista-Leninista Português) e ao PCP(m-l), como acima se afirma. Recusou-se a fazer a guerra colonial, tendo fugido para França em meados dos anos 60.
Quando o PCP(m-l) acabou, Agostinho Branquinho aderiu ao PSD. No entanto, pertenceu sempre à sua ala direita. Quando esta, capitaneada por Cavaco Silva e Eurico de Melo, conspirou contra o governo de Pinto Balsemão, em 1981, teve um forte apoiante no então jovem Branquinho, o qual, numa atitude de mais papista que o papa, no Conselho Nacional do partido que reafirmou o apoio a Balsemão, rejeitou sozinho o mesmo.
Há pouco tempo, foi trabalhar para a famigerada Ongoing, regressando agora à política como secretário de Estado.
Os últimos ex-maoistas escolhidos por Passos Coelho têm, curiosamente, estado nos últimos anos em muito más companhias. Este na Ongoing, o Franquelim de Económicas, no BPN e na SLN.
Heduino Gomes, Vilar para os ex-camaradas, elogia o salazarismo. Agostinho Branquinho faz parte do governo mais à direita desde o 25 de Abril. Analisando os seus percursos, estão no caminho certo...         

sábado, 20 de julho de 2013

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS, JÁ

A tentativa de acordo entre os partidos do chamado arco constitucional proposta pelo Presidente da República falhou.
A culpa do falhanço foi dos partidos da coligação governamental, que queriam amarrar o Partido Socialista às suas políticas também falhadas. Basta recordar que o défice, incluindo o dinheiro investido na nacionalização encapotada  e mal disfarçada do BANIF, ultrapassa os 10% do PIB. Quer o défice, quer a dívida pública, são maiores que há dois anos, quando Sócrates abandonou o poder, apesar de se ter destruido económica e socialmente o país em nome da recuperação financeira.
A carta de demissão de ministro das finanças  de Vitor Gaspar é o espelho do desastre económico-financeiro irrevogável (usando a linguagem de Portas) da coligação de direita no poder. O mesmo Portas dá constantemente o dito por não dito. Como dizia o meu saudoso amigo Dr. Carlos Candal, figura histórica do PS, "virou-nos as costas, salvo seja".
No nosso entender, a única solução para a resolução da presente crise passa por dar a voz ao povo. O vencedor das eleições a realizar seria o PS, muito provavelmente sem maioria. Como o PSD e o CDS registariam copiosoas e merecidas derrotas, as suas lideranças mudariam. Acreditamos que ainda poderiam voltar a ser verdadeiros partidos social-democrata e democrata-cristão. Então, sim, poderíamos ter uma governo de salvação nacional constituido por aqueles três partidos, que recuperasse financeiramente o país com justiça social.
O nosso azar está em Passos e Portas. Esperamos que Cavaco Silva, que até chegou a afirmar, quando primeiro-ministro, ser social-democrata como Bernstein, conclua o mesmo na decisão que vier a adoptar.